"Oposição sem gritaria". Eleitos Secretariado Nacional e Comissão Política Nacional do PS
A nova composição do Secretariado Nacional foi eleita com 90,05 por cento dos votos e a Comissão Política Nacional com 87,68 por cento.
Os socialistas elegeram este domingo o novo Secretariado Nacional do partido com 90,05 por cento dos votos. A Comissão Política Nacional colheu 87,68 por cento. Resultados anunciados pelo presidente do PS, Carlos César, que, no desfecho da reunião da Comissão Nacional, sustentou ser possível "fazer oposição sem dizer sempre não e sem recorrer à gritaria". A lista do Secretariado Nacional, órgão restrito da direção, recebeu 190 votos a favor, 11 contra e dez em branco. A lista da Comissão Política Nacional obteve 185 a favor e 26 em branco.
"Esta Comissão Nacional foi importante, tanto num plano interno como num plano externo. No plano interno, porque permitiu a reinstalação de todos os órgãos do partido, na decorrência do último Congresso Nacional", afirmou Carlos César aos jornalistas.
Ainda segundo o presidente do PS, os resultados da reunião partidária "exprimem, por um lado, a unidade forte que hoje tipifica a vida no Partido Socialista, sem prejuízo da diversidade que nos acompanha há precisamente 53 anos, e também a vitalidade que estes órgãos podem ter".Carlos César falou de uma "renovação impressiva" na cúpula do Rato.
"O Partido Socialista está, assim, em condições de prosseguir com coragem aquilo que tem procurado manifestar junto dos portugueses, e que é que é possível fazer oposição sem dizer sempre não e sem recorrer à gritaria. É possível ser uma boa oposição e ser reconhecido pelos portugueses como um partido capaz de fazer propostas, capaz de dizer como não deve ser feito, mas também como deve ser feito", propugnou.
César insistiu na ideia de que o o PS é uma força de "oposição ao Governo", embora tenha "de contribuir naquilo que pode e naquilo que sabe para que o país tenha um bom governo": "E um bom governo no sentido global, não especificamente deste governo, mas das responsabilidades de condução do país".
"Não faz sentido negar o diálogo, não faz sentido não dar retorno a todos os impulsos que podem conduzir a um consenso em relação às políticas no país. A nossa responsabilidade é a de saber ajudar, sem prejuízo de dizermos com clareza aquilo com o que não estamos de acordo", vincou.
Confrontado com declarações do antigo ministro Duarte Cordeiro ao Observador, designadamente o recuo na abertura para integrar a Comissão Política Nacional, o presidente do PS afirmou que a liderança de José Luís Carneiro "continua como começou".
"Foi eleita com uma larga maioria de votos no Partido Socialista, e naturalmente, como não foi com unanimidade, há pessoas que ainda não se associam por completo à sua forma de estar e de ser, mas isso é natural no Partido Socialista. A única coisa que eu temo no Partido Socialista são as votações de 100 por cento", apontou.O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, abriu a reunião da Comissão Nacional do partido a acusar o Governo de "ofensa à dignidade" dos trabalhadores com as alterações à legislação do trabalho, considerando-as mesmo uma "contrarreforma".
Mais de metade da Comissão Política Nacional do PS proposta por José Luís Carneiro sofre uma renovação. Entram os ex-governantes Fernando Medina e Alexandra Leitão, os eurodeputados Francisco Assis e Ana Catarina Mendes e o antigo deputado Sérgio Sousa Pinto, que transitam do Secretariado Nacional.
Dos 65 membros efetivos da Comissão Política Nacional, 37 são novos nomes, o que, segundo fonte partidária citada pela agência Lusa, equivale "a uma taxa de renovação de 57 por cento".
A lista foi encabeçada por Teresa Almeida, presidente da CCDR Lisboa e Vale do Tejo. Alexandra Leitão, ex-candidata autárquica em Lisboa, integra também a Comissão Política Nacional.A Comissão Nacional do PS reuniu-se pela primeira vez com a nova composição resultante do Congresso de Viseu, realizado em março.
"Estão representadas todas as federações e círculos eleitorais de Portugal e integram membros provenientes de 83 concelhos diferentes, assegurando uma forte diversidade territorial", fez notar a mesma fonte socialista, para acrescentar que figuram no órgão autarcas de todo o país, nomeadamente António Pina, de Faro, Carlos Zorrinho, de Évora, João Nicolau de Alenquer ou Fátima Fernandes, de Montalegre.
A ex-ministra do Trabalho Ana Mendes Godinho e a presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, são novidades no Secretariado Nacional do PS, tal como os antigos deputados Luís Soares e Sérgio Ávila e a ex-secretária de Estado Fátima Fonseca.
O Rato considera que "o PS vai além de qualquer outro Partido em Portugal com uma distribuição de género de acordo com os requisitos estatutários definidos pelo partido" e sublinha que "o membro mais jovem tem 23 anos e o mais velho 80 anos, sendo que a média de idades, incluindo suplentes, se fixa nos 56 anos".
"O secretário-geral pretende fazer deste órgão o principal espaço de discussão política do partido, com reuniões de caráter mensal, reforçando o seu papel estratégico na definição de orientações e debate interno".
c/ Lusa