Orçamento. Carneiro vai propor abstenção aos órgãos do PS
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, anunciou esta quarta-feira que vai propor aos órgãos do partido a abstenção na votação do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) depois das garantias que foram deixadas pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
"Optámos pela abstenção, porque o primeiro-ministro deu um sinal muito positivo ao responder a todas as questões que tínhamos colocado, quer em relação à Constituição e os termos em que se referiu ao PS merecem o nosso apreço", disse numa entrevista ao jornal online Eco.
José Luís Carneiro espera que este compromisso sobre a revisão constitucional e outras garantias que foram dadas por Luís Montenegro sejam "honradas no decurso do nosso futuro político próximo".
Na mesma entrevista, o secretário-geral socialista ressalvou que a decisão terá que ser aprovada pelos órgãos do partido.
"A minha intenção é propor aos órgãos do PS a abstenção", reiterou.Governo saúda provável abstenção do PS
O ministro de Estado e das Finanças saudou entretanto o anúncio do PS de que deverá abster-se no próximo Orçamento do Estado, dizendo que é "uma decisão muito positiva para o país".
"A decisão do PS é uma decisão muito positiva para o país porque permite estabilidade política mas não invalida que, dentro da margem orçamental relativamente reduzida, ouvirmos e vermos todas as propostas", afirmou Joaquim Miranda Sarmento.
O ministro falava aos jornalistas no Parlamento, após as reuniões com todos os partidos sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2026.Governo avisa que qualquer medida da oposição sem contrapartida pode resultar em défice
O ministro apelou ainda à responsabilidade dos partidos durante a discussão do Orçamento do Estado para 2027, avisando que qualquer medida aprovada sem contrapartida poderá "colocar o país em défice orçamental".
Joaquim Miranda Sarmento recusou quantificar que margem existe para negociações, confirmando que a previsão de excedente para o próximo ano será entre 0,1 e 0,2% do Produto Interno Bruto, como já tinham adiantado os partidos.
Questionado sobre a abertura do Governo para adotar mais medidas para fazer face ao aumento do custo de vida, o ministro não excluiu essa possibilidade, desde que tal não desequilibre as contas públicas.
"Vamos continuar a acompanhar a situação e a tomar medidas em função da gravidade, mas também sempre em função da responsabilidade orçamental", afirmou.
c/ Lusa