Pacheco Pereira aponta interferência de Cavaco

Pacheco Pereira, Pinto Balsemão e o director do jornal "Público" sublinham que a alegada vigilância à Presidência da República não ficou esclarecida com a demissão do assessor de Cavaco Silva. O afastamento de Fernando Lima "não prejudica" o PSD, disse Pinto Balsemão, mas Pacheco Pereira entende que o resultado das eleições de domingo já está comprometido .

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"mais valia agora que dissesse tudo para não acordarmos no dia 28 sabendo coisas que mais valia que fossem conhecidas já", escreveu Pacheco Pereira RTP

O cabeça-de-lista por Santarém às legislativas de domingo considera que a demissão de Fernando Lima por Cavaco Silva constituiu uma interferência do Presidente da República na campanha eleitoral.

Num post intitulado "Interferir por acção e interferir por omissão", publicado esta manhã no blogue "Abrupto", Pacheco Pereira defende: "mais valia agora que dissesse tudo para não acordarmos no dia 28 sabendo coisas que mais valia que fossem conhecidas já".

Desta forma, os novos factos a revelar por Cavaco Silva iriam contar "para a decisão de voto dos portugueses, com cujo resultado final ele já está inevitavelmente comprometido".

A líder do PSD demarcou-se das declarações de Pacheco Pereira, sublinhando que o afastamento do assessor de Cavaco Silva não interfere "numa acção de campanha, porque eu não me deixo condicionar por nada e porque a minha campanha tem por objectivo fundamental esclarecer os portugueses".

Ferreira Leite sublinhou que a campanha do PSD visa esclarecer os eleitores "sobre os problemas gravíssimos que neste momento existem" e garantiu que não vai alterar a sua campanha em nada.

Mais tarde, Pacheco Pereira afirmou não ter "qualquer dúvida" de estar em curso uma campanha para "enfraquecer" Cavaco Silva "que vem em grande parte do PS".

"Não só para que aquilo que venha a dizer possa parecer mais frágil, como para as decisões que possa vir a tomar sejam não de um presidente forte e respeitado por todos os portugueses mas de um presidente alvo de uma campanha política".

Pacheco Pereira apontou os episódios que envolvem o jornal "Público" e o "Jornal Nacional de Sexta" da TVI como exemplos reveladores de que "não há um ambiente sadio na vida política portuguesa".

Os registos da actividade do actual Executivo, como "as actas de reuniões, as referências às audiências, os e-mails e até a contabilidade de almoços e jantares de assessores e ministros, que é matéria de registo público" serão essenciais "para que se possa saber exactamente o que aconteceu". Por isso, Pacheco Pereira diz esperar "que quando este Governo for substituído por outro, esse encontre intactos os registos da actividade governamental".

Balsemão aponta "promíscua aliança entre poder político e poder económico"
"Não vejo porque possa prejudicar o PSD. O Governo não é do PSD e o que está em causa (nas eleições) é o trabalho do primeiro-ministro", sublinhou Balsemão, para quem a demissão de Fernando Lima "não é determinante para o desenvolvimento de Portugal".

Balsemão centra o discurso na economia, que apresenta aspectos "muito mais importantes" e desafios em "vários sectores de actividade". Para o fundador do PSD e presidente do grupo de comunicação social Impresa (que detém, entre outros media, o semanário "Expresso", a revista "Exame" e a estação de televisão SIC), Portugal está "parado e adiado", encontrando-se "numa encruzilhada".

A "asfixia democrática" significa, para Pinto Balsemão, que "os mais poderosos e os mais ricos, numa singular e promíscua aliança entre poder político e poder económico, tudo fazem para que esta iniquidade não seja denunciada, abafando, se necessário, a liberdade de expressão".

"A asfixia social significa que os menos poderosos e menos ricos são mantidos numa posição de injustiça porque a distribuição dos frutos do crescimento económico não os beneficia", acrescentou.

Crítico da política para a comunicação social do Executivo socialista, Pinto Balsemão disse, na abertura da conferência "Portugal em Exame", que "bastaria que as regras do jogo fossem efectivamente cumpridas para que as coisas acontecessem de uma outra forma".

O dono da SIC deu uma entrevista, divulgada ontem pelo jornal Público", em que classifica Santos Silva como "o pior ministro para a comunicação social desde o 25 de Abril". Balsemão opõe-se à publicidade na RTP e sublinha que a televisão pública "devia cumprir com rigor o contrato de concessão em matéria de programação".

Pinto Balsemão considera que o chamado "caso das escutas" e o afastamento de Fernando Lima deverá ser "mais esclarecida", mas nota que Cavaco Silva "prometeu que diria alguma coisa depois das eleições".

Director de "Público" entende que autoridade de Cavaco Silva poderá sair enfraquecida

O director do jornal "Público" escreve que o caso das alegadas suspeitas de vigia à Presidência da República não acabou com a saída de Fernando Lima. No Editorial desta terça-feira, José Manuel Fernandes diz que a saída de Fernando Lima não permite concluiu pela falsidade das suspeitas de vigia à Presidência da República.

O director do Público entende ainda que Cavaco Silva, ao não ter feito de imediato todos os esclarecimentos "colocou-se no olho de uma outra tempestade antes" das eleições de domingo.

"Por isso, das duas, uma: ou a seguir a 27 de Setembro fundamenta as suas suspeitas, e age em conformidade, ou se se limitar a iniciativas pífias terá enfraquecido a sua autoridade como Chefe de Estado".

José Manuel Fernandes sustenta que "ninguém perdoará se se perceber que as suspeitas ou não existiam, ou não tinham fundamento, ou eram simplesmente paranóicas". Escreve ainda que se Cavaco Silva quisesse desmentir o caso, podia tê-lo feito ontem, na altura em que afastou o assessor.

O director do "Público" termina o Editorial com a garantia que a correspondência electrónica do provedor Joaquim Vieira não foi "vasculhada", refutando desta forma as críticas veiculadas no artigo do passado domingo.

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