Pacheco Pereira diz que governo tem "os dias contados"

José Pacheco Pereira, ex-dirigente social-democrata, acredita que o Governo apresentado por Pedro Passos Coelho foi "constituído para ter os dias contados". Na Grande Entrevista da RTP, o académico sustentou que a atual situação política é resultado dos últimos quatro anos de governação.

RTP /
Pacheco Pereira diz que o próprio Governo foi constituído para ter os dias contados. RTP

Para Pacheco Pereira, há apenas uma fratura a analisar tendo em conta os números das últimas eleições: os que votaram a favor da coligação PSD/CDS-PP e os que votaram contra. Esta foi uma das ideias deixadas no programa Grande Entrevista.

Com fortes críticas ao Governo, o ex-dirigente do PSD sublinha que a motivação dos eleitores que votaram no PS, Bloco de Esquerda e PCP "foi toda uma", o que levou à criação de uma coligação negativa. No mesmo sentido, salientou aqui que a atual divisão política não surge de agora, é antes consequência da governação dos últimos quatro anos.

"Esta fratura vem de uma bipolarização que estes quatro anos criaram" e nasceu "na maneira como durante quatro anos a coligação que governou se comportou ela própria também como uma coligação negativa em relação ao conjunto da oposição", destacou.

Pacheco Pereira apontou o dedo à estrutura dirigente do país, que diz ter tratado a oposição "abaixo de cão", não dando "qualquer possibilidade aos partidos da oposição de terem um papel na vida política portuguesa". Esta é, para o também historiador e analista político, uma das razões pelas quais é agora tão difícil o diálogo entre a coligação e o PS.

Refere assim que foi criada uma radicalização "tão grande" que partidos que, em condições normais, não encontrariam pontos de contacto, se unem agora em torno de uma tese comum: o mais importante é impedir que a coligação continue nas rrédeas do poder.

Deste modo, o académico acredita que o PS não irá viabilizar a formação do Executivo apresentado pelo primeiro-ministro. Tanto mais que, sublinha, "o próprio Governo foi constituído já com os dias contados".
Visão de engano
Pacheco Pereira sublinhou ainda que a constituição de um Ministério da Cultura "é uma coisa para inglês ver", não sendo razão suficiente para que o PS aprove o novo Governo.

O historiador diz que esta proposta é o retrato do quem a fez, sendo que, "desta vez, o retrato deste governo é o Ministério da Cultura [que] representa uma visão quase de engano".

Mais, a reinstauração de um Ministério da Cultura "é completamente à revelia do pensamento de Passos Coelho e do pensamento da elite dirigente".

"Quando olhei para aquilo, confesso que me ri. Quando vi o Ministério da Cultura. Porque acho que é o tipo de coisas que mostra uma vontade de nos enganar", apontou.
Tópicos
PUB