Passos abre congresso a dizer que PSD "não é hoje menos social-democrata"

No discurso que deu o tom ao XXXV Congresso do PSD, a decorrer até domingo no Coliseu de Lisboa, Pedro Passos Coelho começou por afiançar aos congressistas que o seu partido “não é hoje menos social-democrata” do que há 40 anos. Expressou ainda “admiração” aos portugueses – sobretudo às “bases” laranjas – pelo que disse ser “a forma como se entregaram a defender o país” nos últimos anos. Responsabilizando, uma vez mais, a anterior governação socialista por um quadro de colapso das contas públicas, o primeiro-ministro alegaria ainda que teve até agora um “único propósito”: “Vencer a crise”.

Carlos Santos Neves, RTP /
O XXXV Congresso do PSD decorre até domingo sob o lema <i>Portugal, acima de tudo!</i> - o título da moção de estratégia global de Pedro Passos Coelho Mário Cruz, Lusa

“O PSD não é hoje menos social-democrata do que nasceu”, sustentou Passos Coelho na noite desta sexta-feira, a partir do púlpito do Coliseu dos Recreios.

“Houve muita gente que no espaço público encontrou maneira ou de nos apelidar de neoliberais ou até, pasme-se, de estalinistas. Mas, nestes dois anos, dedicámos o melhor de nós próprios a procurar salvar Portugal da bancarrota”, acentuou.

Outra das passagens de maior peso político desta primeira intervenção do líder do PSD incidiria sobre a oposição, em particular o PS. Passos acusaria os adversários da coligação de temerem um descalabro eleitoral.
No discurso desta noite, o primeiro-ministro acusou a oposição de estar “zangada com o que se passa no país”: “Porque não só não ajudou a que a nossa recuperação pudesse ser melhor como acha que, se recuperarmos, isso pode ser a sua desgraça eleitoral”.


“Julgo que ninguém tem dúvidas de que estamos melhor, mas pagou-se um preço muito elevado por estarmos melhor”, estimou o governante, para depois se socorrer de argumentos amplamente invocados pelo Executivo desde o início de 2014, ano de eleições europeias – o primeiro teste nas urnas de um ciclo que compreende as legislativas de 2015 e as presidenciais de 2016.

Aludindo ao défice estrutural, que deu por “significativamente” debelado, e aos últimos números do desemprego, que considerou estar “paulatinamente” a recuar, Passos Coelho perguntou: “Porquê, então, esta vontade que, por vezes, no espaço público existe de não reconhecer que estamos melhor?”.

“Não vale a pena ter papas na língua. Se o país estiver melhor, então aqueles homens e mulheres que estão pelo Governo ainda pensam que podem ter a possibilidade, ainda que remota, de ganhar umas eleições, e isso é muito mau para quem está na oposição, porque, depois do que passou, das medidas difíceis que foram tomadas, o que era natural e expectável para a oposição era derrotar o Governo”, contrapôs.
A “ambição” de Passos

Sem abrir mão da convicção ideológica de que o país teria a ganhar com uma outra Constituição da República, Pedro Passos Coelho tratou de adiar sine die a abertura de um debate formal em redor de uma revisão da Lei Fundamental do país.

“Lutámos muito para que pudéssemos ter uma Constituição melhor e conseguimos ter uma Constituição melhor. Ainda não temos a Constituição que, do nosso ponto de vista, mais se ajustava às nossas necessidades de hoje, mas fiquem descansados: é mais importante hoje recuperar economicamente e socialmente o país do que iniciar um debate constitucional”, vincou.


Foto: Mário Cruz, Lusa

Mais à frente, a culminar o primeiro discurso ao Congresso, o chefe do Governo de coligação confessaria ter a “ambição” de conservar as rédeas do poder executivo. Ou, nas suas palavras, “continuar a guiar os destinos do país nos próximos anos”.

“Tenho muito orgulho no meu partido, tenho a consciência tranquila de, como primeiro-ministro, pela vontade do país e pela vossa vontade, estar a cumprir uma missão que o país necessita seja bem sucedida”, clamou.

“Acredito que nestes dois dias de Congresso que temos à nossa frente saberemos mostrar ao país que não foi um acaso termos conseguido chegar onde chegámos e não será um acaso acalentarmos a ambição de poder continuar a guiar os destinos do país nos anos próximos em que o país ainda precisa de nós”, concluiu.

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