Passos Coelho avisa Montenegro que o tempo para fazer reformas "está a esgotar-se"

Passos Coelho avisa Montenegro que o tempo para fazer reformas "está a esgotar-se"

O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho assina o prefácio do livro de Pedro Gomes Sanches onde deixa avisos e desafios a Luís Montenegro. Paralelamente, Coelho está a trabalhar num estudo sobre a economia portuguesa que deverá ser entregue ao Governo no final do ano.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Tiago Petinga - Lusa

O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho avisa Luís Montenegro que o tempo do governo para fazer reformas está a esgotar-se.

O aviso segue em forma de prefácio num livro intitulado “Portugal na Paz dos Bloqueios”, de Pedro Gomes Sanches, que será apresentado no início de outubro.

O jornal Expresso teve acesso ao texto de Pedro Passos Coelho em que o antigo governante defende que Portugal continua preso a entraves que lhe limitam o crescimento e a competitividade.

O ex-primeiro- ministro diz que Montenegro não pode perder tempo com medo de “hipotecar apoios” futuros e avisa que “esse tempo, que tem vindo a ser esticado em razão da fragilidade eleitoral dos governos e do seu escasso apoio parlamentar, está a esgotar-se”.


“Os três anos de legislatura que tem pela frente não devem ser desperdiçados a lamentar o que ficou pelo caminho”, diz, dando alguns exemplos de reformas: pensar em novas formas de financiamento da Segurança Social, aumento da produtividade e competitividade da economia, saúde, educação e habitação e “reforma do Estado”.

Passos desafia Montenegro a não se limitar a “resistir no dia a dia à fragilidade do apoio parlamentar”.

Nos últimos meses, em várias intervenções, o antigo líder do PSD tem pedido mais rapidez na ação do governo. O novo prefácio vem reforçar a pressão sobre o executivo liderado por Montenegro para avançar com reformas estruturais antes que a oportunidade política se perca.
Baixa produtividade trava economia
Paralelamente, Pedro Passos Coelho assina um estudo sobre os bloqueios da economia, que está a coordenar em parceria com o socialista Sérgio Sousa Pinto e com o presidente da Associação Comercial do Porto, Nuno Botelho.

O estudo “Bloqueios versus Reformas: uma visão para Portugal”, cuja apresentação pública está agendada para o final do ano, procura responder a uma questão central: por que razão Portugal tem crescido pouco, perdeu posição relativa na União Europeia e continua sem convergir de forma sustentada com as economias mais desenvolvidas?

“A principal conclusão preliminar é que Portugal não enfrenta apenas um problema isolado”, assinalou a ACP-CCIP (Associação Comercial do Porto - Câmara de Comércio e Indústria do Porto), em comunicado.

Existem vários bloqueios que se reforçam mutuamente e que ajudam a explicar uma espécie de equilíbrio de baixo crescimento. No entanto, a baixa produtividade é apontada como o principal entrave ao crescimento da economia portuguesa.

“O problema central está na produtividade: mesmo nos períodos de maior crescimento recente, este resultou sobretudo do aumento do emprego e não de ganhos expressivos de produtividade”, refere a ACP-CCIP. O estudo identificou bloqueios em áreas como capital humano e qualidade da gestão, investimento e inovação, escala empresarial, especialização produtiva, poupança e financiamento, bem como no funcionamento do Estado e das instituições.

Centralismo, burocracia, fiscalidade, morosidade da justiça, dificuldades na habitação e barreiras regulamentares são alguns dos fatores que condicionam a mobilidade dos recursos, o investimento e a capacidade de crescimento, apontou.

A segunda etapa do estudo procurará identificar reformas capazes de alterar os incentivos que condicionam a afetação de trabalho, capital, poupança, investimento e recursos públicos.

O objetivo é contribuir para que Portugal cresça de forma sustentada, crie melhores empregos, pague melhores salários, retenha talento, financie o Estado social e proporcione aos portugueses um nível de vida mais elevado.

Este estudo será, depois, entregue ao Presidente da República e ao Governo liderado por Luís Montenegro.

c/Lusa
PUB