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Os danos e a evolução do estado do tempo

Passos critica resposta do Estado mas não dá conselhos a quem não lhos pede

Passos critica resposta do Estado mas não dá conselhos a quem não lhos pede

O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho criticou hoje falhas na atuação do Estado, em particular na resposta às tempestades, considerando que transparecem na escolha de alguns responsáveis, mas frisou que não dá conselhos a quem não lhos pede.

Lusa /

À saída da sessão de lançamento do livro "Lideranças intermédias na Transformação dos Serviços Públicos", de Damasceno Dias, em Lisboa, Passos Coelho disse aos jornalistas que, ultrapassada a fase de resposta imediata às tempestades, será necessário fazer uma avaliação "sobre a maneira como o Estado está organizado", em particular no que respeita às suas "funções regulatórias".

"É patente que o Estado não exerce essa função regulatória adequadamente", sustentou, acrescentando que há privados a desempenhar essas funções sem que o Estado cumpra a sua "função reguladora e fiscalizadora" para garantir "que as obrigações de serviço público estão garantidas".

Pedro Passos Coelho considerou que "algumas vezes" os privados não cumprem as funções que lhes são confiadas pelo Estado, "infelizmente em momentos que são importantes e decisivos para a vida das pessoas", apontando também falhas de financiamento e de investimento nos serviços públicos.

Para o antigo primeiro-ministro, "os serviços não estão adequadamente financiados, não houve investimento suficiente para que eles possam desempenhar no longo prazo a sua missão", mesmo num tempo em que "há meios para o poder fazer" e não se está como em 2010, 2011 ou 2012 em que não havia "um tostão para poder investir".

"Não é nesta tragédia em particular. Há um conjunto diversificado (...) de situações em que o Estado falha, em que as pessoas sentem que o Estado não está onde devia estar, e isso não é uma coisa que se resolva de um dia para o outro", argumentou.

Passos Coelho defendeu que as falhas do Estado não se limitam ao atual episódio de mau tempo, mas a um conjunto de situações em que as "pessoas sentem que o Estado não está onde devia estar", em que a falta de resposta demora anos a notar-se, porém é visível no desinvestimento a longo prazo e "na escolha das pessoas competentes para tratar dos serviços".

O antigo líder do PSD não especificou falhas, nem visou responsáveis em particular, sublinhando apenas, questionado sobre se estaria a falar da ministra da Administração Interna demissionária, que a constituição do Governo compete ao primeiro-ministro e que não se vai "colocar nos sapatos dos outros e dizer o que têm de fazer".

Questionado sobre que conselho daria ao primeiro-ministro na escolha para a pasta da Administração Interna, Pedro Passos Coelho disse que não os dá a quem não lhos pede.

"Sou muito relutante em dar conselhos, até a quem mos pede, quanto mais a quem não mos pede", rematou, sem responder a mais perguntas.

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