Passos só admite regresso à vida política se PSD "não for bem-sucedido"

Passos só admite regresso à vida política se PSD "não for bem-sucedido"

O antigo primeiro-ministro Passos Coelho admitiu hoje ponderar um regresso à vida política se o PSD "não for bem-sucedido" na governação, insistindo que partido "tinha obrigação" de explorar um acordo de legislatura com Chega e IL.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Manuel Coelho - Lusa

"Se eu tivesse de equacionar um regresso à política ativa, tinha de corresponder à ideia de que eu tinha a obrigação e a possibilidade de fazer alguma coisa de diferente que não está a ser feito", afirmou Pedro Passos Coelho em entrevista à SIC-Notícias, conduzida por Maria João Avillez.

O antigo primeiro-ministro disse ainda ter a expectativa de que o PSD possa vir a ser "bem-sucedido" na governação e que possa sair do que classificou como "armadilha política imensa" de fazer acordos ora com o PS com o Chega, considerando que tal impede o executivo de fazer reformas mais profundas.

"Se eu tivesse de equacionar uma possibilidade dessas, teria de corresponder a uma situação em que o PSD, visivelmente, não tivesse a possibilidade de entregar um resultado satisfatório, de fazer aquilo que o país precisa e eu achar que o poderia fazer. E se isso vier a acontecer, eu ponderarei e tomarei a iniciativa, se for caso disso", assegurou.

Na entrevista, reiterou que "nesta altura, não está candidato a nada", e insistiu na ideia de que, no início da legislatura, o PSD "tinha a obrigação" de ter tentado um acordo com Chega e IL para governar durante quatro anos, salientando que os três partidos somaram mais de 60% dos votos nas últimas eleições.

"Se no fim de todo este período não for possível a estas três forças políticas apresentarem um suporte mínimo para reformas importantes que o país precisa de fazer, eu julgo que todos eles serão penalizados. Uns mais do que outros, mas todos eles serão penalizados", alertou, defendendo que a iniciativa deveria caber ao PSD, o partido mais votado.

Questionado sobre o líder do Chega, Passos Coelho considerou que André Ventura tem "bastante mérito" e tem demonstrado uma "iniciativa notável" e, apesar de criticar ideias deste partido como a baixa da idade da reforma, avisou para os perigos de o desresponsabilizar.

"Quanto mais se deixe o Chega fora de qualquer solução, mais provável é que o Chega se sinta muito à vontade para não ser testado nas ideias que está a defender. E para ganhar as eleições", alertou.

 

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