Paulo Mota Pinto (PSD) acusa Governo de "insuficiência de propostas reformistas"

Paulo Mota Pinto (PSD) acusa Governo de "insuficiência de propostas reformistas"

O antigo líder parlamentar do PSD Paulo Mota Pinto acusou hoje o Governo de "insuficiência de propostas reformistas" e considerou que tem havido uma "gestão do quotidiano", defendendo que a AD deve propor reformas mesmo sem maioria no parlamento.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Num painel sobre "Reformar o país" da conferência inaugural do Instituto Progresso - que partilhou com o ex-governador do Banco de Portugal Mário Centeno -- Paulo Mota Pinto assumiu que atualmente é difícil passar reformas no parlamento porque "não há sequer uma maioria que suporte o Governo".

"Mas isso não dispensa o Governo de as propor e de confrontar a oposição com a sua responsabilidade. Assumir uma atitude de gestão do quotidiano é algo que não é uma atitude reformista", criticou.

Questionado se concordava com as recentes palavras do antigo primeiro-ministro do PSD Pedro Passos Coelho que defendeu que o atual Governo devia seguir a tradição reformista do partido, o antigo dirigente e líder parlamentar social-democrata respondeu: "sim, eu concordo com isso".

"Eu concordo com que tem havido uma insuficiência de propostas reformistas. Houve a reforma laboral que não se conseguiu, mas penso que o Governo devia fazer mais nesse sentido", insistiu.

Paulo Mota Pinto recordou ainda o período em que era da direção do ex-líder do PSD Rui Rio e António Costa liderava o Governo do PS.

"Fiz parte da direção de um partido que propôs um pacto para a Justiça, propôs um conjunto de reformas, mas havia maioria absoluta na altura do Partido Socialista e não foi possível fazer nada, ou muito pouco", apontou.

Presidido pelo deputado do PS Miguel Costa Matos, o Instituto Progresso foi lançado no final de agosto e reúne progressistas do centro à esquerda, com o objetivo de ser um "tubo de ensaio" para pensar e testar políticas públicas, através de experiências-piloto no terreno.

Hoje, na conferência inaugural que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, estiveram ainda nomes como os ex-ministros do PS Maria Manuel Leitão Marques, Eduardo Cabrita, Ana Catarina Mendes ou ainda a ex-candidata a Presidente da República Ana Gomes, os socialistas Álvaro Beleza ou Pedro Costa e os deputado António Mendonça Mendes (PS) e Paulo Muacho (Livre).

 Paulo Mota Pinto exerceu funções de presidente da Mesa do Congresso e Conselho Nacional do PSD durante toda a liderança de Rui Rio (2018-2022), de vice-presidente do PSD sob a liderança de Manuela Ferreira Leite e foi deputado na XI e XII legislaturas, além da atual.

Em abril de 2022, (quando já era certa a saída de Rio, mas Luís Montenegro ainda não tinha sido eleito presidente do PSD), Mota Pinto foi candidato único à liderança parlamentar social-democrata,

Menos de três meses depois, em 30 de junho de 2022, um dia antes do início do Congresso do PSD que consagrou a nova direção, Paulo Mota Pinto anunciou que iria convocar eleições antecipadas para a direção da bancada por ter sido informado por Luís Montenegro que pretendia mudar a liderança do grupo parlamentar.

Tópicos
PUB