Paulo Raimundo defende apoios a fundo perdido e alerta para devastação no setor agrícola
O secretário-geral do PCP defendeu hoje que o Governo deve avançar com apoios a fundo perdido para os produtores agrícolas afetados pelas tempestades do último mês, alertando para a devastação deixada no setor e para a insuficiência das medidas já anunciadas.
Após uma visita à Lusaflora, iniciativa do setor ornamental a decorrer no Centro Nacional de Exposições, em Santarém, Paulo Raimundo afirmou que o setor agrícola, em particular a floricultura, que emprega cerca de 5.000 pessoas e representa 600 milhões de euros anuais, enfrenta perdas significativas, com estufas e produções "completamente destruídas".
"Falámos com pequenos produtores que perderam tudo. Um mês após as tempestades, é preciso que as ajudas cheguem rapidamente e que se decida se há ou não condições para continuar a produzir", disse.
O dirigente comunista sublinhou que a resposta do Governo "não pode passar apenas por novas linhas de crédito", considerando essencial a existência de apoios diretos.
"Um Governo que opta por dar dinheiro a fundo perdido aos grandes grupos económicos deve também fazê-lo para recuperar produções nacionais e postos de trabalho."
Questionado sobre os 40 milhões de euros anunciados pelo Governo e o recurso à reserva de crise da União Europeia para fazer face aos prejuízos no setor agrícola, o secretário geral do PCP classificou-os como insuficientes.
"É fazer as contas, o que falta é muito", afirmou, acrescentando que há produtores que "ainda hoje pagam empréstimos contraídos após a tempestade Leslie" e outros que "não sabem se vão receber apoios relativos aos incêndios".
Sobre o Plano de Transformação e Resiliência para Reconstrução (PTRR) apresentado pelo Governo após as tempestades, o secretário-geral comunista afirmou que existe até agora "um anúncio, mas não medidas concretas".
"Da reunião com o primeiro-ministro não saiu nenhuma clarificação. O que ouvimos ontem foi pouco mais do que o que já tinha sido anunciado", disse.
Paulo Raimundo defendeu ainda que o Governo deve fazer "opções políticas de fundo", deixando de estar "amarrado aos constrangimentos da União Europeia" e evitando "transferir recursos públicos para grupos económicos".
Sobre um eventual impacto que o PTRR pode ter no défice ou na dívida, o líder comunista afirmou que os cortes devem incidir em benefícios fiscais para grandes empresas, parcerias público-privadas e "transferências de meios do Serviço Nacional de Saúde para grupos privados".
"Cortes na vida das pessoas é que não podem existir. Estamos no limite", afirmou.
Raimundo aproveitou ainda a ocasião para criticar criticou a auditoria anunciada pelo governo às infraestruturas da rede rodoviária e ferroviária nacional, na sequência dos fenómenos meteorológicos extremos registados nos últimos dias., pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)
"Com menos 300 trabalhadores do que há 20 anos e alvo de um processo de desmantelamento, não é possível pedir ao LNEC aquilo que o próprio Governo tem destruído."
Sobre a nomeação do novo ministro da Administração Interna, Luís Neves, Paulo Raimundo afirmou que o PCP "não personaliza debates políticos", sublinhando que o que está em causa "não é a pessoa, mas a política".
"Se a opção política for a continuação da linha deste Governo, o país estaria melhor servido se continuasse como diretor nacional da Polícia Judiciária", afirmou.