PCP considera medidas do Governo "positivas, mas pontuais"
Lisboa, 18 Mar (Lusa) - O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou "positivas, mas pontuais" as medidas de apoio às famílias hoje anunciadas pelo Governo e defendeu "propostas de fundo" nomeadamente quanto ao subsídio de desemprego e segurança social.
"São medidas de carácter positivo e pontual, algumas tardias", considerou o deputado comunista, durante a sua intervenção no debate quinzenal na Assembleia da República, dedicado ao tema dos "apoios às famílias".
"Senhor primeiro-ministro, quem o ouvir falar percebe por que é que não entende as razões da revolta e do descontentamento daqueles 200 mil manifestantes que livre e conscientemente se manifestaram [sexta-feira passada] numa das maiores acções de sempre do pós-25 de Abril. Não estava cá, não viu", disse.
Para o secretário-geral do PCP, "o Estado não deve definir como prioritário agir sobre a pobreza, mas evitá-la".
Jerónimo de Sousa perguntou a Sócrates "porque é que insiste em ser contra a proposta do PCP de alterar os critérios de atribuição do subsídio de desemprego, condenando milhares de jovens?".
"O senhor primeiro-ministro nunca explicou porque é que a reforma da Segurança Social exigiu sacrifício a uma parte, porque é que foram os reformados e os trabalhadores por conta de outrem a pagar estas alterações", defendeu Jerónimo de Sousa, para quem "este Governo nivelou por baixo".
"Não venha só apresentar medidas pontuais. Reflicta sobre estas propostas de fundo e vai ver que aqueles 200 mil manifestantes vão ter outra opinião", sustentou.
O primeiro-ministro defendeu que a Segurança Social estava "à beira da ruptura" e a reforma permitiu "garantir o sistema público".
"Quem é irresponsável é quem não foi capaz de reconhecer que se nada fosse feito, ao fim de dez anos teríamos a Segurança Social à beira da ruptura", afirmou Sócrates, que destacou que a alteração "honra a esquerda que não quer estar paralisada, à altura dos tempos, e que quer fazer com que o Estado social seja válido hoje e no futuro".
Quanto ao subsídio de desemprego, o primeiro-ministro referiu que as novas regras tiveram o acordo da concertação social.
"Toda a esquerda deveria ter bem ciente que as regras são essenciais para a credibilidade e não há nada pior que os abusos", referiu.
O primeiro-ministro recordou "três mudanças fundamentais" realizadas pelo Governo: a igualdade da idade da reforma nos sectores público e privado, o cálculo da pensão em função da carreira contributiva e "uma Segurança Social que tem em conta a esperança de vida, e que dá as opções de trabalhar mais um pouco ou descontar menos".
"Nunca vi uma resposta adequada do PCP à mudança da idade da reforma. É justo ou não? É a favor ou contra o Estado social? Eu sei que tem vergonha de responder", disse Sócrates, dirigindo-se a Jerónimo de Sousa.