PCP diz que ministro da Administração Interna tem muitas explicações para dar

PCP diz que ministro da Administração Interna tem muitas explicações para dar

Questionado pelos jornalistas no segundo dia da Festa do Avante!, o secretário-geral do PCP não revelou o sentido de voto dos comunistas na moção de censura, adiantando que o problema "deixou de ser do ministro Luís Neves, passou a ser de todo o Governo".

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Manuel de Almeida - Lusa

O secretário-geral do PCP considerou hoje que o Governo "deixou-se arrastar" pelas polémicas em torno do ministro da Administração Interna e disse que Luís Neves tem muitas explicações para dar.

"Nós há muito tempo que dizemos que o problema hoje já não é um problema do ministro Luís Neves, é um problema do Governo, o Governo deixou-se arrastar para este processo, e portanto a responsabilidade deixou de ser do ministro Luís Neves, passou a ser de todo o Governo, e portanto precisará de conclusões desse processo", afirmou, considerando que "algo tem que ser feito".

Paulo Raimundo falava aos jornalistas durante o segundo dia da Festa do Avante!, que marca a rentrée do PCP e decorre até domingo na Quinta da Atalaia, no Seixal (distrito de Setúbal).

Na ocasião, o secretário-geral do PCP foi questionado novamente como é que o partido vai votar na terça-feira a moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega, e disse que a decisão está tomada, mas recusou avançar essa informação durante a Festa do Avante!.

"Era só o que faltava a Festa do Avante!, com esta dimensão solidária, com esta capacidade de mobilização, com esta energia, com esta confiança, com este empenho num novo rumo para Portugal, ser condicionada à agenda de outros", salientou.

Paulo Raimundo voltou a criticar a iniciativa do Chega por ser centrada nas polémicas que envolvem Luís Neves e não a política do Governo.

"Independentemente das explicações que o ministro tem que dar e tem que dar, e muitas, convenhamos que o problema do Governo e o problema das nossas vidas não é apenas aquele ministro [...] Portanto, nós temos que avaliar o conteúdo, mas também temos que avaliar a forma", afirmou.

Raimundo disse que "o Governo, a sua política, merece censura" mas recusou alimentar "a demagogia, o folclore do Chega".

O líder comunista voltou a dizer que o PCP admite apresentar também uma moção de censura ao Governo porque "é preciso travar a política que está em curso o mais depressa possível, e para isso é preciso travar o Governo".

"É preciso travar o Governo e a sua política, e temos vários instrumentos ao nosso dispor, desde logo, a força, a ação, a mobilização, a luta de massas, para dar dimensão social a essa exigência. E depois temos os instrumentos legislativos, nomeadamente a moção de censura, do qual não vamos abdicar, e do qual vamos recorrer se entendermos, quando entendermos e quando acharmos que é o tempo mais conveniente", indicou.

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