PCP e BE atribuem “desastre económico” a socialistas e sociais-democratas
O Partido Comunista e o Bloco de Esquerda têm em marcha ataques direccionados a socialistas e sociais-democratas. Jerónimo de Sousa denuncia a tentativa de "esconder a sucessiva responsabilidade" de PS e PSD pela situação do país, ao passo que Francisco Louçã acusa Manuela Ferreira Leite de "irresponsabilidade completa" e o Governo de agravar a "crise social".
Foi na apresentação das listas do Bloco de Esquerda para as eleições legislativas, em Lisboa, que Francisco Louçã atribuiu a mesma medida de "irresponsabilidade" a José Sócrates e Manuela Ferreira Leite. O primeiro, afirmou o dirigente bloquista, chefia um Executivo que "deita dinheiro sobre a crise e não responde ao desemprego"; a segunda revela "uma irresponsabilidade completa" ao encarar a crise como um "abanãozinho de terras".
"Manuela Ferreira Leite diz que isto tudo é uma brincadeira, um acontecimento insignificante. Estão totalmente enganados, não conhecem o país, não respondem ao país. Há um desastre económico que afecta milhões de pobres", condenou Francisco Louçã, que volta a encabeçar a lista do Bloco de Esquerda pelo círculo de Lisboa.
Louçã partiu, então, para novo ataque ao comportamento do Governo no âmbito das negociações entre a Portugal Telecom e a Media Capital, detentora da estação TVI. O caso, sustentou, ilustra a degradação da decisão política" em Portugal, uma vez que ficou "totalmente claro que o Governo conhecia inteiramente a operação e que o primeiro-ministro faltou à verdade ao Parlamento ao procurar ocultar o interesse próprio do Governo".
"Não há nenhum outro campo em que a degradação seja mais evidente do que nas políticas sociais e económicas. E é sobre economia, economia e economia que o BE vai disputar as eleições", frisou Francisco Louçã.
O Bloco promete apresentar, até ao final da próxima semana, um "programa de governo" com uma "alternativa de liderança". Segundo Francisco Louçã, "a sucessão de escândalos e confusões que tem sido o mote fundamental da governação Sócrates ao longo dos últimos meses, a sua derrota nas eleições europeias e a crise social gravíssima que se arrasta de há dois anos para cá exige essa alternativa".
PCP contra "ciclo vicioso" da bipolarização
A noite política de sábado ficou ainda marcada pelo ataque dos comunistas à "política de direita conduzida não apenas pelo PS, mas também pelo PSD e pelo CDS". A ofensiva partiu do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, para quem se impõe pôr termo "ao ciclo vicioso que se instalou na sociedade portuguesa de vira o disco e toca o mesmo".
"A grande batalha das próximas eleições passa por terminar com este ciclo vicioso de alternância sem alternativa, que está na origem do crescente descrédito dos portugueses para com os políticos", advogou Jerónimo de Sousa durante a apresentação de Agostinho Lopes como cabeça-de-lista da CDU pelo círculo de Braga.
O secretário-geral do PCP acusa PS e PSD de pretenderem "impor um falso dilema, alimentando uma bipolarização artificial que só pode acabar com um substancial reforço da votação na CDU". Para Jerónimo de Sousa, "não há alternativa que não passe" pela coligação entre os comunistas e o Partido Ecologista "Os Verdes". E "pela consequente redução conjunta da influência do sistema de bipolarização, que não é mais do que um salvo-conduto que permite passar do PSD para o PS e vice-versa o testemunho essencial da política de direita".
Quanto a Manuela Ferreira Leite, Jerónimo de Sousa critica o que diz ser a tentativa de apresentar o PSD como um partido "impoluto e com o conta-quilómetros a zero, como se nada tivesse a ver com a condução da governação do país".
"São mistificações que têm na empolada personalização da vida política o principal instrumento de desresponsabilização dos partidos, como mais uma vez acontece com o PSD e Manuela Ferreira Leite, que fala como se nada tivesse a ver com a situação de crise e de desastre nacional a que se chegou", rematou o dirigente comunista.