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PSD e PS medem forças em tom de campanha eleitoral

PSD e PS medem forças em tom de campanha eleitoral

A definição do calendário eleitoral, consumada com a marcação das legislativas para 27 de Setembro, deu lugar a um tanger dos tambores de guerra entre as forças que disputam o centro. José Sócrates propõe a criação anual de milhares de estágios e ataca o "Estado mínimo" da direita, enquanto Manuela Ferreira Leite garante que o PSD "vai entrar numa luta para ganhar tudo".

RTP /
Sócrates quer mais um "sistema de estágios" na Administração Pública, enquanto Ferreira Leite insiste na "verdade" Luís Forra, Lusa

Está em marcha o combate pelo poder executivo. A três meses das eleições legislativas, as cúpulas de PSD e PS propõe-se o mesmo objectivo: convencer o eleitorado português a sufragar um discurso subordinado à "verdade", nas palavras de Manuela Ferreira Leite, ou o desígnio de "um país que quer avançar", nas palavras de José Sócrates.

Se o secretário-geral socialista propõe a instituição de uma bolsa anual de cinco mil estágios na Administração Pública, uma medida definida como imperativo do Estado, a presidente social-democrata estende às eleições legislativas uma directiva para que os candidatos às autárquicas de 11 de Outubro "falem só verdade às populações".

Direita na mira de Sócrates
Conhecida a data escolhida por Cavaco Silva para a eleição do Parlamento, que deixou o partido de Ferreira Leite isolado nas críticas ao que diz ser uma solução despesista e potenciadora da abstenção, Sócrates rumou ontem ao Parque das Nações, em Lisboa, para falar aos jovens numa sessão do Fórum Novas Fronteiras. Ao ataque à estratégia da direita, com o PSD no centro do alvo, o primeiro-ministro somou a ideia de "um sistema de estágios" na Administração Pública.

Para o secretário-geral do PS, "o programa político da direita" apresenta-se "mais claro". Passa, segundo José Sócrates, pelos verbos "adiar e suspender", mas também "rasgar e retroceder".

"Rasgar significa eliminar aquilo que foram as políticas de modernização que introduzimos no país, mas também significa retroceder nas políticas sociais em nome daquilo que é o velho chavão ideológico da direita portuguesa, a ideia do Estado mínimo, a ideia em que qualquer área em que o Estado se meta é um empecilho, um fardo", sustentou.

Sem citar directamente o programa de investimentos públicos preconizado pelo Governo socialista, José Sócrates acusou as forças à direita de se limitarem a listar "aquilo com que querem acabar injustamente": "Quem faz de um programa político uma negação, apenas um exercício de negativismo, de pessimismo e descrença, esse alguém não está a servir o país".

Perante os cerca de 700 jovens reunidos pela máquina socialista, Sócrates faria depois a primeira promessa desenhada para as legislativas, ao propor a criação de cinco mil estágios por ano na Administração Pública enquanto "ideia inspiradora para um país que dá mais oportunidades aos jovens". Adiante deixaria o compromisso de inscrever no programa socialista medidas em defesa da "mobilidade dos estudantes no ensino superior".

PSD vai à luta "para ganhar tudo"

A Sul, no Algarve, a líder do PSD voltou a colocar a ênfase no imperativo da "verdade" para os actos eleitorais que se avizinham. Eleições que, por se realizarem em "datas muito próximas", vão "arrastar-se umas às outras".

"Estas duas eleições, ao serem muito próximas umas das outras, vão com certeza mobilizar todos nós e temos consciência de que elas se vão arrastar umas às outras", vincou Manuela Ferreira Leite em Lagoa, no cair do pano sobre a convenção regional autárquica do PSD-Algarve.

Numa intervenção destinada aos candidatos sociais-democratas para os órgãos de poder autárquico, mas extensível à lista do partido para a Assembleia da República, a líder do PSD pediu que "falem só a verdade às populações".

"A força dos autarcas é essencial para as populações, mas é essencial para o país, porque a força dos autarcas sociais-democratas no país não vai deixar, com certeza, de arrastar aquilo que é a necessidade de mudança do Governo de Portugal", propugnou Ferreira Leite. Impõe-se, segundo a líder do PSD, que os candidatos "falem só a verdade às populações".

O país, reiterou Manuela Ferreira Leite, atravessa uma "fase difícil e complexa", pelo que as eleições são "um instrumento que permite perspectivar uma vida melhor para os portugueses". Quanto ao PSD, a líder foi peremptória: "Vai entrar numa luta para ganhar tudo".

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