PCP exige ao Governo que use capacidade diplomática para ajudar Cuba
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, exigiu hoje ao Governo que utilize a sua capacidade diplomática para ajudar a levantar o "bloqueio criminoso" dos Estados Unidos da América a Cuba.
No segundo dia da Festa do Avante!, que marca a rentrée comunista, foi assinalado um momento de solidariedade com Cuba, junto ao espaço internacional.
"Aqui estamos num ato de solidariedade com Cuba, com esse povo heroico que resiste, com essa revolução socialista, com essa pátria de Fidel Castro, que há 67 anos está imposta sob um bloqueio criminoso, um bloqueio que acentuou neste momento, que está a impedir o acesso à energia, que está a impedir o acesso a combustíveis, que está a impedir o acesso a medicamentos, que está a impedir o acesso a alimentos", disse Paulo Raimundo.
O secretário-geral do PCP disse que existem "sete mil contentores de bens essenciais, medicamentos, de alimentos, que estão bloqueados em vários portos desse mundo e que não podem entrar em Cuba" e apelou à ação do Estado português para ajudar esses bens a chegarem ao destino.
"Era preciso que o Governo português, com a sua autoridade, com a sua capacidade, com a sua experiência altíssima de diplomacia, pudesse, no mínimo, fazer tudo o que está ao alcance do ponto de vista diplomático para que se desbloqueasse nessa situação. Um esforço do ponto de vista diplomático. Não estou a exigir que o Estado português declare guerra aos Estados Unidos por causa disso, não é nada disso, mas que pegasse nessa capacidade diplomática para poder desbloquear essa questão", apelou.
Paulo Raimundo saudou "a postura do Governo português quando se associou à imensa maioria dos povos do mundo para condenar o bloqueio na ONU" e também por "não abdicar das relações diplomáticas com Cuba".
No entanto, alertou que "as intenções só por si não resolvem" e é preciso "fazer mais", defendendo que "era bom que o povo português se levantasse também para exigir que se fizesse mais".
Raimundo, que visitou Cuba em meados de agosto, disse ter visto de perto as "grandes dificuldades" que afetam o povo cubano.
"Não estive lá de um ponto de vista privilegiado, estive lá com o povo cubano, nas comemorações, que nos orgulham muito, do centenário de Fidel Castro. Estive lá a viver aquela vivência e portanto, as privações foram as mesmas", indicou.
E disse ter visto como aquele "povo heroico está a responder com criatividade, com força, com uma destreza e uma coragem enormíssima".
Raimundo defendeu também que "Cuba não tem que explicar nada a ninguém, quem tem que explicar são os agressores que não conseguem resolver nenhum dos problemas nos seus próprios países".
Na ocasião, o líder comunista foi questionado pelos jornalistas sobre a polémica pelo convite à Frente Popular para a Libertação da Palestina, organização considerada terrorista pela União Europeia, mas que acabou por não marcar presença por não ter "reunido condições".
Paulo Raimundo disse que a Festa do Avante! "nunca deixou de prestar a solidariedade com os povos oprimidos".
"Aqui estão representados os oprimidos, não estão representados os opressores", salientou, afirmando que "era só o que faltava" o partido "vergar-se aos porta-vozes do horror e do genocídio que está em curso na Palestina pelas mãos de Israel".
O bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos à ilha de 9,4 milhões de habitantes o agravou a crise energética já existente e provoca regularmente longos cortes de energia.
A ilha enfrenta agora um colapso no setor do turismo, uma das suas principais fontes de rendimento.