Pedro Passos Coelho estreia-se em Bruxelas

Pedro Passos Coelho participa em Bruxelas, pela primeira vez, numa reunião dos chefes de Estado e Governo da União Europeia que irá discutir os últimos desenvolvimentos da crise grega. O novo primeiro-ministro português vai ter que provar que Portugal é diferente da Grécia e que o país está disposto a fazer sacrifícios para cumprir o acordo com a Troika.

RTP /
Pedro Passos Coelho foi recebido em Bruxelas pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso Georges Boulougouris, Lusa

A intervenção de Pedro Passos Coelho, que tomou posse na passada terça-feira como primeiro-ministro, será feita durante o jantar de trabalho que os 27 têm previsto a partir das 20h00 (19h00 de Lisboa) e em que um dos temas a tratar é precisamente os "desenvolvimentos mais recentes" na Zona Euro.

Ao contrário da Grécia, Portugal e Irlanda, países que também beneficiam de mecanismos de resgate financeiro são vistos como estando "no bom caminho". No entanto, Atenas continua a preocupar os europeus e também os mercados financeiros que receiam que o país esteja perto de uma situação de bancarrota.

Situação da Grécia domina reunião A situação grega deverá ocupar uma parte importante do jantar de hoje, esperando-se que os líderes europeus incentivem o primeiro-ministro grego, George Papandreou, a prosseguir com o pacote de medidas para reformar a economia do país, principalmente o programa de privatizações.

Antes de atribuir à Grécia mais 12 mil milhões de fundos de resgate para evitar que a Grécia vá à bancarrota, os credores exigem o aumento de receitas, que deverá ser feito através de novos impostos e de cortes orçamentais, para além de 50 mil milhões de euros resultantes de um programa de privatizações.

O Conselho Europeu deverá também "confirmar o acordo" sobre a nomeação do italiano Mario Draghi como próximo presidente do BCE que irá substituir Jean-Claude Trichet cujo mandato no cargo termina em outubro próximo.

Os líderes europeus deverão ainda concordar que as negociações de adesão à UE da Croácia que devem estar concluídas no final do corrente mês e indicar que o Tratado de adesão com este país deve ser assinado até ao final do ano.

Este Conselho Europeu marca os últimos dias da presidência húngara da União Europeia que a partir de 1 de julho é substituída pela Polónia nessa tarefa.

Reunião com Durão Barroso
Antes de participar no Conselho Europeu, o primeiro-ministro português, que chegou a Bruxelas ao final da manhã, reuniu-se com José Manuel Durão Barroso na sede da Comissão Europeia.

Após a reunião, o presidente da Comissão Europeia disse que o executivo comunitário está "aberto" à reprogramação de alguns dos fundos estruturais para Portugal, caso o Governo português assim o solicite.

"Se o Governo português quiser propor a reprogramação de alguns dos fundos estruturais, nós, na Comissão Europeia, estamos abertos a essa reprogramação, de forma a complementar os esforços que estão a ser feitos de um ponto de vista macroeconómico", declarou Durão Barroso.

"Se pudermos, através dos fundos estruturais, dar alguma ajuda para o relançar do crescimento, com certeza que o faremos. E se o Governo português também quiser algum apoio de assistência técnica em termos de destacamento de alguns dos nossos peritos nalgumas áreas, com certeza que poderemos encarar essa hipótese” disse, acrescentando que algumas dessas possibilidades já estão a ser alvo de discussões concretas.

Barroso: "O objetivo é o crescimento"O presidente da Comissão Europeia recordou que “o objetivo é o crescimento", e que que cada euro pago para sustentar a dívida pública "é um euro que não pode ir para a saúde pública ou escolas, para o bem estar dos portugueses". "A medida mais social que pode haver é reduzir a dívida" considerou Durão Barroso.

Por seu lado Passos Coelho, garantiu, após o encontro, que o novo Governo não terá férias de modo a tomar nos próximos meses o essencial das decisões para a efetiva implementação do programa de ajuda a Portugal.

"Começámos já a trabalhar com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional no sentido de criar nos próximos dois meses o maior número de decisões praticas, concretas, que permitam traduzir as intenções, os objetivos que estavam fixados, em politicas concretas que vão ser aplicadas rapidamente a Portugal", disse.

"Os portugueses estarão absolutamente comprometidos em que nos próximos meses o essencial das decisões que tivermos de aplicar possam ser aplicadas", sublinhou.

Salientando que Portugal está "muito reconhecido pelo facto de ter tido da parte dos seus parceiros europeus a ajuda que necessitava", Passos Coelho disse haver a noção no país de que essa ajuda é de certo modo também um "encargo para todas as democracias europeias".

Portugal dispoe de todas as condições necessárias para ser bem sucedido

“Não descansaremos enquanto não pudermos devolver com trabalho e com resultados a confiança que em nos depositaram", afirmou, antes de concluir que “Portugal dispõe de todas as condições internas para ser bem sucedido".

Ao início da tarde, Pedro Passos Coelho participa na cimeira dos líderes do Partido Popular Europeu (PPE), a família política europeia do PSD que antecede o início do Conselho Europeu.

Dezassete dos vinte e sete membros do Conselho Europeu fazem parte do PPE. No encontro deverão estar, entre outros, Nicolas Sarkozy (presidente da França), Angela Merkel (chanceler da Alemanha), Silvio Berlusconi (chefe do Governo da Itália) e José Manuel Durão Barroso (presidente da Comissão Europeia).

Ainda antes do jantar, durante um encontro com o presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, deverá fazer a apresentação dos dois novos chefes de governo presentes no Conselho Europeu.

Pedro Passos Coelho não é o único estreante nesta reunião de Chefes de Estado e de Governo da União Europeia, também o novo primeiro-ministro finlandês, Jyrki Katainen, participa pela primeira vez num Conselho Europeu.

(atualizado às 15.17 H)

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