Pedrógão Grande consolidou a imagem do "presidente dos afetos". Cotrim de Figueiredo quer ser mais do que isso

Na Nacional 236, João Cotrim de Figueiredo caminha ao lado da presidente da Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande. Vai ouvindo, de Dina Duarte, as preocupações de quem não esquece o mês de junho de 2017.

Oriana Barcelos /

Foto: Oriana Barcelos

"O Estado não pode falhar, o Estado não pode ser omisso - o Estado tem de ser responsável pelos seus cidadãos, porque nós também pagamos impostos aqui", afirmou. É uma preocupação partilhada pelo candidato liberal à Presidência da República. 

Cotrim de Figueiredo defende que o país tem de preparar-se mais, melhor e atempadamente, para evitar tragédias como a que, há quase 10 anos, fez 66 mortos naquele concelho do distrito de Leiria. É por isso que ele visita o memorial às vítimas dos incêndios florestais neste mês de janeiro: para saber se o Governo está ou não preparado para os incêndios do verão.

"Estamos ou não estamos preparados em termos de recursos efetivos na coordenação e na estrutura de comando da Proteção Civil? Estamos ou não estamos preparados em termos de recursos técnicos e humanos nos bombeiros? Estamos ou não estamos preparados do ponto de vista dos contratos de utilização dos meios aéreos? Mesmo os meios aéreos da Força Aérea, que há tantos anos ouvimos que podiam e deviam ser equipados com os chamados kits de água, e ter os Hércules C-130 ou os KC-390 a usar esses kits para poderem mais rapidamente combater os incêndios? É agora em janeiro que se pergunta isto, porque os concursos depois não se lançam em maio", alertou Cotrim de Figueiredo.

O candidato garante que, se chegar ao Palácio de Belém, vai pedir explicações ao Governo sobre o combate aos incêndios e sobre a gestão florestal. Cotrim de Figueiredo promete pressionar para ver transformações. A tragédia de Pedrógão Grande consolidou a imagem de Marcelo Rebelo de Sousa como o presidente dos afetos, mas o candidato liberal espera ser mais do que isso. "Eu gostava mais de ficar conhecido como o Presidente que ajudou a resolver problemas - se fizer isso com afetos, melhor", disse.

E o Presidente que a ajudaria a resolver problemas seria o mesmo que, hoje, aconselharia a demissão da Ministra da Saúde. Cotrim de Figueiredo acredita que Ana Paula Martins tem cometido erros a mais - e a notícia de que o Governo não reativou o reforço de ambulâncias para o inverno é, para o candidato presidencial, a gota de água.

"É uma negligência grave. Achar que 100 ambulâncias - que, apesar de tudo, são bastantes - não fariam diferença nesta altura de necessidade acrescida de resposta, está nas fronteiras daquilo que eu considero a perda de condições políticas para exercer o cargo de ministro. Já me têm ouvido dizer que enquanto Presidente da República - e mesmo enquanto agente político - nunca fui lesto a pedir cabeças. Não sou, acho que a composição dos governos compete aos primeiros-ministros e a errada composição será julgada pelos portugueses nas urnas - acho que é assim que deve ser. Mas já são excessivos os casos que envolvem a Ministra Ana Paula Martins", afirmou.

O que diria, então, Cotrim de Figueiredo Presidente a Luís Montenegro? "Recomendaria seriamente, nesse contacto pessoal com o senhor primeiro-ministro, que substituísse a senhora Ministra da Saúde", conclui, já à margem de uma visita à Academia Cultural e Social de Maceira.
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