PGR remeteu escutas ao juiz da Comarca do Baixo Vouga

Pinto Monteiro, Procurador-Geral da República, remeteu ao juiz da Comarca do Baixo Vouga, António Costa Gomes, todas as escutas que estavam na Procuradoria relativas ao processo “Face Oculta” e que envolviam o primeiro-ministro. José Sócrates, aparece em onze escutas a Armando Vara, um dos arguidos no processo.

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Pinto Monteiro enviou as escutas que envolvem José Sócrates no processo "Face Oculta" para a Comarca do Baixo Vouga Manuel de Almeida, Lusa

"O procurador geral da República remeteu já ao senhor juiz de Instrução Criminal da Comarca do Baixo Vouga, António Costa Gomes, todas as escutas que se encontravam na Procuradoria-Geral da República (PGR)", refere uma fonte da Procuradoria em resposta a uma questão colocada pela agência Lusa.

Das onze escutas, nas quais foi interceptado o primeiro-ministro, o Procurador-Geral da República (PGR) considerou que em seis "não existiam indícios probatórios que levassem à instauração de procedimento criminal". O Supremo Tribunal de Justiça também tinha decretado a nulidade e ordenado a destruição dessas escutas.

Nos outros cinco telefonemas, Pinto Monteiro decidiu que também "não existem elementos probatórios que justifiquem a instauração de procedimento criminal" contra o primeiro-ministro, José Sócrates, pelo que ordenou o arquivamento dos documentos, tendo igualmente o Supremo Tribunal de Justiça decretado a sua nulidade e a sua destruição.

Isto significa que a competência para destruir as escutas que envolvem José Sócrates, no processo "Face Oculta, está no juiz de instrução da Comarca do Baixo Vouga.

Dezoito arguidos no processo "Face Oculta"

O processo Face Oculta investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas.

A 28 de Outubro de 2009, a Polícia Judiciária (PJ) desencadeou a operação Face Oculta em vários pontos do país, no âmbito de uma investigação relacionada com alegados crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar que integra a O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, a que está ligado Manuel José Godinho, que se encontra em prisão preventiva no âmbito deste processo.

No decurso da operação foram efectuadas cerca de 30 buscas, domiciliárias e a postos de trabalho, e pelo menos 18 pessoas foram constituídas arguidas, incluindo Armando Vara, ex-ministro socialista e vice-presidente do BCP, que suspendeu as funções, José Penedos, presidente da REN - Redes Eléctricas Nacionais, suspenso de funções pelo tribunal de instrução, e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI- Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA, de Manuel José Godinho.

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