Pizarro lamenta "forma desrespeitosa" como ministro da Saúde criticou construção do CMIN
Porto, 25 fev (Lusa) -- O deputado socialista, ex-secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro, lamentou hoje, no Porto, "a forma desrespeitosa" como o ministro Paulo Macedo se dirigiu "aos profissionais muito qualificados que elaboraram o programa funcional" do Centro Materno Infantil do Norte.
"Ao dizer que esta obra é um exemplo de má planificação e despesismo, o ministro está a desconsiderar a qualificação do trabalho de quem produziu este projeto que, ao contrário, nós consideramos um projeto absolutamente adequado e bem dimensionado para as necessidades na cidade do Porto", disse Pizarro.
Num debate sobre o futuro do Sistema Nacional de Saúde, realizado sexta-feira, no Porto, Paulo Macedo considerou ter existido "falta de planeamento" no que respeita à construção do Centro Materno Infantil do Norte (CMIN) e também em relação ao Centro de Reabilitação de Valadares, em Gaia.
Numa visita que hoje efetuou às obras do CMIN, Manuel Pizarro referiu que "em 2012 nasceram na cidade do Porto cerca de seis mil crianças e é absolutamente evidente que para esse número de nascimentos está adequada a existência de duas maternidades: uma localizada no Hospital de S. João e a outra no Centro Materno Infantil, substituindo a Maternidade Júlio Dinis".
"Não há a criação de nenhum serviço novo, há apenas uma concentração de serviços no CMIN", frisou.
Nesse sentido, Manuel Pizarro avançou que irá questionar o ministro da Saúde na Assembleia da República sobre "o estudo técnico que lhe permite afirmar que esta é uma obra inútil e despesista".
"Nós temos um estudo técnico, que foi amplamente discutido e no qual a realização desta obra se baseia, que reuniu a participação de um conjunto de especialistas da região norte ligados à obstetrícia, ginecologia, pediatria, cirúrgica pediátrica, à área da gestão e da economia da saúde. Julgo que para fazer a afirmação que fez, que não deve ser leviana, o ministro há de ter uma fundamentação técnica que explique qual é a razão que supostamente lhe assiste nesta matéria", frisou.
Pizarro, que é também candidato do PS à presidência da Câmara do Porto, fez um apelo à cidade para que se gere um movimento cívico em defesa do CMIN, porque "a obra está em avançado estado de evolução, mas continuamos a verificar um conjunto de ataques incompreensíveis e que nos criam alguma preocupação em relação ao futuro da obra".
O deputado socialista disse ainda que irá levantar na Câmara Municipal do Porto (CMP) a questão da construção do parque de estacionamento subterrâneo, com 218 lugares, "a tal terceira fase que o ministro ameaça não concluir".
Manuel Pizarro entende que esta estrutura "é indispensável ao bom funcionamento do CMIN, cuja não construção transformará a vida e a circulação nesta zona da cidade num verdadeiro inferno e que foi uma das condições colocadas pela CMP para licenciar este empreendimento".
"Queremos clarificar qual será a atitude da CMP se o ministro quiser levar para diante essa decisão injusta e leviana de não construir o parque de estacionamento subterrâneo", disse.
Acrescentou que o CMIN "foi cuidadosamente planeado do ponto de vista técnico e corresponde a uma concentração dos serviços do hospital Maria Pia, da Maternidade Júlio Dinis e dos serviços de saúde materno infantil do Hospital de Santo António.