Portas aspira a formar "movimento político" com o PSD

Portas aspira a formar "movimento político" com o PSD

O CDS-PP estaria inclinado a negociar uma coligação pré-eleitoral com o PSD, mas não fará “qualquer proposta de aliança”, dada a indisponibilidade do principal partido da Oposição, indicou esta quarta-feira Paulo Portas. No lançamento do seu Documento de Orientação Política, a submeter ao próximo congresso dos democratas-cristãos, em março, Portas desafiou Pedro Passos Coelho a sufragar a criação de um “movimento político novo”.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Portas tenciona propor uma alteração aos estatutos do partido para separar cargos governativos e partidários Manuel de Almeida, Lusa

Na noite das presidenciais, o presidente do CDS-PP prometera falar “dentro de dias” sobre o que considerava ser o “novo ciclo político” inaugurado com a reeleição de Aníbal Cavaco Silva à primeira volta. Paulo Portas clarifica agora o que quis dizer no domingo. Para o líder dos democratas-cristãos, o país teria a ganhar com uma coligação à direita antes das próximas eleições legislativas, antecipadas ou não. O problema, admite, é que as posições públicas dos sociais-democratas “apontam claramente em sentido contrário”, ou seja, “apenas para um entendimento depois das eleições”.

Na leitura do líder do CDS-PP, “o natural seria que os dois partidos se apresentassem conjuntamente às próximas eleições visando a obtenção de um apoio maioritário e a constituição de um governo pequeno, reduzido na sua estrutura, mas de um governo dos melhores, onde o único critério de nomeação seja o mérito e nenhum outro”. Nesta altura, frisou Portas, “o CDS já partiu para a definição dos seus objetivos próprios”: reforçar o capital eleitoral do partido e assim poder “influenciar políticas”.

“Apenas me compete, neste documento de estratégia, dizer o que penso que seria melhor para Portugal e registar que o PSD não o partilha. Não faz por isso sentido o CDS fazer qualquer proposta de aliança. Faz sentido afirmar inequivocamente que o CDS mostrou abertura e que não é da responsabilidade do CDS a inviabilidade desses esforço”, enfatizou.

“Um movimento político novo”
Portas abstém-se, por agora, de avançar com uma proposta formal de aliança. Todavia, não deixa de desfiar os moldes em que gostaria de ver os dois partidos coligados. A ideia é gerar um “movimento político” que extravase as fronteiras dos aparelhos, recrutando contributos de “personalidades independentes de reconhecido mérito”. Uma solução que deveria ter por base um “entendimento aprofundado” sobre “políticas públicas”. Por outro lado, a haver acordo, uma coligação entre as duas forças políticas teria de assentar em “condições diferentes das de 2005”, quando o CDS-PP partilhou o poder executivo com os sociais-democratas.

“Eu acho que os dois partidos deveriam estar disponíveis para lançar, estruturar e formar um movimento político novo que não substituísse os partidos, longe disso, mas unisse nesta circunstância especial do país forças e fosse para além desses partidos. Esse movimento político novo deveria começar por um entendimento aprofundado entre PSD e CDS sobre o que podem ser as principais políticas públicas, setor a setor, necessárias à regeneração do país. Essa discussão devia abranger não apenas o PSD e o CDS mas também o conselho e o contributo de muitas personalidades independentes com reconhecido mérito”, propugnou o presidente do CDS-PP.

Relativamente ao cenário de uma investida parlamentar para o derrube do Executivo de José Sócrates, Paulo Portas sublinhou que “as moções de censura não se ameaçam, apresentam-se”. E o CDS-PP, “por iniciativa própria, só o fará se considerar que há possibilidade de aprovação”: “Os portugueses têm dificuldade em perceber que se diga que o Governo é péssimo e, ao mesmo tempo, que se permita a agonia dessa situação”.

Passos sem pressa
Na noite de domingo, ao reagir à vitória de Cavaco Silva, Pedro Passos Coelho insistiu na ideia de que o PSD não tenciona “ir à boleia” dos resultados das presidenciais. Até porque “não eram os partidos da Oposição nem o Governo que estavam a ser julgados”. As eleições de 23 de janeiro, vincou o líder social-democrata, não constituíram “uma primeira volta ou uma espécie de eleição primária das futuras eleições para o Parlamento”. Nas palavras de Passos Coelho, “se o Parlamento não vier a ter eleições legislativas dentro do seu prazo normal, que é daqui a três anos, isso significa que alguma coisa de muito errado terá ocorrido em Portugal”. “E se isso acontecer cá estaremos para saber o que fazer nessas circunstâncias”, reiterou.

Sem querer “antecipar um cenário de crise em Portugal”, Passos disse ainda que, caso “o PSD estivesse apostado” na “queda do Governo”, já teria tido muitas oportunidades para poder dar consequência a essa leitura”. “Estaremos a vigiar o cumprimento desse mandato que o Governo levou do Parlamento e a construir uma alternativa para o futuro do país, que é isso que o país espera. Mas não é isso que está em jogo nestas eleições”, repetia então o presidente do PSD, que não deixou de deixar claro que o partido tem “a aspiração de poder vir a governar durante o próximo mandato de Cavaco Silva”.

Na terça-feira, coube ao secretário-geral do PSD atribuir ao Executivo o ónus da sua própria sobrevivência. A “estabilidade política”, disse Miguel Relvas, “está nas mãos do Governo”, que terá de se mostrar “competente e ser capaz de executar aqueles que foram os compromissos que assumiu com o país e que assumiu com o Parlamento”. Isto depois de o líder parlamentar do PS, Francisco Assis, ter fechado uma reunião do secretariado socialista com o compromisso de que o partido de Sócrates vai “assumir completamente” a “obrigação” de manter “um bom relacionamento no plano institucional” com a Presidência da República.
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