Presidente desvaloriza divergência entre BE e Governo

por RTP

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que a divergência entre o BE e o PS no debate orçamental devido às rendas energéticas não põe em causa a estabilidade governativa e reiterou que acredita que a legislatura vai cumprir-se até ao fim.

O Presidente da República não se mostrou preocupado com as críticas feitas pelo Bloco de Esquerda por o PS ter mudado o sentido de voto e chumbar uma nova taxa sobre as empresas de energias renováveis, uma proposta bloquista.

"Não me preocupa. Há duas coisas diferentes. Uma coisa é, realmente, o pluralismo, a divergência, os debates parlamentares ou fora do parlamento. Isso tem de ser, são vivos, faz parte da essência da democracia. Outra coisa é pensar que não haverá, no essencial, na fórmula de apoio ao Governo, a estabilidade suficiente para durar a legislatura", declarou o Presidente aos jornalistas esta terça-feira, à margem da visita da Presidente da Confederação Suíça.

O chefe de Estado desvalorizou "essa vivacidade ou intensidade dos debates", neste caso concreto entre BE e Governo, e acrescentou: "Eu continuo a pensar que a legislatura vai até ao fim".

O Presidente da República referiu que já foram aprovados três dos quatro orçamentos desta legislatura, "falta votar um só", no próximo ano.

"É verdade que é aquele que antecede as duas eleições [europeias e legislativas de 2019], mas, precisamente por isso, é aquele que ninguém está a ver que venha a provocar um problema pré-eleitoral antecipado", sustentou.

Na segunda-feira, a deputada do BE Mariana Mortágua acusou os socialistas de "deslealdade", "voltado com a palavra atrás" ao mudar o seu sentido de voto e chumbar uma nova taxa sobre as empresas de energias renováveis.

"Quando era preciso um primeiro-ministro com `nervos de aço´ para responder às empresas que pretendem manter rendas de privilégio, o Governo falhou", lamentou Mariana Mortágua.
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