Primeiro-ministro omitiu passagem sobre “sacrifícios” no início do debate quinzenal

No início ao debate quinzenal desta sexta-feira, Pedro Passos Coelho leu um discurso dedicado a temas europeus como o compromisso de uma supervisão bancária conjunta para a recapitalização direta dos bancos. Mas deixou de fora uma passagem final sobre “custos e sacrifícios” a aplicar ao país no âmbito do Orçamento do Estado para 2013. A omissão foi denunciada no hemiciclo pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

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O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, à chegada ao Parlamento para o debate quinzenal com a Oposição Mário Cruz, Lusa

Foi logo nos primeiros instantes da sua intervenção, inteiramente virada para o agravamento de impostos, que o secretário-geral comunista salientou que Pedro Passos Coelho “não leu a última página” do discurso redigido para o debate parlamentar desta sexta-feira.

Nessa passagem, frisaria Jerónimo de Sousa, o primeiro-ministro referia-se às medidas de austeridade projetadas para o próximo ano, no quadro da proposta de Orçamento do Estado. Embora “ao de leve”.

A edição on-line do Expresso revelou entretanto a passagem que Passos Coelho não leu: “Mas o que temos de fazer exige no momento atual custos e sacrifícios que também não podemos minimizar. O esforço que o Orçamento do Estado para 2013 implicará para todos os portugueses, principalmente para os que têm mais meios para lhe corresponder e para o próprio Estado, é a nossa resposta para salvaguardar a presença europeia, as instituições do Estado social e as condições de recuperação da economia nacional”.

“As opções são extremamente limitadas e os nossos graus de liberdade são reduzidos. Nessa medida, explorámos todas as combinações e alternativas, procurando as que, cumprindo as nossas metas, fossem também menos pesadas no presente e mais eficientes no futuro. Ninguém nos pode acusar de não ter ponderado nem tentado as diferentes possibilidades. Era esse o nosso dever para com os portugueses e era essa a nossa obrigação diante dos sacrifícios e da determinação de que todos os dias dão provas”, sustentava ainda a parte final do discurso de Passos.
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