PS considera falta de seriedade culpar-se um qualquer Governo pela origem da crise

Coimbra, 10 fev (Lusa) - O documento de orientação estratégica hoje apresentado pelo secretário-geral do PS salienta que os socialistas assumem por inteiro as suas responsabilidades "presentes e passadas", considerando que não é sério responsabilizar-se um Governo pela atual crise financeira.

Lusa /

Referido como "Documento de Coimbra", o texto que António José Seguro levou à Comissão Nacional do PS foi aprovado apenas com duas abstenções, tendo 27 páginas, três capítulos e dedicando um dos pontos às causas da atual crise económica e financeira.

Na controvérsia sobre a responsabilidade dos executivos de José Sócrates na presente situação do país - uma das questões levantadas pelo chamado setor "socrático" dos socialistas -, o texto elaborado por António José Seguro tira uma conclusão: "Querer assacar a qualquer Governo a responsabilidade pela crise não é sério".

"Justo será reconhecer que todos os governos tiveram a sua responsabilidade", refere-se, numa alusão às debilidades estruturais da economia portuguesa (fraco crescimento económico, dependência externa, insuficientes reformas económicas e desequilíbrio das finanças públicas).

Em relação ao PEC IV (Programa de Estabilidade e Crescimento), o texto diz apenas que, na sequência do seu chumbo, foi assinado pelo então Governo um programa de ajustamento económico e financeiro com a `troika` (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia).

Mas, antes, nesse documento, também se salienta o seguinte: "O PS rejeita a narrativa simplista e moralista da direita sobre a atual crise ao ignorar o forte impacto da crise internacional na economia portuguesa e ao criar a ideia de que os portugueses viveram acima das suas possibilidades".

Ainda em relação à crise, advoga-se que no final de 2010, depois da Grécia, "Portugal foi apanhado no turbilhão das dívidas soberanas" no preciso momento em que punha em execução "uma política orçamental contracíclica para combater a crise económica decorrente da crise do subprime norte-americano".

Em termos de propostas, o documento insiste na tese do secretário-geral do PS a favor de uma renegociação das condições de ajustamento com metas e prazos credíveis, alargamento dos prazos de pagamento de parte da dívida pública, renegociação da `postcipação` do pagamento de juros concedidos ao abrigo do programa de assistência financeira e apoio a projetos de investimento reprodutivo.

No texto, diz-se ainda que o PS deve liderar o debate sobre a reforma do Estado, em particular nos setores da justiça, segurança e defesa, mas recusando-se que a reforma seja centrada no Estado social.

Tal como António Costa defendeu em recente entrevista à TVI, o documento também apoia um acordo de concertação estratégica de médio e longo prazo para promover a competitividade da economia, com o aumento do salário mínimo nacional, mas acrescentando-se igualmente a defesa de um aumento das pensões mais reduzidas.

Na conferência de imprensa final, António José Seguro referiu que estas matérias serão levadas pelo PS para o quadro da concertação social e salientou que, em matéria de salário mínimo, há uma "vinculação" do Estado Português ao memorando da `troika`.

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