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PS quer que Governo envie ao Parlamento caderno de encargos e contrato com NewsWhip

PS quer que Governo envie ao Parlamento caderno de encargos e contrato com NewsWhip

O PS vai requerer ao Governo que envie à Assembleia da República o caderno de encargos e o contrato celebrado com a empresa NewsWhip e acusa o executivo de conviver "muito mal com a liberdade de imprensa".

RTP /
Miguel A. Lopes - Lusa

O PS insiste que o Governo deve prestar mais esclarecimentos sobre a contratação de uma ferramenta que pode permitir a criação de rankings individuais de jornalistas e vai entregar, ainda esta terça-feira, um requerimento no Parlamento em que pede o contrato entre a Secretaria-Geral do Governo e a empresa irlandesa NewsWhip, bem como o caderno de encargos.

Os socialitas exigem transparência e questionam se não está em causa a liberdade de imprensa.

"Este Governo convive muito mal com a liberdade da imprensa", acusou o líder parlamentar do PS, justificando: "Este Governo tem um primeiro-ministro que faz conferências de imprensa onde não responde aos jornalistas, este é o Governo que alterou os estatutos da Lusa sem diálogo interparlamentar, governamentalizando a Lusa e governamentalizando politicamente a ação da Lusa com os novos estatutos, é um Governo que faz alterações ao Conselho Geral Independente da RTP à revelia da tradição, interrompendo mesmo o mandato de alguns dos seus membros". A NewsWhip é uma plataforma digital de análise baseada em inteligência artificial, destinada à monitorização de redes sociais e meios de comunicação online.

Na segunda-feira, através da Secretaria-Geral, o Governo negou ter contratado uma ferramenta destinada a monitorizar jornalistas ou a vigiar as redes sociais, garantindo que os serviços da empresa em causa são utilizados por vários entidades internacionais e que vão fornecer ao Governo um serviço de clipping e não rankings de jornalistas

Sobre estes esclarecimentos, Eurico Brilhante Dias recusou que se trate de "clipping moderno". "Aquilo é uma ferramenta muito diferente, procura determinar a influência dos atores da imprensa, dos jornalistas e dos opinadores no conjunto vasto das redes sociais e procura estabelecer rankings de influência para determinar quais são os pontos onde o Governo e o partido do Governo devem ter influência", defendeu.

"Se a Secretaria-Geral contratou este serviço e depois não irá distribuir pelos gabinetes ministeriais, para que serve este contrato? Para que serve este contrato se depois não vai ser usado pelos atores que podem usar essa informação pertinente?", questionou.

O socialista considerou também que a contratação desta ferramenta é "uma iniciativa temerária que põe em causa a liberdade da imprensa e a liberdade dos jornalistas", e acusou o Governo de ultrapassar "uma linha vermelha no que diz respeito à liberdade da imprensa".

"Não é razoável ter um ranking de jornalistas e não é razoável que essa informação muito preciosa seja paga pelos contribuintes para a atividade política e político-partidária", criticou.
IL critica "investimento em propaganda"
A presidente da Iniciativa Liberal pediu esta terça-feira ao executivo que ponha na governação o "mesmo esforço e empenho" que dedica à propaganda.

Embora considere normal que "haja cuidados na área da comunicação", Mariana Leitão deixou críticas ao investimento feito em propaganda.

"É normal que os governos também utilizem alguns desses serviços. Agora, o que é importante é que este Governo, que de facto tem feito um investimento enorme em propaganda, comece a pôr o mesmo esforço e o mesmo empenho na governação. Eu acho que esse deveria ser o foco", afirmou.

Para Mariana Leitão, se o executivo liderado por Luís Montenegro "conseguir pôr tanto esforço em governar o país bem, como tem posto em propaganda, em ferramentas de comunicação, investimento para redes sociais, certamente que o país ficaria melhor".

c/Lusa
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