Última Hora
Jorge Jesus já falou com Cristiano Ronaldo. Capitão da seleção não treina com restante plantel

PSD acredita que resultado eleitoral "favorece" negociação. PS vê "vida além do Orçamento"

PSD acredita que resultado eleitoral "favorece" negociação. PS vê "vida além do Orçamento"

É uma consequência direta da noite eleitoral autárquica: o PSD considera que a vitória nas eleições pode ajudar o partido a ter um maior ascendente sobre a oposição durante o debate da proposta de Orçamento do Estado - que começa a ser discutida na próxima semana na Assembleia da República.

João Alexandre - Antena 1 /

Fotografia de Gonçalo Costa Martins

Se não for de uma forma direta, pelo menos inconscientemente, todos nós sentimos que, de facto, [a vitória nas eleições autárquicas] favorece e há um reconhecimento da governação da AD e do sucesso da governação, que é reconhecida pelos portugueses - e isso viu-se nas urnas, quer nas legislativas, quer nas autárquicas -, mas também por organismos internacionais", disse, na Antena 1, o deputado Alberto Fonseca.

Segundo o coordenador do PSD na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, há vários motivos para o reforço do peso negocial dos partidos que sustentam o Governo, desde logo, porque, defende o deputado, o caminho seguido pelo Executivo tem sido positivo.

"Tivemos o FMI a reconhecer o sucesso da política deste Governo e a estabilidade das contas públicas e da redução da dívida. Ainda recentemente tivemos duas agências de notação de rating a melhorar o rating da República Portuguesa. É muito importante. Temos de dar continuidade a esse bom trabalho", disse.
O social-democrata saúda ainda a disponibilidade manifestada pelos socialistas para viabilizar a proposta de Orçamento do Estado e lamenta as críticas feitas ao documento pelo líder do Chega, André Ventura.

"Nas eleições [legislativas], o partido Chega ficou em segundo lugar, reclamou a liderança da oposição e assumiu-se como partido responsável. Estamos para ver agora - com o resultado da votação do Orçamento - até que ponto vai essa responsabilidade do Chega, porque o PS já demonstrou ser responsável, de facto", apontou Alberto Fonseca.

PS insiste que eleitores pediram "estabilidade" política: "É adequado contribuirmos"

Carlos Pereira, deputado do PS e vice-presidente da Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, aponta a um caminho de "estabilidade" e "responsabilidade" por parte dos socialistas, em linha com José Luís Carneiro, e lembra que houve matérias - como é o caso das alterações À legislação laboral - que ficaram de fora da proposta orçamental. 

"É adequado contribuirmos para a estabilidade do país. Consideramos que essa foi uma mensagem que os eleitores deixaram ao PS e nós devemos construir essa solução. Obviamente que só podia ser construída também com o contributo do Governo, que considerou que poderia expurgar do OE matérias que nós de maneira nenhuma poderíamos concordar que lá estivessem", disse, no programa Entre Políticos.

O socialista garante, no entanto, que o PS não vai dar tréguas ao Governo da AD, até porque, afirma Carlos Pereira, o Orçamento proposto não serve ao país e aos portugueses.
"Vamos combater este Orçamento, mas mantendo a ideia de que há um princípio de estabilidade e responsabilidade, porque há um bem maior para o país. Estou certo que os portugueses não querem imaginar que teremos mais uma crise política nos próximos tempos. E julgo que esse é um dado muito relevante", assinalou Carlos Pereira, que vê no documento um obstáculo ao crescimento do país: "É absolutamente débil no que diz respeito a esta matéria".

Apesar das críticas, o deputado do PS afirma que "há mais vida para além do Orçamento" e adianta que as propostas que o PS vai colocar em cima da mesa da discussão serão num cenário "compatível com uma abstenção que está prevista", e que haverá "outros momentos, outros palcos" para apresentar propostas.


PUB