Questão está "demasiado centralizada" no PS e PSD, critica Menéres Pimentel

Lisboa, 19 Mar (Lusa) - O ex-Provedor de Justiça Menéres Pimentel considerou hoje que o atraso da Assembleia da República em eleger o sucessor de Nascimento Rodrigues resulta do facto de se ter "centralizado demasiado" no PS e PSD a questão do Provedor de Justiça.

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"A Assembleia da República (AR) não consegue resolver o problema porque se centralizou demasiado isto no PS e PSD, quando isto é com a AR. Não sei por que não se reúnem os líderes parlamentares", disse Menéres Pimentel, que falava no final da cerimónia de posse do vice-presidente do Supremo Tribunal de Justiça, juiz conselheiro Pereira da Silva, em Lisboa.

Menéres Pimentel entende que a polémica em redor do substituto de Nascimento Rodrigues, que envolve PS e PSD, está a transmitir uma má imagem ao país, porque estão a "tratar o Provedor de Justiça como não interessando ao desenvolvimento democrático" e esta figura "nunca foi tão importante como no momento actual".

Questionado sobre se Nascimento Rodrigues não se excedeu nas críticas que fez ao PS, Menéres Pimentel disse que "não", alegando que este partido "é muito sensível a coisas que não gosta".

Acerca do perfil que deveria ter o futuro sucessor de Nascimento Rodrigues como Provedor de Justiça, Menéres Pimentel disse ser tempo de eleger um "professor universitário" e também "uma mulher", o que aconteceria pela primeira vez.

"É tempo de uma mulher ocupar aquele lugar", defendeu.

Em entrevista à revisão Visão, hoje publicada, o Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, acusou o PS de ter "apetite" pelo cargo.

"O PS já ocupa todos os altos cargos públicos, faz lembrar o Zeca Afonso: `eles comem tudo`", disse Nascimento Rodrigues, adiantando ainda que "deveria caber ao segundo partido [PSD] a escolha [do próximo Provedor] embora por consenso, num quadro mais vasto de equilíbrio democrático de poderes".

Ao comentar as declarações de Nascimento Rodrigues, no final da reunião de hoje do Conselho de Ministros, o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, acusou o Provedor de Justiça de ter quebrado o seu dever de isenção e de se envolver no combate partidário em defesa do acesso do PSD a cargos do Estado.

Em conferência de imprensa, Pedro Silva Pereira considerou "lamentável" o teor da entrevista dada pelo Provedor de Justiça.

"É lamentável que um Provedor de Justiça ainda em funções quebre o seu dever de isenção para dar (ainda por cima por escrito) uma entrevista de puro combate partidário", afirmou.

Pedro Silva Pereira disse depois estranhar que Nascimento Rodrigues, "em defesa dos interesses do PSD no acesso a cargos do Estado, dê agora mostras de uma energia que não deu tantos sinais ao longo do seu mandato".

"Pela nossa parte, esperamos que o processo de eleição do Provedor de Justiça se possa concluir tão rapidamente quanto possível no Parlamento", acrescentou.

Nascimento Rodrigues é Provedor de Justiça desde Junho de 2000 e terminou o mandato em Julho de 2008, mas aguarda ainda a designação do sucessor.

FC/PMF.

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