Redução do número de deputados não é prioridade para o PS

Carlos Zorrinho, líder parlamentar do Partido Socialista, afirmou que a redução do número de deputados, no âmbito da reforma do sistema político, não é “matéria tabu”, mas previne que não é tema prioritário para os socialistas. A questão da reforma do sistema político foi levantada na passada sexta-feira por António José Seguro, durante um jantar comemorativo da revolução do 5 de Outubro.

RTP /
“Este tema não é para se aprovar no dia seguinte", defende Carlos Zorrinho António Cotrim/Lusa

“Para o PS, não é nenhum tabu, já que considera que a modernização do sistema político é um tema importante. Os deputados discutiram o tema com serenidade, mas, para nós, é muito claro que esse tema não é tema prioritário. Prioritário para o PS é a proposta do Governo para o Orçamento do Estado para 2013 e a situação complexa em que os portugueses vivem”, afirmou Carlos Zorrinho no final de uma reunião do Grupo Parlamentar do PS.

Durante a reunião do Grupo Parlamentar, já vários ex-ministros e ex-dirigentes socialistas tinham contestado a hipótese de se colocar na agenda política a redução do número de deputados, prevenindo que o tema poderia alimentar fenómenos de populismo.

Segundo vários deputados presentes na reunião, Francisco Assis, ex-líder da Bancada Parlamentar e candidato à liderança do PS, tentou fazer uma intervenção pacificadora face à atual direção do partido, em que ressaltou que “a crescente degradação política do Governo”, mas onde se mostrou receoso com um eventual crescimento “do monstro do populismo”.

“Ceder ao monstro é o mesmo que alimentar o monstro”, afirmou Assis aos deputados presentes na reunião.

Já o deputado Sérgio Sousa Pinto, um dos maiores opositores à ideia da redução do número de deputados, considerou “um primarismo pensar-se que é nas instituições democráticas que se encontram os problemas”.

“O problema que vivemos é o dos resultados da democracia. Os cidadãos têm dúvidas sobre a viabilidade da sua economia e da sua sociedade”, frisou Sérgio Sousa Pinto, citado por um dos seus colegas de bancada.

Além de Francisco Assis e de Sérgio Sousa Pinto, também os ex-ministros Ferro Rodrigues e Vieira da Silva, e Alberto Martins, membro do Secretariado Nacional do PS, se pronunciaram sobre o tema da redução de deputados.

Os deputados socialistas, sobretudo os eleitos pelos círculos eleitorais menos populosos, defenderam que a questão da diminuição do número de deputados apenas se deverá colocar como causa última de uma reforma global do sistema político e nunca princípio de qualquer processo de revisão.

Confrontado com estas posições, Carlos Zorrinho respondeu: “Queremos discutir o tema da reforma do sistema político com outros partidos, com a sociedade portuguesa, porque este não é um tema tabu. Não há aqui nenhum recuo, mas ao mesmo tempo não é um tema prioritário. É assim que o Grupo Parlamentar do PS entende”.

Sobre o motivo que terá levado o secretário-geral do Partido Socialista a admitir a possibilidade de uma redução do número de deputados, o líder da bancada parlamentar repetiu que a tese de que António José Seguro “falou sobre um tema que não é tabu”.

“Este tema não é para se aprovar no dia seguinte. Uma reforma do sistema político exige muita maturação e há sempre um bom motivo para começar”, rematou.
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