Política
Relvas deve ser demitido por Passos Coelho, defende Ana Gomes
No Conselho Superior da Antena1 desta manhã, Ana Gomes defende que o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, deve ser demitido pelo primeiro-ministro, caso contrário Passos Coelho mostra que está refém de Relvas.
Questionada pelo jornalista Luís Soares sobre as revelações que este caso tem feito sobre o funcionamento das secretas, Ana Gomes defende que essas notícias têm mostrado que os serviços secretos “estão a ser perigosamente pervertidos, com um ex-dirigente [Silva Carvalho] a usar os serviços, antes e depois de sair, para servir uma empresa, com investigações ilícitas sobre empresários, incluindo o ex-primeiro-ministro Pinto Balsemão”.
Ana Gomes prossegue afirmando que este caso tem mostrado “os serviços secretos comandados por ex-dirigentes a fazerem os seus fretes, sem rei nem roque, e com os serviços autorizados a produzir investigações para empresas. É a subversão total do que deve ser o papel dos serviços de informação da República e é a subversão pelos mafiosos da Loja Mozart”.
Segundo Ana Gomes, “isto exige muito mais do que a demissão de Relvas e a punição judicial dos anteriores e atuais espiões que estão envolvidos nesta rede mafiosa”. “Isto exige a completa reformulação dos serviços de informação da República”, considera, apontando a sua visão de como deveriam ser.
Acordo sobre secretas entre os partidos é necessário
A comentadora da Antena1 sugere a fusão dos serviços secretos num único serviço, que tenha a possibilidade de fazer escutas sob controlo judicial, e que seja democraticamente fiscalizado pela Assembleia da República e por organismos especializados, como a Comissão Nacional de Proteção de Dados.
“É preciso um acordo de regime que envolva todos os partidos com assento na Assembleia da República para que haja verdadeiro controlo dos serviços secretos”, refere, acrescentando que “os partidos do arco da governação só fizeram disparates, com os chamados especialistas de segurança que envolveram no passado, que demonstraram estar coniventes, quando não eram eles membros da rede mafiosa da Loja Mozart”.
“Estou a referir-me a pessoas do CDS-PP, do PSD e do PS, porque este espião [Silva Carvalho] foi lá colocado por gente do PS”, sublinha.