Resultados eleitorais não deverão repercutir-se na política interna

Analistas políticos consultados pela agência Lusa consideram que os resultados das eleições europeias de domingo não se devem repercutir na vida política interna em Portugal.

Lusa /

"Sinceramente, acho que não. O problema tem muito mais a ver com a probabilidade de haver diferenças muito significativas nos resultados entre as principais forças políticas, o que não é o caso. Tipicamente as eleições para o Parlamento Europeu são totalmente ineficazes quanto ao modelo de governação interno, quando o efeito da variação entre os partidos é baixo", sustenta o professor universitário Manuel Meirinho.

"Em princípio a votação europeia pouco ou mesmo nenhum impacto deveria ter em casa. Só se o resultado da nossa mini votação tivesse um efeito interno muito inesperado", salienta Manuel Villaverde Cabral, investigador emérito do Instituto de Ciências Sociais, de Lisboa, referindo-se à crescente taxa de abstenção nas eleições europeias em Portugal.

A abstenção nas anteriores eleições europeias, em 2019, bateu mínimos históricos: 69,25%.

Villaverde Cabral acredita que a taxa de afluência em Portugal vai continuar baixa.

"Apesar da propaganda das televisões nas últimas semanas da votação, é manifesto que a participação portuguesa continuará a ser baixa e é previsível, globalmente, que os três maiores partidos (AD, PS e Chega) açambarquem os escassos lugares disponíveis", antecipa.

Manuel Meirinho adianta outra razão para que os resultados da votação de domingo não "contaminem" o equilíbrio saído das legislativas de 10 de março.

"As eleições europeias jogam-se num círculo nacional único. E portanto há uma probabilidade grande dos pequenos partidos também terem representação e naquilo que é o efeito na forma de alinhamento interno dos partidos, sobretudo na questão da governabilidade e da dinâmica de aprovação e do jogo político para aprovação das leis e do Orçamento, em particular, isto não trará grandes diferenças", afirma.

Quanto ao contexto em que se realizam estas eleições europeias, Manuel Villaverde Cabral antecipa que "parece estar inclinada para a `direita` ao mesmo tempo que dividida" com as posições assumidas relativamente à invasão russa da Ucrânia.

"O leque ideológico das candidaturas ao Parlamento Europeu é muito vasto e nem sempre cada uma delas possui peso suficiente no seu país, para não falar do conjunto europeu", acrescenta.

Villaverde Cabral alerta para o "pouco ou nenhum peso" dos eurodeputados portugueses e, olhando para a política doméstica, diz que a "queda final do primeiro-ministro António Costa abriu o caminho sem querer à chamada `social-democracia`".

"Neste sentido, o Chega é o mais reservado -- ou pior mobilizado a nível europeu. O PS terá no entanto muito pouco peso no contexto geral e, se algum partido português tiver algum, será o PSD (...) A única probabilidade de mudança é dos liberais, concretamente João Cotrim de Figueiredo, candidato da Iniciativa Liberal, que acredita poder vir a ter companhia no Parlamento Europeu", vaticina.

"O resto serão prémios individuais a `vedetas` da vida partidária lusitana", reforça.

Cerca de 373 milhões de eleitores europeus são chamados a votar para o Parlamento Europeu entre 06 e 09 de junho. Em Portugal, a votação é no dia 09.

Serão escolhidos 720 eurodeputados, 21 dos quais portugueses.

Concorrem às eleições 17 partidos e coligações: AD, PS, Chega, IL, BE, CDU, Livre, PAN, ADN, MAS, Ergue-te, Nova Direita, Volt Portugal, RIR, Nós Cidadãos, MPT e PTP.

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