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Reunião abreviada na São Caetano à Lapa cava abismo entre PS e PSD

Reunião abreviada na São Caetano à Lapa cava abismo entre PS e PSD

Durou cerca de uma hora a reunião desta quinta-feira entre uma delegação do PS e uma representação laranja encabeçada pelo coordenador da Comissão Política do PSD. E nas declarações finais não houve quaisquer indícios de entendimento. Apenas de rutura. Se o antigo ministro socialista Alberto Martins deu como “insanáveis, estruturais e profundas” as discordâncias entre as maiores forças políticas do chamado arco da governação, Jorge Moreira da Silva acusou o partido de António José Seguro de ter abdicado de “apresentar propostas” de “compromisso”.

RTP /
“Fizemos sentir ao PSD que devem ser criadas condições para dar voz ao povo pela via de eleições”, adiantou Alberto Martins após o encontro com a delegação social-democrata Tiago Petinga, Lusa

Foi “correto” o diálogo mantido na sede nacional dos social-democratas em Lisboa – derradeira escala da série de encontros partidários promovida nos últimos dias pela direção de António José Seguro. Todavia, salientou à saída Alberto Martins, do Secretariado Nacional socialista, “as divergências entre PS e PSD são insanáveis, estruturais e profundas”. Porque o maior partido da oposição, acentuou o antigo ministro da Justiça, está “em desacordo com a ditadura da austeridade”.

“Entendemos que os problemas do emprego e do crescimento não são resolvidos com esta política, que está a provocar uma grande degradação social e até política. Fizemos sentir ao PSD que devem ser criadas condições para dar voz ao povo pela via de eleições”, frisou o dirigente socialista.Nas palavras de Alberto Martins, ao cabo de dois anos de governação partilhada por PSD e CDS-PP “verifica-se uma incapacidade para resolver os problemas dos portugueses” e, por outro lado, “aumentou a situação de dependência” face aos credores internacionais, “sem que se vislumbre qualquer possibilidade real de saída da crise”.


Do PS, deixou claro Alberto Martins, o Governo já só pode esperar a exigência de eleições legislativas antecipadas, dado que os socialistas entendem que se impõe dar a palavra ao eleitorado, para que este se pronuncie sobre o atual quadro do país. Uma situação “que se caracteriza por uma extrema degradação de todos índices, desde emprego, recessão, défice ou dívida”.

“O PS defende uma política de ajustamento do memorando e de reorientação do processo de investimento e de consumo público, porque entende que o contrato social básico que está fundado na Constituição tem a ver com a vida das pessoas, com o rendimento dos cidadãos e com as condições essenciais de educação, saúde ou cultura”, sublinhou ainda Alberto Martins.

Questionado pelos jornalistas sobre a ausência de Seguro na São Caetano à Lapa, o antigo líder parlamentar socialista enfatizou que “o princípio da representação é o princípio da reciprocidade protocolar”, numa referência ao facto de o primeiro-ministro ter igualmente ficado à margem do encontro.

Dos interlocutores social-democratas sairia a explicação de que “o PSD recebeu o PS da mesma forma que tem recebido as centrais sindicais, as associações patronais ou líderes partidários estrangeiros”, ao abrigo de um princípio de autonomização do partido estabelecido por Pedro Passos Coelho.
“Uma visão irresponsável”

Pelo partido de Passos, Jorge Moreira da Silva reforçou aquele que tem sido o registo social-democrata para com os socialistas: “Por responsabilidade própria, infelizmente, o PS assumiu uma opção que dificulta a capacidade de compromisso e de entendimento”.

“Estamos a meio da legislatura e o PS pretende ter eleições, prescindiu de apresentar propostas no sentido de criar condições para o compromisso e de assumir uma postura de abertura. Pura e simplesmente, o PS optou por dizer que a única solução é um ato eleitoral”, assinalou o coordenador da Comissão Política do PSD.

“Do ponto de vista do PSD, isso é assumir uma visão irresponsável, porque o que se pede aos partidos e aos políticos é que assumam abertura e que tenham uma posição realista no diagnóstico da situação do país”, acrescentou.


Foto: Tiago Petinga, Lusa

Moreira da Silva propugnou mesmo que “a vontade de abertura está mais do lado do PSD do que do lado do PS”. Para adiantar que os social-democratas colocaram sobre a mesa da reunião “cinco matérias” que, advogou, poderiam abrir espaço “para um diálogo mais aprofundado”: “Equilíbrio orçamental, estratégia de investimento seletivo, aprofundamento do projeto político europeu, reforma do Estado e fiscalidade”.

“Mas o PS insistiu nesta reunião que apenas pretende eleições, desistindo das respostas aos problemas. O PSD não desistirá de pedir ao PS que coloque o interesse nacional acima do partidário”, insistiu.

“Questionámos o PS se pretendia cumprir as metas orçamentais ou não e, cumprindo as metas orçamentais, se a via deveria ser pela redução da despesa ou por aumento de impostos, ou se, pura e simplesmente, o PS entende não se cumprir metas orçamentais e, nesse caso, se assume de forma explícita e não implícita a vontade de segundo resgate. Questionei o PS sobre a sua opção, mas não obtive resposta cabal sobre esta matéria. Continuaremos a fazer esta pergunta, porque os portugueses devem perceber qual a estratégia de cada partido”, concluiu Jorge Moreira da Silva.
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