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Rio mantém tabu mas define reforma do regime como prioridade de Belém

Rio mantém tabu mas define reforma do regime como prioridade de Belém

Rui Rio garante que ainda não tomou nenhuma decisão sobre uma possível candidatura à Presidência da República. O ex-autarca do Porto afirma que está ainda a ponderar, embora designe desde já a reforma do regime como a prioridade de um eventual avanço. Rio considera que dificilmente haverá uma maioria absoluta nas próximas eleições legislativas, apontando que, por isso mesmo, o referencial de estabilidade vai passar para Belém.

RTP /
Lusa

No passado fim de semana, o semanário Expresso dava conta de que o antigo presidente da Câmara do Porto deveria anunciar a candidatura a Belém depois de agosto. Na Grande Entrevista da RTP Informação, Rui Rio nega que já tenha tomado uma decisão.

O ex-autarca mantém o tabu quanto à sua candidatura, referindo que avançar para Belém é uma “enorme responsabilidade”, que deve ser ponderada. O potencial candidato relata, nomeadamente, as dificuldades logísticas e financeiras de uma candidatura.

"Uma campanha presidencial, por mais barato que seja, custa muito dinheiro”, aponta Rio. “Consigo eu angariar fundos para fazer uma campanha desta?”, questiona-se, admitindo que “tem pensado nisso”.

Embora mantendo o suspense, o potencial candidato defende que a reforma do regime político deve ser a grande prioridade do próximo Presidente. Rio lamenta o “divórcio que existe entre as pessoas e a política”, sublinhando que o Presidente da República “é o português que tem mais legitimidade eleitoral”.

Não serve só “para fazer discursos do 25 de abril e do 5 de outubro ou umas inaugurações”, sublinhando que é preciso alguém que “procure empurrar os partidos e a Assembleia da República para fazer reformas fundamentais”. Uma ação que deve ser feita numa “magistratura de influência”, defendendo uma presidência mais interventiva mas “no quadro das suas competências”.


Veja a Grande Entrevista de Rui Rio na íntegra no RTP Play

Questionado pelo jornalista Vítor Gonçalves se se sente o homem capaz de fazer a mudança que defende, Rio acena positivamente, e admite que esta é uma convicção que traz já há algum tempo.

“A decisão não está tomada”, garante, insistindo que está “a ponderar todos os fatores para um passo que é de elevada responsabilidade”. Uma ponderação que está completa em cerca de “70 a 80 por cento”, embora recuse a ideia de que esteja a vencer a possibilidade de ser candidato.
 

Sobre o calendário de uma eventual candidatura, Rio recusa a ideia de que esta deva ser apresentada só depois das legislativas, sublinhando mesmo assim que estas são importantes na equação. Rui Rio admite que, caso seja candidato, prefere que não surjam “mais nomes no centro-direita”.

O candidato insiste que as candidaturas devem ser inicialmente pessoais e não vistas como partidárias, admitindo que um candidato de centro-esquerda lhe possa merecer mais simpatia que um candidato de centro-direita. Questionado sobre se refere a Marcelo Rebelo de Sousa, Rio garante não pensar em ninguém em concreto.


No domingo, Marcelo Rebelo de Sousa, apontado também ele como um potencial candidato a Belém, defendeu que a “provável” candidatura de Rui Rio não iria condicionar o avanço de outras candidaturas. Rebelo de Sousa manteve, no entanto, o tabu sobre se ele próprio seria candidato.
Belém será “referencial de estabilidade”
Rui Rio sublinha que a probabilidade de não haver uma maioria absoluta  nas próximas legislativas é enorme, sublinhando que a coligação e o PS estão muito próximos.
Rio defende que o que aconteceu recentemente na Grécia “deu para as pessoas entenderem o que seria se não tivéssemos cumprido o memorando de entendimento”.


Por isso mesmo, Rio considera que “o referencial de estabilidade dos próximos tempos vai passar para a Presidência da República”.

O ex-presidente da Câmara do Porto não descarta um Governo de bloco central em nome da estabilidade, embora sublinhe que “um arranjo em nome da estabilidade que depois não tem sustentabilidade nenhuma também não vale de nada”.

Questionado sobre a possibilidade de o líder do partido derrotado se demitir, Rio esclarece que não é “comentador político”, embora admita que o partido derrotado irá “passar por uma grande crise”. O político considera que é nos indecisos que se decidirá a eleição, que estarão em dúvida entre arriscar um pouco mais com o PS ou apostar na segurança da coligação.


“Estou a fazer de comentador político, não é propriamente a minha especialidade”, desabafa Rui Rio.
Programa da troika “não foi um êxito”
Rui Rio realça que o programa da troika não foi um êxito, e que as instituições “têm muito a aprender com os exemplos de Portugal e da Grécia”. No entanto, defende que Portugal está melhor nalguns aspetos, sublinhando que os mercados voltaram a emprestar a Lisboa.

Rui Rio recusa-se a classificar de zero ao 20 o Governo, referindo que “não é professor”, mas dá nota positiva ao executivo. “Houve muito sofrimento que poderia ter sido menor, mas hoje estamos numa situação muito mais confortável do que estaríamos se não tivéssemos cumprido o memorando”, defende.
PS é “tradicionalmente despesista”
O ex-presidente da autarquia do Porto considera que “se António Costa for primeiro-ministro será uma pessoa consciente”, embora tenha receio da influência do PS. “Vai começar a fazer uma pressão sobre o novo Governo que vai condicionar muito. Aí sim, eu vejo um perigo”, referindo-se especificamente à ala mais à esquerda do PS.

“A governação do Partido Socialista é tradicionalmente despesista. Ponto, é assim. E isso é mau em qualquer circunstância e, em particular, nesta circunstância”, defende.

No final da entrevista, Rui Rio falou também sobre a detenção de José Sócrates. O ex-autarca questiona se as violações do segredo de justiça não contribuem para manipular convicções sobre a culpa do antigo primeiro-ministro.
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