Segunda volta só depois de contados os votos da primeira diz António Filipe

O candidato à Presidência da República António Filipe afirmou hoje que a segunda volta das eleições presidenciais só existe depois de contados os votos da primeira volta que se realiza no domingo.

Lusa /
Nuno Veiga - Lusa

A menos de uma semana das eleições, António Filipe foi instado a comentar a possibilidade de uma segunda volta depois de outros adversários já o terem feito.

"Não, ainda não, isso é só depois da primeira, portanto, segunda volta só existe depois da primeira, depois de contados os votos da primeira", respondeu aos jornalistas em Elvas, Portalegre, onde começou o dia de campanha a visitar a Estação Nacional de Melhoramento de Plantas.

Hoje, o candidato presidencial Cotrim Figueiredo revelou que, numa eventual segunda volta das eleições em que não esteja, não exclui o apoio a qualquer candidato, mesmo após ser questionado sobre se apoiaria André Ventura.

"Pode haver candidatos a discutir tudo. Mas eu só falo da segunda volta depois da primeira. Essa é a minha questão de princípio", reforçou António Filipe.

O candidato à Presidência da República apoiado pelo PCP e pelo PEV não quis comentar as declarações de Cotrim de Figueiredo, referindo que "é evidente que os candidatos na campanha gostam de dizer coisas".

"Creio que isso é o menos para mim. Não é isso que condiciona a minha campanha. A minha campanha faz o seu caminho, enfim, os outros candidatos podem dizer o que disserem", frisou.

As eleições presidenciais estão marcadas para domingo e a segunda volta, a realizar-se, decorrerá em 08 de fevereiro.

"Eu já os considerei que, de António José Seguro para a direita, os candidatos fazem parte daquilo que eu chamo de consenso neoliberal, que são os que se identificam com as políticas que têm vindo a ser seguidas e colocaram o país numa situação difícil em que está", referiu António Filipe.

E, portanto, salientou que a sua candidatura é "aquela que se assume como uma candidatura de esquerda, sem meio, nem meio mas".

"E é esse o sentido da minha campanha, procurar centrá-la naquilo que são as preocupações reais dos portugueses, que são as dificuldades que sentem, o trabalho, o acesso à habitação, o acesso à saúde. Isso para mim é que é a questão fundamental e não o diz que disse entre os vários candidatos", frisou.

Mais uma vez questionado sobre se António José Seguro não é um candidato de esquerda, respondeu que não e justificou que o próprio se afirma como "sendo do centro-esquerda".

"E eu acho que a convergência à esquerda deve ser feita num candidato de esquerda. É isso que eu tenho transmitido e vou continuar a transmitir (...). Entre mim e António José Seguro, o candidato de esquerda sou eu", afirmou.

Sobre a tensão entre os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão, António Filipe disse acompanhar com "preocupação o que se está a passar".

"O mundo está a viver uma situação extraordinariamente perigosa. Já todos percebemos que a administração norte-americana é um fator enorme de instabilidade a nível mundial e, portanto, naturalmente que acompanho a situação mundial com grande preocupação", referiu.

Os candidatos às eleições presidenciais são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.

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