Seguro com cada vez mais apoios na véspera de arranque da campanha para a segunda volta

Seguro com cada vez mais apoios na véspera de arranque da campanha para a segunda volta

Da esquerda à direita, o candidato apoiado pelo PS recebe cada vez mais apoios. O mais recente veio do antigo líder do CDS-PP Paulo Portas. A campanha eleitoral para a segunda volta das presidenciais arranca oficialmente na terça-feira. Quem pretende votar antecipadamente já se pode inscrever na portaria da secretaria-geral do MAI.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
José Coelho - Lusa

O antigo líder do CDS-PP tornou público o seu voto na segunda volta das eleições presidenciais.

Na noite de domingo, no seu espaço de comentário semanal na TVI, Paulo portas declarou que vai votar em António José Seguro.

Paulo Portas começou por anunciar que votará no "candidato moderado", porque "sabe muito bem desde o início em quem nunca votaria para presidente da República", argumentando que cabe a um chefe de Estado "unir o país" e "representar o melhor da comunidade", duas características que disse não reconhecer no candidato André Ventura, que é também líder do Chega.

"Não me parece de todo que o outro candidato, aquele senhor que grita muito, fosse para a Presidência da República unir o que quer que fosse, porque ele só sabe dividir, pôr uns contra os outros, dividir a nação em tribos, em raças, em etnias, em confissões religiosas, e isso é o contrário da função presidencial", criticou.


Apesar de reconhecer "divergências doutrinárias" com António José Seguro, ex-secretário-geral do PS e apoiado pelo partido, o antigo vice-primeiro-ministro explicou que as divergências com o líder do Chega "são de outra natureza" e têm a ver com o humanismo e a forma como se olha para o ser humano.

"Para aqueles que dizem que isto é uma eleição entre a direita e a esquerda, isso é um grande exagero. É uma eleição entre um político que à esquerda é talvez o mais próximo do centro e um político que está à direita da direita e que se junta ao extremismo que está na moda lá fora. E, portanto, eu não tenho nenhuma dúvida sobre qual é a escolha", resumiu.

Paulo Portas distancia-se, assim, do CDS-PP, que anunciou na semana passada que não vai apoiar nenhum dos candidatos na segunda volta das eleições presidenciais, sublinhando que o partido "combate o socialismo" e "rejeita o populismo".

O líder parlamentar dos centristas, Paulo Núncio, rejeitou, no parlamento, que se qualifique o presidente do Chega, André Ventura, de "candidato antidemocrata".
Quem apoia Seguro?
António José Seguro conta com o voto massivo da esquerda, que se uniu para “derrotar a extrema-direita”, como declarou o coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza.

No entanto, Seguro soma também cada vez mais apoios da ala da direita. O candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP, Luís Marques Mendes, também já anunciou que votará em Seguro, depois de ter ficado em quinto lugar na primeira volta. Marques Mendes argumenta que Seguro “é o único candidato” que se aproxima dos valores que sempre defendeu.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, não tomou nenhuma posição, deixando claro logo a 8 de janeiro que que o espaço político do PSD não estará representado na segunda volta. "O PSD não estará envolvido na campanha eleitoral. Não emitiremos nenhuma indicação e nem é suposto fazê-lo", afirmou o líder social-democrata.

A Iniciativa Liberal não expressou apoio a nenhum dos candidatos, mas a presidente do partido assumiu que, apesar de ser “sem entusiasmo”, votará no candidato socialista.

Mais de duas centenas de figuras da área política "não-socialista" lançaram, no sábado, uma carta aberta de apoio a António José Seguro, elogiando-o pela moderação e sublinhando que André Ventura não os representa.

Entre os signatários constam nomes como o do advogado Adolfo Mesquita Nunes, os antigos ministros António Capucho, Miguel Poiares Maduro e Arlindo Cunha, a antiga vereadora da Câmara de Lisboa Filipa Roseta, o historiador José Pacheco Pereira, a futebolista Francisca Nazareth, o humorista José Diogo Quintela, os escritores Miguel Esteves Cardoso, Henrique Raposo, Pedro Mexia, Afonso Reis Cabral, Rita Ferro e Francisco José Viegas.

A carta, que continua a recolher apoios online e já conta com mais de 750 assinaturas, rejeita a dicotomia defendida por André Ventura, que vê "este sufrágio como um confronto entre o bloco de esquerdas e o bloco de direitas, que qualificou como o campo ‘não-socialista’”.
Abertura das inscrições para voto antecipado
A partir desta segunda-feira já se pode pedir o voto antecipado em mobilidade para a segunda volta das presidenciais

A segunda volta entre António José Seguro e André Ventura está marcada para 8 de fevereiro. O voto antecipado acontece no domingo anterior, 1 de fevereiro.

Os eleitores que pretendem votar antecipadamente têm até quinta-feira para se inscreverem por via postal ou por via eletrónica, através da secretaria-geral do Ministério da Administração Interna (MAI).

Os eleitores internados e os reclusos também podem votar de forma antecipada.

Os eleitores recenseados em território nacional e deslocados no estrangeiro votam antecipadamente nas embaixadas ou consulados previamente definidos pelo MNE entre os dias 27 e 29 de janeiro.

c/ agências
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