Política
Seguro vê Passos com discurso diferente daquilo que faz na prática
Seguro diz que os apelos ao consenso de Passos Coelho têm apenas fins mediáticos.
Foto: Miguel A. Lopes, Lusa
António José Seguro falava aos jornalistas após ter visitado o SISAB
(Salão Internacional do Setor da Alimentação e Bebidas), horas depois de
o primeiro-ministro, no mesmo local, ter insistido na importância de o PS "oferecer garantias" sobre as trajetórias da dívida e do défice públicos, reiterando o seu apelo a um entendimento nesta matéria.
Confrontado com este repto do líder do executivo, o secretário-geral
do PS respondeu: "As palavras do primeiro-ministro não colam com a prática. Uma coisa são as palavras e outra coisa são os atos. E a prática do Governo contraria o discurso do primeiro-ministro", disse.
Durante a manhã, também no Parque das Nações, Pedro Passos Coelho defendeu que "um entendimento alargado beneficia muito a perspetiva de Portugal poder concluir com sucesso o seu Programa de Assistência Económica e Financeira e vir a ter juros mais baixos no financiamento futuro sempre que precisar de rolar uma parte da sua dívida nos mercados financeiros".
No entanto, para António José Seguro, "a vida pública portuguesa precisa
mais de atos do que de palavras e, sobretudo, precisa de palavras que estejam em coerência com esses mesmos atos".
"Verificamos que o primeiro-ministro diz uma coisa mas depois pratica outra completamente diferente. Não é essa a minha maneira de olhar para os problemas do país", referiu.
O secretário-geral do PS apontou depois quatro casos em que, na sua
opinião, o Governo não respeitou a opinião dos socialistas: Lei de Bases
do Ambiente, "com garantia de não privatização das águas; privatização da EGF (holding de resíduos sólidos urbanos); acordo de parceria para os fundos comunitários; e regulamentação "dos despedimentos sem o consenso dos representantes dos trabalhadores".
(Com Lusa)