«Sem uma profunda reforma estrutural na ética da sociedade portuguesa não há "troika" que nos valha», diz Bagão Félix

O comentador do Conselho Superior da Antena 1 analisa a crise ética e comportamental que há muito se faz sentir no mundo e em particular em Portugal, indicando que se multiplicam as pessoas impreparadas para assumir o poder.

Elsa Ferreira /
Bagão Félix assinala que nos tempos que correm, os fins justificam sempre os meios, sublinhando que escasseiam as elites exemplares e brotam as falsas elites feitas de calculismo aliadas a interesses partidários .

O comentador adianta mesmo que se assiste ao domínio de instituições fundamentais por pessoas impreparadas, que as usam despuradamente em benefício próprio, recordando o tempo em que para se assumir um lugar de elevada responsabilidade, na política, um cargo empresarial ou institucional era preciso dar provas de vida, de experiência, e exemplifica com a polémica em torno da eleição de elementos para o Tribunal Constitucional ou já anteriormente com o Provedor de Justiça, cargos, que na opinião de Bagão Félix estão a ser sujeitos à mais descarada descaracterização pela via partidária.

E o comentador do Conselho Superior da Antena 1 vai ainda mais longe ao assegurar que a indigência moral se alimenta da falta de memória e da impunidade, apontando que uma pequena falha pode ser fatal, mas já uma grande fraude perde-se no labirinto processual. E alerta; a liderança vem do exemplo não vem do poder efémero e formal ao contrário do que muitos julgam.

Critica também a facilidade com que se tecem quadros virtuais da realidade, cenários em que um mentiroso não mente mas diz inverdades, em que as fraudes são promovidades a imparidades e a desonestidade até é um mal menor podendo ser mesmo considerada flexibilidade.

Bagão Félix conclui afirmando que "não há remédios técnicos para males éticos e esta é a mais séria profunda reforma estrutural e geracional que tem de acontecer na sociedade portuguesa porque sem ela não há "troika" que nos valha".
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