SMN de 600 euros "É o mínimo que se pode pedir já para janeiro"

Onze por cento dos pobres portugueses trabalham. Os dados do Instituto Nacional de Estatística revelam um problema que a esquerda quer resolver aumentando significativamente o Salário Mínimo Nacional (SMN).
"Isto tem que nos fazer pensar e assumir responsabilidades" afirma no Jornal 2 Heloísa Apolónia do Partido Ecologista Os Verdes.
"Há acordos firmados no passado na Concertação Social que colocariam neste momento o Salário Mínimo Nacional acima dos seiscentos euros. E o mínimo que se pode pedir para janeiro de 2017".

Rui Sá, Ana Luísa Rodrigues, João Fernando Ramos /
Quase um em cada cinco portugueses vive com menos de 439 euros por mês. Por outras palavras há 2 milhões de pessoas em risco de pobreza no país.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que a taxa de pobreza desceu ligeiramente em Portugal. Foi em 2015 de 19%, tinha sido de 19,5% no ano anterior.

Quem trabalha no terreno garante que tudo é relativo já que a medida da pobreza é feita em relação à mediana dos vencimentos no país e essa mediana caiu de forma muito significativa nos anos de crise económica e intervenção da Troika.

Estatisticamente há sobretudo menos crianças em risco, mas cresceu o número de idosos em situação de pobreza.

A Caritas lembra também uma nova realidade - A dos pobres de longa duração.

O combate à pobreza passa também pelo aumento do Salário Mínimo Nacional. O Governo propõem 557 euros em janeiro. Esta sexta feira o parlamento debate o assunto por iniciativa do PCP que diz ser pouco. Dia 20 ele estará à mesa da Concertação Social, onde os patrões dizem ser de mais.

"Aumentar o Salário Mínimo Nacional é fundamental para o combate à pobreza, para as pessoas que trabalham, mas também para as empresas, por forma a com isso se dinamizar a economia", avança Heloísa Apolónia.

A posição dos Verdes é clara. Alinha pela proposta comunista de antecipar já no inicio do próximo ano o objetivo de fazer chegar o SMN aos 600 euros até ao final da legislatura.

O ministro do Trabalho não acredita que exista acordo entre todos os parceiros sociais e, em entrevista à Antena 1, deixa entender que a CGTP pode voltar a não assinar um entendimento.

Aquela central sindical defende um aumento imediato de 530 para 600 euros e não admite contrapartidas para as empresas, nomeadamente descontos nas prestações para a Segurança Social.

Politicamente este é um ponto de fricção à esquerda, mas continuam as conversas.

A agitar a "Geringonça" continua também a estar o problema da renegociação da dívida. António Costa foi claro na grande entrevista que deu no inicio do mês à RTP: Até ao rescaldo das eleições alemãs não estão reunidas as condições para que a Europa tenha a disponibilidade para conversar sobre o tema.

Vieira da Silva garante não contradiz o primeiro-ministro mas é perentório ao dizer o calendário político europeu não pode paralisar a agenda nacional.

"A dívida é insustentável. Não podemos esperar pela Alemanha para resolver um problema que é nosso", diz Heloísa Apolónia que lembra todos os governos têm empurrado a questão sem a resolver. Uma critica que a dirigente dos Verdes estende ao atual executivo.

"Não vou esconder que não vemos neste governo a agilidade necessária para enfrentar esta questão. Estão a esmagar-nos contra uma parede e não damos um passo para ultrapassar esse obstáculo".

O ministro admite concordar com o diagnóstico feito à esquerda do PS, mas tem dúvidas quanto às soluções propostas.

O governante pede rapidez mas sem passos em falso. Lembra que uma ação pouco ponderada pode prejudicar Portugal em mais do que os cinco mil milhões de euros de juros pagos por ano por uma dívida que ronda os 130% do PIB.
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