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Sondagem Católica. Seguro com larga vantagem sobre Ventura na segunda volta

Sondagem Católica. Seguro com larga vantagem sobre Ventura na segunda volta

A sondagem da Universidade Católica para a RTP, Antena 1 e jornal Público prevê uma vitória confortável de António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, com uma estimativa de 70%. Já André Ventura poderá alcançar 30% dos votos.

Andreia Martins (texto), João Marques (grafismo) - RTP /
Foto: Pedro A. Pina - RTP

Poucos dias  após a primeira volta das eleições presidenciais, a Universidade Católica divulga os resultados da mais recente sondagem já a pensar na segunda volta, que se realiza a 8 de fevereiro. 

O candidato apoiado pelo PS, António José Seguro, conta com uma estimativa de resultado eleitoral de 70%, enquanto o candidato e líder do Chega, André Ventura, reúne nesta sondagem 30%.

A confirmar-se este resultado, Seguro alcança mais do dobro do resultado alcançado no último domingo (31,12%) e André Ventura sobe sete pontos percentuais (23,52%). 

De recordar que o Presidente da República eleito com maior percentagem de votos desde o 25 de Abril foi Mário Soares, em 1991, com 70,35% dos votos. 
 
No entanto, a sondagem da Universidade Católica alerta para a dificuldade de estimar a participação eleitoral em sondagens, estimando que o “nível de participação terá efeito direto na diferença de percentagem entre os dois candidatos”, não obstante a mais elevada participação eleitoral em presidenciais dos últimos 20 anos na primeira volta.  

Em relação aos resultados obtidos na primeira volta, Seguro e Ventura parecem garantir, de acordo com esta sondagem, o apoio de quase todos os inquiridos que votaram neles na primeira votação, com a manutenção de 99 e 93% dos votos, respetivamente. 
Telejornal, 23 de janeiro de 2025

Por isso, o comportamento dos eleitores que votaram noutros candidatos será determinante para apurar o resultado final destas eleições, uma vez que abrange um universo de mais de dois milhões de eleitores. E neste momento, grande parte dos votantes em Cotrim de Figueiredo, Gouveia e Melo e Marques Mendes dizem-se inclinados para votar em Seguro. 

Entre os inquiridos que votaram em Cotrim de Figueiredo, o terceiro candidato mais votado, António José Seguro mobiliza 56% dos votos e André Ventura reúne 16%. 

Já entre os inquiridos que votaram em Gouveia e Melo, 67% afirma que irá votar em Seguro e 14% atribui o seu voto a Ventura. Por fim, entre os votantes de Marques Mendes, são 69% os que adiantam que vão votar em Seguro e 10% os que votam em Ventura. 

À esquerda, onde os candidatos obtiveram resultados pouco expressivos, o candidato apoiado pelo PS reúne sem surpresas um apoio quase unânime (91 por cento). 

Na comparação entre os dois candidatos que vão à segunda volta, António José Seguro obtém grande parte do voto feminino (67%) e é também mais votado entre a população com o ensino superior (71%). Por sua vez, André Ventura reúne grande parte dos votos entre os homens (54%) e entre os inquiridos com menor escolaridade. 

Em relação ao voto nas eleições legislativas de 2025, António José Seguro poderá reter nesta segunda volta 91% dos inquiridos que votaram no PS mas também obtém 59% dos votos entre os inquiridos que votaram na AD. 

Já André Ventura deverá preservar praticamente todos os inquiridos que votaram no Chega (93%) e ainda 19% dos inquiridos que atribuíram o seu voto à AD.

Quanto à probabilidade de alteração do sentido de voto até ao dia 8 de fevereiro, a grande maioria dos inquiridos responde que a sua opinião já não irá mudar (81%), enquanto 12% considera “pouco provável” que mude. 

A certeza em relação ao voto é ligeiramente mais elevada entre os inquiridos que garantem votar em Seguro (87%) do que entre os inquiridos que dão o seu voto a Ventura (78%). Caracterização do voto na primeira volta
De destacar que os participantes nesta sondagem são pessoas que já tinham participado na última sondagem pré-eleitoral, divulgada a 13 de janeiro, e que nessa altura demonstraram disponibilidade para voltarem a ser contactadas antes da segunda volta. Por esse motivo, a taxa de resposta é muito mais elevada do que o habitual. 

Para além de olhar para o que se poderá passar a 8 de fevereiro, esta sondagem da Universidade Católica para a RTP também se debruça-se sobre a análise de comportamentos e outros dados referentes à primeira volta das eleições presidenciais.

A maioria dos inquiridos responde que decidiu em quem iria votar com muita antecedência (56%), enquanto 20% diz ter escolhido o seu candidato na última semana e 12% no próprio dia de votação. Outros 12% dizem ter escolhido aquando do início da campanha, nos 15 dias anteriores. 

Entre os votantes em André Ventura, 80% diz ter decidido com muita antecedência, enquanto apenas 47% responde o mesmo em relação a António José Seguro. Houve 10% dos inquiridos que decidiram votar em Seguro no próprio dia da votação, 26% que tomaram a decisão na última semana e 16% que decidiram nos últimos 15 dias. 
Telejornal, 23 de janeiro de 2025

Quanto à divisão do eleitorado por sexo, idade e escolaridade, Seguro é o mais votado entre os eleitores com mais idade e também entre as mulheres e os eleitores com maior nível de escolaridade. 

Cotrim de Figueiredo, candidato que ficou em terceiro lugar na primeira volta, reuniu uma votação muito significativa entre os eleitores com menos de 35 anos, mas foi incapaz de ter um resultado relevante entre os votantes com 65 ou mais anos.

Em relação à primeira volta na comparação com o voto nas eleições legislativas de 2025, António José Seguro reuniu 70% dos eleitores que votaram no PS e 16% dos que votaram na AD. 

Já André Ventura segurou 86% dos votos do Chega e contou com 12% dos votantes na AD nessa primeira volta. Cotrim de Figueiredo foi buscar 29% dos votos que em legislativas tinham ido para a AD. 

Os inquiridos responderam ainda sobre as diferenças entre a resposta que tinham dado na última sondagem e o comportamento que acabaram por ter no dia da votação. Quase todos os inquiridos que declaravam que iriam votar em Seguro ou em Ventura acabaram por concretizar essa intenção. 

Por outro lado, alguns inquiridos que tencionavam votar em Cotrim de Figueiredo mudaram para André Ventura (7%), António José Seguro (4%) ou Manuel João Vieira (4%). 

A mudança de ideias foi ainda mais expressiva entre os candidatos que tencionavam votar em Marques Mendes ou Gouveia e Melo. Houve 10% dos inquiridos que declaravam o seu voto a Marques Mendes e acabaram por votar em Seguro. Outros 7% mudaram de ideias e votaram em Ventura. No caso de Gouveia e Melo, 13% mudaram de ideias para votar em Seguro e 7% foram votar em Ventura. 

Esta sondagem mostra ainda quais foram os principais motivos apontados para votar nos diferentes candidatos. No caso de André Ventura, 84% responde que este era o seu “candidato preferido desde que se apresentou”. Gouveia e Melo (78%) e Marques Mendes (85%) também obtêm percentagens significativas neste campo, mostrando a força inicial das suas candidaturas.

Já nos casos de António José Seguro e Cotrim de Figueiredo, as respetivas candidaturas foram ganhando ímpeto: 75% dos eleitores de ambos responde que o seu candidato se tornou no preferido “com o desenrolar da campanha”. 

Os inquiridos respondem, em relação aos dois candidatos que alcançaram a segunda volta, que consideram Ventura e Seguro os candidatos “menos maus” (ambos reúnem 76% nesta resposta em concreto). 

Ficha Técnica:
Este inquérito foi realizado pelo CESOP–Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e Público nos dias 20 e 21 de janeiro de 2026. O universo alvo é composto pelos eleitores residentes em Portugal. Os inquiridos foram selecionados aleatoriamente a partir duma lista de entrevistados na última sondagem pré-eleitoral que aceitaram voltar a ser contactados depois das eleições. Todas as entrevistas foram efetuadas por telefone (CATI). Foram obtidos 1102 inquéritos válidos, sendo 43% dos inquiridos mulheres. Distribuição geográfica: 30% da região Norte, 21% do Centro, 34% da A.M. de Lisboa, 6% do Alentejo, 5% do Algarve, 2% da Madeira e 2% dos Açores. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição da população por sexo, escalões etários, região e comportamento de voto com base nos dados do recenseamento eleitoral e da primeira volta das eleições presidenciais. A taxa de resposta foi de 97%*. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1102 inquiridos é de 2,9%, com um nível de confiança de 95%.

*Esta taxa de resposta é anormalmente elevada devido à especificidade metodológica deste estudo. Apenas foram contactadas pessoas que previamente tinham dado autorização – 97% das que atenderam o telefone aceitaram responder ao questionário.
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