Economia
TAP. Esquerda deixa críticas enquanto PSD e CDS falam num "dia positivo" para o país
Livre, PCP, BE e PAN criticaram o Governo pela venda parcial da TAP à alemã Lufthansa e a eventual privatização total da companhia aérea. Já os partidos que apoiam o Governo falam num dia bom para o país.
O PS considera precipitado que o Governo assuma que terá “capacidade política” para avançar sozinho para a privatização total da TAP, depois de o primeiro-ministro ter admitido, esta quarta-feira, a privatização total da empresa até 2028.
O dirigente do PS Filipe Santos Costa sublinhou que “o Governo tem que dialogar na Assembleia da República” porque “é um Governo de minoria”.
“E, portanto, parece-me um pouco precipitado da parte do primeiro-ministro assumir que terá a capacidade política para avançar sozinho para uma privatização total da TAP”, avisou Filipe Santos Costa em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa.
Filipe Santos Costa diz que o acordo anunciado hoje com a Lufthansa para a venda parcial da TAP é “o culminar de um processo iniciado pelo PS”, recordando que o PS “é a favor de uma privatização parcial”.
“O sucesso que reconhecemos do montante arrecadado com esta privatização parcial mostra que o PS tinha razão e que a privatização parcial é possível, é atrativa e mantemos a nossa posição a favor de uma privatização parcial”, disse o dirigente socialista.
Os socialistas avisam que "o crescimento da atividade e das contribuições fiscais da empresa deve permitir que o Estado recupere a prazo os 3,2 mil milhões de euros investidos” e que a TAP tem que continuar "a assegurar o serviço público entre Lisboa, Porto, Faro, Açores e Madeira e a ligação privilegiada às comunidades portuguesas”.
À esquerda, os partidos criticam a venda de 44,9 por cento da companhia aérea.
O co-porta voz do Livre, Jorge Pinto, insiste que o Governo “está a falhar ao país” ao avançar com esta privatização parcial da TAP. “Está a falhar ao país porque está a escolher o caminho mais fácil, que é vender os seus ativos”, disse.
Para além disso, Jorge Pinto defende que ainda há muito por esclarecer e promete vigilância.
Também Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda, levanta dúvidas sobre a privatização parcial da companhia aérea. O bloquista adiantou que o seu partido já solicitou toda a documentação relativa ao processo de privatização “porque ele levanta várias dúvidas”, lembrando a privatização da TAP em 2015 também protagonizada por Miguel Pinto Luz, que disse, “se veio a revelar um cambalacho”.
O PCP fala num “assalto aos recursos nacionais e uma evidente porta aberta à corrupção”, mas considera que ainda há espaço para travar o que apelida de “crime económico”. Paulo Raimundo apela à mobilização dos trabalhadores e da sociedade civil para que insurjam contra a entrega da “única empresa de bandeira do país ao capital estrangeiro”.
“O que a Lufthansa e a Alemanha ganham com esta privatização, perde o povo português e o país”, diz o PCP em comunicado. “O PCP reafirma que a privatização da TAP será a destruição da TAP, algo que os dois processos de privatização já realizados, 1998 e 2015, confirmaram plenamente”, acrescenta.
Inês Sousa Real, do PAN, diz-se preocupada com uma eventual privatização total da TAP e espera conseguir travá-la no Orçamento do Estado para 2027. A deputada do PAN defende que a empresa é um ativo estratégico que deve permanecer sob alçada do Estado.
Já a Iniciativa Liberal pede garantias de que que existe um caminho para a privatização total da empresa. Jorge Teixeira, deputado da IL, diz que os portugueses “não aguentam mais o fardo de terem de sustentar os sonhos e as caravelas do PS e do Chega”.
O Chega, por sua vez, disse que quer conhecer o caderno de encargos do processo de venda parcial da TAP à Lufthansa, lembrando que a TAP “tem atravessado um longo processo de gestão danosa do dinheiro público” e um “longo historial de falhas sucessivas negociais”.
“Queremos saber que garantias foram dadas ao governo português, queremos saber como é que vai ser feito o investimento e queremos, acima de tudo, garantir rigor e respeito pelos portugueses”, disse o deputado do Chega Francisco Gomes aos jornalistas na Assembleia da República.
PSD fala em fim da “confusão”
Os partidos que apoiam o Governo falam num dia bom para o país.
O PSD considera que os avanços na privatização parcial da TAP traduzem o fim da “confusão” na companhia aérea, enquanto o CDS-PP defendeu que a decisão prova aos críticos do Governo que o executivo faz reformas estruturais.
“Acabou o tempo em que a TAP era um brinquedo nas mãos de governos e de ministros”, disse o deputado do PSD Alexandre Poço, considerando que a decisão anunciada pelo Governo “permite começar a recuperar o investimentos que os contribuintes portugueses fizeram” na companhia aérea.
“Por isso, este dia de hoje é um dia positivo para o país, para a economia e para a TAP”, considerou.
Para o social-democrata, o interesse que a TAP despertou na Lufthansa e na Air France-KLM são indicadores do “bom momento que a economia portuguesa vive e o momento positivo que o país atravessa”.
Por sua vez, o líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, dirigiu as suas críticas, sem nomear ninguém, “àqueles que acusam o Governo de governar apenas para o dia a dia e não fazer reformas estruturais”.
“Esta decisão é uma decisão estruturante que prova que o Governo governa a pensar no futuro do país”, disse.
O centrista considerou também que hoje é um bom dia para o país e para o Governo, que, acrescentou, “cumpre o seu programa e organizou um processo absolutamente transparente e competitivo para concretizar a primeira fase da reprivatização da TAP”.
“É desde logo também um bom dia para a TAP, que mantém a sua sede e a sua marca em Portugal e que fica, desde hoje, associada ao maior grupo de aviação europeu, o que abre portas para a capitalização e para o desenvolvimento da atividade futura”, sublinhou.
c/Lusa
O dirigente do PS Filipe Santos Costa sublinhou que “o Governo tem que dialogar na Assembleia da República” porque “é um Governo de minoria”.
“E, portanto, parece-me um pouco precipitado da parte do primeiro-ministro assumir que terá a capacidade política para avançar sozinho para uma privatização total da TAP”, avisou Filipe Santos Costa em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa.
Filipe Santos Costa diz que o acordo anunciado hoje com a Lufthansa para a venda parcial da TAP é “o culminar de um processo iniciado pelo PS”, recordando que o PS “é a favor de uma privatização parcial”.
“O sucesso que reconhecemos do montante arrecadado com esta privatização parcial mostra que o PS tinha razão e que a privatização parcial é possível, é atrativa e mantemos a nossa posição a favor de uma privatização parcial”, disse o dirigente socialista.
Os socialistas avisam que "o crescimento da atividade e das contribuições fiscais da empresa deve permitir que o Estado recupere a prazo os 3,2 mil milhões de euros investidos” e que a TAP tem que continuar "a assegurar o serviço público entre Lisboa, Porto, Faro, Açores e Madeira e a ligação privilegiada às comunidades portuguesas”.
À esquerda, os partidos criticam a venda de 44,9 por cento da companhia aérea.
O co-porta voz do Livre, Jorge Pinto, insiste que o Governo “está a falhar ao país” ao avançar com esta privatização parcial da TAP. “Está a falhar ao país porque está a escolher o caminho mais fácil, que é vender os seus ativos”, disse.
Para além disso, Jorge Pinto defende que ainda há muito por esclarecer e promete vigilância.
Também Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda, levanta dúvidas sobre a privatização parcial da companhia aérea. O bloquista adiantou que o seu partido já solicitou toda a documentação relativa ao processo de privatização “porque ele levanta várias dúvidas”, lembrando a privatização da TAP em 2015 também protagonizada por Miguel Pinto Luz, que disse, “se veio a revelar um cambalacho”.
O PCP fala num “assalto aos recursos nacionais e uma evidente porta aberta à corrupção”, mas considera que ainda há espaço para travar o que apelida de “crime económico”. Paulo Raimundo apela à mobilização dos trabalhadores e da sociedade civil para que insurjam contra a entrega da “única empresa de bandeira do país ao capital estrangeiro”.
“O que a Lufthansa e a Alemanha ganham com esta privatização, perde o povo português e o país”, diz o PCP em comunicado. “O PCP reafirma que a privatização da TAP será a destruição da TAP, algo que os dois processos de privatização já realizados, 1998 e 2015, confirmaram plenamente”, acrescenta.
Inês Sousa Real, do PAN, diz-se preocupada com uma eventual privatização total da TAP e espera conseguir travá-la no Orçamento do Estado para 2027. A deputada do PAN defende que a empresa é um ativo estratégico que deve permanecer sob alçada do Estado.
Já a Iniciativa Liberal pede garantias de que que existe um caminho para a privatização total da empresa. Jorge Teixeira, deputado da IL, diz que os portugueses “não aguentam mais o fardo de terem de sustentar os sonhos e as caravelas do PS e do Chega”.
O Chega, por sua vez, disse que quer conhecer o caderno de encargos do processo de venda parcial da TAP à Lufthansa, lembrando que a TAP “tem atravessado um longo processo de gestão danosa do dinheiro público” e um “longo historial de falhas sucessivas negociais”.
“Queremos saber que garantias foram dadas ao governo português, queremos saber como é que vai ser feito o investimento e queremos, acima de tudo, garantir rigor e respeito pelos portugueses”, disse o deputado do Chega Francisco Gomes aos jornalistas na Assembleia da República.
PSD fala em fim da “confusão”
Os partidos que apoiam o Governo falam num dia bom para o país.
O PSD considera que os avanços na privatização parcial da TAP traduzem o fim da “confusão” na companhia aérea, enquanto o CDS-PP defendeu que a decisão prova aos críticos do Governo que o executivo faz reformas estruturais.
“Acabou o tempo em que a TAP era um brinquedo nas mãos de governos e de ministros”, disse o deputado do PSD Alexandre Poço, considerando que a decisão anunciada pelo Governo “permite começar a recuperar o investimentos que os contribuintes portugueses fizeram” na companhia aérea.
“Por isso, este dia de hoje é um dia positivo para o país, para a economia e para a TAP”, considerou.
Para o social-democrata, o interesse que a TAP despertou na Lufthansa e na Air France-KLM são indicadores do “bom momento que a economia portuguesa vive e o momento positivo que o país atravessa”.
Por sua vez, o líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, dirigiu as suas críticas, sem nomear ninguém, “àqueles que acusam o Governo de governar apenas para o dia a dia e não fazer reformas estruturais”.
“Esta decisão é uma decisão estruturante que prova que o Governo governa a pensar no futuro do país”, disse.
O centrista considerou também que hoje é um bom dia para o país e para o Governo, que, acrescentou, “cumpre o seu programa e organizou um processo absolutamente transparente e competitivo para concretizar a primeira fase da reprivatização da TAP”.
“É desde logo também um bom dia para a TAP, que mantém a sua sede e a sua marca em Portugal e que fica, desde hoje, associada ao maior grupo de aviação europeu, o que abre portas para a capitalização e para o desenvolvimento da atividade futura”, sublinhou.
c/Lusa