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TAP. PSD procura apoio de PS e Chega para a privatização total: "Qualquer um dos partidos pode ajudar a influenciar essa decisão"
Depois do anúncio da venda de parte do capital da TAP à Lufthansa, o PSD acredita que vai ser possível garantir apoios parlamentares para a avançar com a privatização total da companhia, sobretudo de Chega e PS.
Fotografias: Jorge Carmona e Gonçalo Costa Martins
"Pode ser qualquer um, e até poderiam ser os dois, porque, no final do dia, este é um negócio que é bom para o país. Atenção que há um processo autónomo relativamente à privatização total, que terá de correr os seus termos. A segunda fase terá de ser lançada e discutida com os membros do parlamento", assinalou a social-democrata, que considera que o resultado alcançado na privatização parcial demonstra o valor da TAP e o "sucesso" do processo negocial conduzido pelo Governo.
“Este é um negócio que é bom para o país”, defendeu, acrescentando que a operação permitirá também ao Estado português ir além do montante a receber pela venda de uma participação no capital, desde logo com garantia de investimentos previstos na formação aeronáutica, na manutenção e na modernização da frota.
"Estamos a falar de uma escola em Tancos que vai criar 200 postos de trabalho, para além de se abrir uma pista à aviação civil, estamos a falar de uma unidade de manutenção aeronáutica que se vai abrir em Santa Maria da Feira e são mais de 300 milhões de investimentos e 700 postos de trabalho", sublinhou.
No mesmo sentido, Inês Palma Ramalho entende que a venda à Lufthansa "reflete a saúde" da companhia que estava numa "posição extremamente debilitada" e que foi alvo de "injeções de capitais públicos".
A vice-presidente do PSD elogia ainda o trabalho desenvolvido pela gestão e pelos trabalhadores da TAP para recuperar a companhia, mas distingue esse esforço da decisão política de injetar dinheiro público na empresa: “Não basta injetar dinheiro”, afirmou, defendendo que a reestruturação transformou um ativo deficitário numa companhia "capaz de atrair o interesse" de grandes grupos internacionais.
PS não quer ser obstáculo, mas defende participação do Estado: "Temos de continuar o debate"
Pelo PS, o deputado Carlos Pereira considerou operação "positiva" e defendeu que a intervenção pública na TAP, durante a pandemia de Covid-19, foi indispensável para evitar o desaparecimento da companhia. “Sem a reestruturação, em 2020, nem sequer estávamos a ter este programa, nem sequer estávamos a falar sobre os méritos desta operação”, afirmou.
O deputado socialista rejeita as críticas feitas, sobretudo à direita, à nacionalização e à injeção de capital público, argumentando que a recuperação da empresa permitiu chegar à atual fase de privatização. Carlos Pereira salienta ainda que o Governo está a seguir o caminho definido no plano de reestruturação negociado com a União Europeia e que previa a venda da companhia.
"Foi o próprio governo de António Costa que disse que a privatização podia ir de 50% a 100%. No PS não há um consenso generalizado de que não pode haver uma privatização total", insistiu o deputado, que acrescenta que seria preferível, no entanto, que o Estado português mantivesse uma participação no capital da companhia aérea: "No plano europeu, temos companhias de bandeira que foram privatizadas e outras que foram integradas em grupos e alguns Estados continuaram a ter participação no capital. Não me choca, e eu acho que seria preferível, que o país continuasse a ter participação no capital". O deputado socialista rejeitou também centrar o debate na comparação entre o valor da venda e os cerca três mil milhões de euros injetados pelo Estado na companhia, defendendo que a importância económica da TAP não pode ser avaliada apenas pelo montante da operação.
"Perante aquilo que o país fez, e perante o que está em cima da mesa, eu acho que toda a operação que envolve a TAP serviu para recuperar significativamente [os cerca de três mil milhões investidos na companhia], porque não estamos a falar apenas do volume monetário", defendeu.
IL defende venda total: "Desde que o comprador seja credível e que dê as garantias certas"
A Iniciativa Liberal considera que a privatização total deve avançar e vê na Lufthansa um parceiro capaz de desenvolver a TAP de uma forma que o Estado português não conseguiria financiar. Na RTP Antena 1, o deputado Jorge Miguel Teixeira defendeu que a venda deve prosseguir "desde que o comprador seja credível e que dê as garantias certas".
"Querer apostar tudo no caderno de encargos e, ao mesmo tempo, maximizar o dinheiro que vai entrar na empresa é que não é realista, portanto, nunca entrámos no campeonato de fazer exigências irrealistas relativamente a esta operação. Queríamos que acontecesse com o comprador credível", assinalou o deputado liberal, que vê na companhia alemã Lufthansa um comprador "mais do que credível".
Segundo Jorge Miguel Teixeira, o Governo terá agora de assegurar a viabilização da venda total do capital da TAP e garantir que não há um recuo do processo.
"Porque não é a primeira vez que estamos a privatizar a TAP. É a segunda vez que estamos a passar por este processo. Da primeira vez aconteceu aquilo que se viu e houve uma reversão dessa privatização a muito custo para os portugueses. A questão de injeção que houve na TAP não foi só por causa da Covid-19. Os problemas da TAP eram pré-existentes", disse. Para o deputado liberal, o Estado português alcançou, no entanto, um negócio favorável com uma companhia que apresenta garantias de desenvolvimento no mercado aeronáutico.
"Estamos a falar de um investidor que tem, de facto, a capacidade para levar a TAP a ser mais ambiciosa de uma maneira que o Estado português nunca conseguiria ser nem teria capacidade", sublinhou.
BE exige acesso aos contratos e questiona negócio: "A última vez que Pinto Luz conduziu uma privatização foi uma catástrofe"
O Bloco de Esquerda considera que a TAP continua a ser um "ativo estratégico" para a economia portuguesa e contesta a ideia de que a venda seja necessariamente a melhor solução para o país. Na RTP Antena 1, o deputado Fabian Figueiredo defendeu que o Estado português já recuperou um valor "bem acima" dos cerca de três mil milhões de euros investidos na companhia, tendo em conta o contributo da TAP para a economia, o emprego, as exportações e a receita fiscal, e apontou ao ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.
"Queremos a documentação toda, porque uma coisa é o comício do ministro Miguel Pinto Luz e outra a documentação, ou seja, quais são os compromissos do Estado português. Queremos ver o que é que está nos contratos, porque a última vez que Miguel Pinto Luz conduziu um processo de privatização, o que se veio a saber depois foi uma catástrofe. A TAP acabou comprada com o próprio dinheiro", afirmou
O bloquista sublinhou também que a empresa tem um papel relevante no turismo e na atividade de milhares de empresas que dependem da operação da TAP e alertou para o facto de outras companhias aéreas europeias terem beneficiado de apoios públicos, considerando que esse contexto deve ser tido em conta na avaliação do negócio.
"Só há Lufthansa para comprar a TAP porque o Governo alemão injetou 9 mil milhões de euros. Já recebeu tudo de volta. O dinheiro injetado na TAP já veio todo de volta. Todo. O que a Lufthansa fez ao transferir os 9 mil milhões de euros foi num quadro de uma operação de capital que permitiu que não houvesse falência da empresa. Ou seja, até os liberais alemães, ao contrário dos liberais portugueses, perceberam que era importante não destruir o mercado aeronáutico alemão, que era isso que teria representado a falência da TAP", insistiu.
O programa Entre Políticos é moderado pelo jornalista João Alexandre.