UGT chumba reforma da lei laboral. Ministra marca reunião da Concertação Social para 7 de maio
O secretariado nacional da UGT rejeitou por unanimidade a última versão da proposta de revisão da legislação laboral apresentada pelo Governo. Acompanhamos aqui todas as reações.
Foto: António Pedro Santos - Lusa
PCP acusa Governo de intransigência na lei laboral e diz que PR "não pode ficar indiferente"
A líder parlamentar do PCP acusou hoje o Governo de intransigência e de insistir "num embuste" no pacote laboral, e defendeu que o Presidente da República "não pode ficar indiferente" numa proposta que já foi "rejeitada pelos trabalhadores".
Perante o anúncio da ministra do Trabalho de que vai convocar uma reunião de Concertação Social para 07 de maio para encerrar o processo negocial, instando a UGT a "mostrar que quer efetivamente uma aproximação", o PCP acusou o Governo de intransigência.
"O que a ministra ainda agora demonstrou foi essa mesma intransigência: aquilo que são as intenções iniciais do Governo estão lá todas, porque o objetivo por parte do Governo, do patronato e de todos aqueles que estão disponíveis para acompanhar o Governo com esta proposta - nomeadamente a IL e Chega - o que pretendem é de facto atacar os direitos dos trabalhadores", acusou.
Paula Santos insistiu que "este pacote laboral está mais do que rejeitado pelos trabalhadores", dando como exemplos a manifestação da CGTP na semana passada, e apelando à mobilização contra este diploma nas comemorações do 25 de Abril e 1.º de Maio.
Questionado o que espera do Presidente da República, caso o texto venha a ser aprovado no parlamento, a dirigente comunista considerou que António José Seguro "não pode ficar indiferente" à posição já expressa pelos trabalhadores.
"O Presidente da República também não pode ignorar aquilo que tem sido o posicionamento por parte dos trabalhadores portugueses, nem pode ficar indiferente relativamente a isso: esperamos que assuma uma posição condicente com o juramento que fez de cumprir, defender e fazer cumprir a Constituição", apelou, admitindo que o diploma poderá ter também artigos contrários à lei fundamental.
Para o PCP a proposta do Governo não representa "qualquer modernidade" em matéria de leis laborais, e, pelo contrário, "significa andar para trás, décadas para trás".
A ministra Maria do Rosário Palma Ramalho afirmou que "o Governo esperará nos próximos dias uma posição realmente construtiva e clara da UGT sobre os poucos pontos que ficaram em aberto" na sequência do processo negocial.
Palma Ramalho indicou ainda que "se essa posição vier" o executivo poderá "fazer um último esforço" de aproximação.
"Se não avançaremos com o diploma para o parlamento", acrescentou.
Iniciativa Liberal aponta "forças de bloqueio" na Concertação Social e no Parlamento
A presidente da IL considera que as centrais sindicais funcionam como forças de bloqueio, que são "avessas à mudança" e impedem que a legislação do trabalho deixe o século XX. A acusação de Mariana Leitão estendeu-se também ao PS e ao Chega.
Sobre o chumbo da UGT à proposta de revisão da lei laboral, Mariana Leitão desvalorizou o peso da decisão, já que "as centrais sindicais representam muito poucos trabalhadores, estamos a falar de sete a quinze por cento dos trabalhadores portugueses".
Ministra marca reunião da Concertação Social para 7 de maio
Maria do Rosário Palma Ramalho considera que o acordo para o pacote laboral agora apresentado está consolidado por todas as partes, "faltando apenas a ratificação da UGT nos seus órgãos". A ministra do Trabalho desafia assim a central a mostrar que quer uma aproximação e deixar "as fugas para a frente".
"Negociação presa pelo apoio do presidente à continuação das negociações"
"O Governo não pode continuar este simulacro de negociação, que se mantém presa pelo apoio do presidente da República à continuação das negociações. Não é possível continuar a simular uma negociação que, em alguns momentos, parece começar a ser uma negociação de má-fé, porque o Governo convoca reuniões atrás de reuniões, mas a sua proposta pouco ou nada evolui nas suas traves fundamentais".
PS acusa Governo de "simulacro de negociação"
O socialista Miguel Cabrita instou o Executivo Montenegro mostrar se está disponível para "alterar significativamente a proposta que tem sido sistematicamente rejeitada e criticada desde o início ou então assumir que não quer prosseguir o processo negocial".
"É uma proposta que mantém intactas as traves mestras que o Governo elegeu há nove meses e que obstinadamente mantém em cima da mesa: Mais contratos a prazo, maior instabilidade para os jovens, horários mais longos e mais mal pagos com prejuízo para as famílias, assim como despedimentos mais fáceis, redução de direitos sociais e laborais e sindicais".
Ministra do Trabalho fala às quatro
UGT rejeita alterações à legislação laboral por unanimidade
A decisão foi anunciada depois da reunião do secretariado nacional da UGT, que decorreu esta quinta-feira.
Mário Mourão não exclui nenhuma forma de luta, nomeadamente uma greve geral semelhante à de 11 de dezembro.
Quando foi apresentada, a proposta previa mais de 100 mudanças ao Código do Trabalho.
No que diz respeito às medidas mais criticadas pela UGT, segundo a proposta final a que a RTP teve acesso, o Governo deixa cair o alargamento da duração máxima dos contratos a termo certo e incerto e prevê alargar os serviços mínimos abrangidos em caso de greve apenas aos “serviços de cuidado a idosos, doentes, pessoas com deficiência e crianças institucionalizadas”.
Sobre a não reintegração de trabalhadores em caso de despedimento ilícito, o Governo propõe alargar essa medida para as pequenas e médias empresas, quando chegou a admitir incluir também as grandes empresas, e mexe também nas indemnizações a aplicar nestes casos.
A não reintegração após despedimentos ilícitos é uma das linhas vermelhas da UGT. No início, a medida poderia ser usada em todas as empresas. Agora apenas estão abrangidas as pequenas e médias empresas, deixando de fora a possibilidade das grandes empresas pedirem ao tribunal que exclua a reintegração de um trabalhador.
Em relação ao banco de horas, outro ponto quente da negociação, o Governo entende que "na falta de convenção coletiva de trabalho" possa "ser instituído por acordo expresso entre o empregador e o trabalhador".
Neste âmbito, mantém que "o período normal de trabalho pode ser aumentado até duas horas diárias e atingir 50 horas semanais, tendo o acréscimo por limite 150 horas por ano e um período de referência que não pode exceder quatro meses" e revoga o banco de horas grupal, estabelecendo que este “cessa no prazo de um ano a contar da entrada em vigor desta lei, salvo se, entretanto, se verificar algum facto extintivo desta modalidade de banco de horas”.
O Governo já avisou que mesmo sem acordo entre os parceiros sociais, vai entregar a proposta de reforma laboral no Parlamento.