A possibilidade de se candidatar para o lugar de sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa foi mencionada ainda em agosto, numa entrevista, onde logo começou a defender um Portugal “menos cinzento” e “bafiento”, e mais moderno. Candidatura que só veio a oficializar a 2 de novembro, numa apresentação no Centro Cultural de Belém, com vista a um país "preparado para o futuro" com foco na "cultura, conhecimento e crescimento".
João Cotrim de Figueiredo assumiu, desde esse primeiro dia, que o “caminho para Belém” estava a começar e sempre confiante de que vai à segunda volta.
Defensor da “liberdade individual”, esta candidatura é “assumida de forma livre e independente” e por “exclusiva iniciativa individual”. A maioria dos apoiantes, segundo o liberal de 64 anos, "não se reviam nos candidatos no terreno". Razão pela qual também admitiu, em diferentes ocasiões, que decidiu concorrer para ser o próximo chefe de Estado.
Numa entrevista à Antena 1, repetiu que estava na corrida a Belém para responder ao que denominou “eleitorado vasto que não se sentia representado em nenhum dos candidatos”.
Portugal "preparado para o futuro"
Dos candidatos a Belém, João Cotrim de Figueiredo não é o que tem mais anos de vida política. Ainda assim, no currículo inclui já a liderança da Iniciativa Liberal e a eleição, em 2019, como deputado pelo mesmo partido para a Assembleia da República. É atualmente deputado no Parlamento Europeu, tendo sido eleito nas Europeias do ano passado pela IL, integrando o grupo parlamentar Renovar a Europa – do qual é o atual vice-presidente.
A 13 de agosto deste ano admitiu que a Presidência da República podia ser o próximo passo na carreira política. E agora concorre nas eleições de janeiro de 2026 com vista à “construção de um Portugal moderno”.
“Esse país moderno terá de ser um país que funciona no presente e que prepara o Futuro”, lê-se no manifesto da candidatura, apresentada sob o lema “Imagina Portugal”.
Porque um país que prepara o futuro é um país “que encara os desafios geopolíticos, as reformas no projeto europeu e as mudanças tecnológicas com otimismo”. Projeto de presente e futuro para um país que, segundo esta candidatura, “precisa de um presidente da República que inspire os portugueses e quem os governe no sentido da criação de um Portugal melhor”.
Ideia reforçada no discurso de apresentação da candidatura, focada nos “três C’s” que o candidato formado em Economia vê como primordiais: cultura, conhecimento e crescimento“Estes 3 C – Cultura, Conhecimento e Crescimento – são a base da ambição que quero devolver aos portugueses. Porque os portugueses, quando convocados a provar o seu valor, não tremem nem falham”.
Em várias intervenções ao longo da campanha, Cotrim criticou a “falta de ambição da política portuguesa” e defendeu que o país não pode estagnar nem contentar-se com a situação atual: tem de olhar para o futuro com confiança e dinamismo. O empresário e gestor de carreira acredita mesmo que o chefe de Estado deve ser uma “referência otimista, confiante e desafiadora” que ajuda a mobilizar o país para mudanças necessárias.
A independência da presidência face a partidos e interesses é uma das ambições desta candidatura, que defende que “a saúde da nossa Democracia depende da força das nossas instituições”. E, nesse sentido, Cotrim de Figueiredo quer “promover o diálogo, a transparência e a ética em todas as relações políticas”.
Se for eleito, enquanto presidente da República, João Cotrim de Figueiredo pretende representar Portugal a nível internacional, mostrando ao mundo “o potencial de Portugal, salvaguardando as nossas alianças históricas, como a Atlântica”, assim como as “plataformas de cooperação, como a lusofonia”.
Candidato liberal do mundo dos negócios
“Imagina um país moderno, capaz de produzir grandes obras da cultura e do conhecimento, capaz de inovar e se desenvolver economicamente, capaz de produzir valor e gerar grandes oportunidades de vida para os portugueses. Podemos imaginar e concretizar porque só depende de nós”, foi desta forma resumida que João Cotrim de Figueiredo apresentou, nas redes sociais, os cartazes e outdoors de campanha.
Em várias ruas de cidades e localidades portuguesas, a imagem do candidato liberal aparece em destaque, de perfil, acompanhada por uma descrição: “um presidente com o perfil certo”.
João Cotrim de Figueiredo estudou no Colégio Alemão de Lisboa até aos 18 anos, por influência do avô paterno que era apreciador da disciplina alemã. Apesar da educação, disse em diversas ocasiões não ter nascido em berço de ouro. E com 15 anos, em junho de 1976 andava a vender de porta em porta pelas ruas de Lisboa. O negócio dos cabides Manequim foi criado pelo bisavô e passou de geração em geração.
Aos 18 anos, numa altura em que não era tão comum os jovens portugueses irem estudar para fora, Cotrim de Figueiredo rumou a Londres para frequentar a London School of Economics. Não deixou, contudo, de trabalhar no verão e enquanto estudava, tendo acumulado muitos trabalhos para ajudar a pagar as despesas no Reino Unido.
Anos depois, quando regressou a Lisboa já licenciado em Economia, fez um MBA em Administração, Negócios e Marketing pela Universidade Nova, com vista a dedicar-se ao mundo dos negócios, como sempre sonhou.
Entrou no Turismo de Portugal em 2013, a convite de António Pires de Lima, onde foi presidente do Conselho Diretivo e, na mesma altura, esteve envolvido nas negociações para trazer a Web Summit para Portugal. Já em 2015 foi eleito vice-presidente da European Travel Commission, que junta instituições e organismos do setor do turismo de 33 países europeus.
Deu os primeiros passos na política em 2019, ano em que se candidatou pela primeira vez à Assembleia da República como cabeça de lista da Iniciativa Liberal. Conseguiu, então, ser o primeiro deputado eleito pelo partido.
Agora, já com 64 anos e alguma experiência política, apresenta-se na corrida a Belém, prometendo conquistar popularidade nas redes sociais e com o objetivo de chegar à segunda volta.