Política
Vereador do BE quer mudar o nome da ponte Marechal Carmona
O vereador do BE na Câmara de Vila Franca de Xira, Carlos Patrão, propôs que se abra uma discussão sobre a ponte que ainda ostenta o nome do primeiro chefe de Estado da ditadura salazarista. O presidente Alberto Mesquita (PS) opôs-se ao desígnio bloquista.
O vereador bloquista Carlos Patrão propôs, segundo citação do semanário regional Mirante, "fazer uma discussão em torno do nome da ponte e alterá-lo".
E fundamentou a proposta, explicando que o nome Marechal Óscar Carmona "já não traduz
o que é o nosso concelho e a nossa sociedade. Nas diferentes placas que
existem na ponte o nome até já foi arrancado. Até aí há um certo
desleixo que não deverá ser alheio ao nome que a ponte tem”.
O presidente da Câmara, Alberto Mesquita, manifestou a sua discordância com o que considera serem “ajustes de contas” com o passado.
A ponte sobre o Tejo em Vila Franca de Xira completa no dia 30 de Dezembro 67 anos de funcionamento e é a única na Área Metropolitana de Lisboa que pode atravessar sem o pagamento de qualquer portagem.
A abertura de uma discussão pública sobre a ponte de Vila Franca de Xira poderá trazer à ordem do dia vários pontos controversos da toponímia lisboeta. Da rotunda do Relógio a Cabo Ruivo estende-se, nomeadamente, a Avenida Marechal Gomes da Costa, que foi o primeiro chefe de Estado da ditadura militar, logo após o golpe do 28 de Maio de 1926.
E no cruzamento da Avenida Gago Coutinho com a Avenida Estados Unidos da América começa a Avenida Marechal António de Spínola. Apesar de ter sido o primeiro chefe de Estado após o 25 de Abril, Spínola teve um papel mal esclarecido na entrega de refugiados republicanos a Franco durante a Guerra Civil de Espanha, foi observador junto da Wehrmacht no mortífero cerco de Leninegrado, foi depois mentor da operação "Mar Verde" contra a Guiné-Conakri, e ainda responsável pelo putsch de 11 de Março de 1975. A escolha do nome de Spínola para aquela avenida impôs-se contra uma forte oposição da esquerda na Câmara.
Dum modo geral, todas as democracias levaram a cabo "ajustes de contas" com as toponímias glorificadoras das ditaduras precedentes. É verdade que o regime nascido em 25 de Abril tolerou ainda durante meio ano o nome de Salazar na principal ponte de então sobre o Tejo. Mas este acabou por ser mudado por iniciativa do coronel João Varela Gomes, aquando das primeiras comemorações em liberdade do 5 de Outubro.
De qualquer modo, a "Ponte 25 de Abril" aí está agora com um nome que ninguém pensa em substituir pelo anterior, como monumento aos "ajustes de contas" toponímicos.