Volt considera vergonhoso "fazer campanha" com expulsão de imigrantes

O co-presidente e cabeça do Volt Portugal defendeu hoje a entrada de imigrantes de forma ordenada no país e considerou "vergonhoso fazer campanha eleitoral" com o anúncio da "expulsão em massa" de pessoas que trabalham.

Lusa /

"É lamentável que um partido de governo ache que pode ganhar votos com a expulsão em massa de pessoas que trabalham. A lei é para cumprir, mas fazer campanha eleitoral sobre isso é vergonhoso. Por outro lado, tenho dúvidas sobre como é que o governo planeia dar resposta aos mais de 130 mil postos de trabalho que estão por preencher na restauração e na construção", declarou.

Duarte Costa falava aos jornalistas em frente à sede da Agência para a Integração Migrações e Asilo (AIMA), numa ação de campanha eleitoral às legislativas de 18 de maio. O Governo anunciou que a AIMA vai começar a notificar 4.574 cidadãos estrangeiros, nesta semana, para abandonarem o país voluntariamente em 20 dias, tema que marcou a campanha eleitoral nos últimos dias.

"Nós podemos ter entrada de imigrantes sem ser de uma forma desordenada, precisamos de planeamento, mas, sobretudo, precisamos de especializar a economia portuguesa numa economia de alto valor acrescentado, que gera postos de trabalho, que, por exemplo, os portugueses sonham com eles, mas que vão buscá-los noutros países europeus", argumentou.

Duarte Costa destacou propostas a nível europeu que permitem uma combinação entre trabalhadores, quem quer trabalhar na União Europeia (UE), e quem tem vagas por preencher".

O dirigente considerou que a diretiva europeia denominada `Talent Pool`, uma iniciativa que tem por objetivo criar a primeira ferramenta de correspondência a nível da UE para facilitar o recrutamento internacional é uma resposta que devia ser adotada em Portigal porque, alegou, depender de consulados é "uma ilusão" porque "funcionam pior do que a AIMA"

"O Governo deveria aproveitar esta ferramenta europeia e fazê-la implementar mais rápido para ser 100% digital e não ter processos morosos como este que vemos aqui", disse.

O programa eleitoral do Volt propõe "alargar e apoiar o trabalho de associações e organizações da sociedade civil que trabalham na linha da frente da inclusão de migrantes" e defendendo ser necessário promover valores como a "igualdade de género, sustentabilidade incluindo separação de lixo e higiene pública, essenciais da convivência em Portugal como códigos de conduta anti-assédio e a lei do ruído". 

Duarte Costa considerou que no diálogo com as pessoas identifica que "há um problema muitas vezes de convivência entre imigrantes e nativos devido a problemas de ruído, problemas de higiene urbana e problemas de assédio", ressalvando que não se trata de uma "generalização sobre todos os imigrantes".

"Nós sabemos que há diferenças culturais, não podemos simplesmente trazer os imigrantes e utilizar esta força de trabalho de forma barata, sem lhes dar a preparação, para não só viver bem no plano da regularização dos papéis e da aprendizagem da língua, mas também para perceberem rapidamente e para adotarem rapidamente aquilo que necessitam de aprender para conviverem bem nas nossas cidades e nos nossos bairros", acrescentou. 

 O Volt apresentou listas às eleições legislativas antecipadas em 20 dos 22 círculos eleitorais, com exceção das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. 

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