Numa publicação no Twitter, Donald Tusk garante que durante as consultas antes do Conselho Europeu vai apelar aos 27 Estados-membros da União Europeia para estarem
“abertos para um longo adiamento se o Reino Unido considerar que é necessário para repensar a sua estratégia de Brexit e construir um consenso nesta matéria”. O presidente do Conselho Europeu deixa um aviso: Londres tem de mudar de posição para conseguir um longo adiamento”.
O Conselho Europeu reúne-se em Bruxelas entre 21 e 22 de março, com o Brexit na agenda. Para preparar o encontro, Tusk vai reunir esta sexta-feira com o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, com a chanceler alemã Angela Merkel e com o Presidente francês Emmanuel Macron na segunda-feira. Terça-feira vai encontrar-se com o primeiro-ministro irlandês Leo Varadkar.
A proposta de Donald Tusk surge no dia em que os deputados britânicos vão votar, pela terceira vez esta semana. Hoje, o Parlamento britânico vai decidir sobre um eventual pedido à União Europeia para um adiamento da data de saída do Reino Unido da União Europeia, que por agora está fixado para 29 de março, dentro de duas semanas.
A moção que será hoje apresentada para votação na câmara baixa de Westminster, consta a ideia de que, se os deputados aprovarem um acordo até à próxima quarta-feira, 20 de março, o Governo pedirá uma prorrogação “técnica” da saída, até 30 de Junho, o suficiente para aprovar internamente a legislação necessária.
A primeira-ministra já deixou um ultimato aos deputados, uma forma de pressão para tentar inverter os votos negativos ao seu acordo, mesmo dentro do seu partido.
Theresa May é clara: caso o acordo que negociou com a UE não seja aprovado até dia 20 de março, véspera do Conselho Europeu, terá de pedir um adiamento prolongado do Brexit que obriga a participar nas eleições europeias. É o que a primeira-ministra chamou de “escolha fundamental que a câmara enfrenta”.
"Se tal não acontecer, então é muito provável que o Conselho Europeu, na sua reunião no dia seguinte, exija um propósito claro para qualquer extensão, nomeadamente para determinar a sua duração", refere o texto da moção que é votada hoje.
O Governo britânico vinca, na sua moção, que qualquer prorrogação para além de 30 de junho exige que o Reino Unido realize eleições para o Parlamento Europeu em maio.
“Não acho que este seja o melhor desenlace”, realçou Theresa May.
“Mas a câmara tem de enfrentar as consequências das decisões que tomou”, atirou a primeira-ministra, minutos depois de conhecidos os resultados das votações desta quarta-feira em que uma maioria de 321 deputados contra 278 descartou um 'Brexit' sem acordo, seja em que circunstância for.
A data dessa terceira votação ao acordo de May com a União Europeia ainda não tem data estabelecida. É a terceira tentativa para fazer passar o acordo, depois de duas esmagadoras derrotas, em janeiro (por 230 votos) e esta semana (por 149 votos).
Na declaração que fez após a votação, cujo resultado não é vinculativo, a primeira-ministra britânica, Theresa May, disse que na lei continua que o Reino Unido vai sair da UE, e que sair com o acordo que o executivo negociou com Bruxelas continua a ser a melhor forma de garantir o 'Brexit'.
Negociação terminada
A União Europeia já avisou que um pedido de adiamento do Brexit vai necessitar de unanimidade dos restantes 27 Estados-membros da União.
“Se um adiamento adicional for pedido [pelo Reino Unido], é necessário que nos expliquem porquê (…). Não é para renegociar um acordo que já negociámos durante meses e que já dissemos que não é renegociável”, declarou esta quarta-feira o Presidente francês, Emmanuel Macron.
“A negociação está terminada”, reafirmou ainda o negociador da União Europeia, Michel Barnier. “O Reino Unido tem de nos dizer o que quer para a nossa relação futura”, acrescentou.
Estes são avisos vistos pelos analistas como um apelo a que os britânicos mudem o seu modelo de Brexit.
O ministro britânico das Finanças argumentou, em entrevista à Sky News, que Bruxelas pode insistir num adiamento significativo se o Governo solicitar a alteração da data de saída.
“Não está no nosso controlo e a União Europeia assinala que só se tivermos um acordo é que poderá estar disponível para garantir um curto adiamento técnico para aprovar legislação”, disse Philip Hammond.
“Se não temos um acordo, e se ainda estivermos a discutir entre nós qual é o caminho certo a seguir, então é bem possível que a União Europeia insista num período de adiamento significativamente maior”, disse o ministro.