Itália com "fraco início de ano" cresce menos do que esperado em 2021

A economia italiana está a registar um "fraco início de ano" devido às restrições aplicadas para conter a covid-19, devendo crescer 3,4% em 2021, menos do que estimado anteriormente pela Comissão Europeia, segundo projeções hoje divulgadas.

Lusa /
Reuters

"Devido ao reporte negativo a partir do quarto trimestre de 2020 e ao fraco início deste ano, prevê-se que o PIB [produto interno bruto] cresça 3,4% em 2021", justifica o executivo comunitário no capítulo dedicado a Itália nas previsões macroeconómicas intercalares de inverno, hoje divulgadas.

Numa altura em que a pandemia da covid-19 continua bem presente e a atrasar o ritmo de recuperação económica na União Europeia, a instituição estima que "a produção real deverá crescer a um ritmo semelhante em 2022, devido ao impulso ganho no segundo semestre deste ano e à contínua recuperação do setor dos serviços".

Isto significa que, em 2022, o ritmo de crescimento da economia italiana deverá manter-se ao mesmo nível, fixando em 3,5%.

Estes dados comparam com estimativas de crescimento de 4,1% para 2021 e de 2,8% para 2022, nas anteriores previsões macroeconómicas de outono da Comissão Europeia.

"Após a forte recuperação do PIB durante o verão, quando a economia italiana recuperou quase três quartos da perda de produção ocorrida no primeiro semestre de 2020, a pandemia de covid-19 voltou a motivar um aperto para o seu controlo. O aumento das taxas de infeção e de internamento exigiu que o Governo reimpusesse restrições à mobilidade e à atividade económica, implicando uma contração da produção no outono, que deverá continuar no primeiro trimestre de 2021", sustenta a instituição no documento.

Ainda assim, de acordo com a Comissão Europeia, "as medidas de contenção mais recentes afetam diretamente uma fração muito menor da atividade económica", em comparação com a primavera de 2020, já que por exemplo setores como o da indústria estão a funcionar.

Destacando os grandes impactos das restrições em Itália noutros setores como os serviços e o turismo, a instituição nota que "a recuperação projetada assenta num apoio político contínuo para amortecer as consequências da pandemia sobre os rendimentos e o emprego e para preservar a viabilidade das empresas com dificuldades de liquidez, particularmente as pequenas e médias empresas".

Aqui incluem-se as políticas orçamentais, não sendo considerado o futuro impacto dos fundos comunitários pós-crise da covid-19 (o Próxima Geração UE), que deverá traduzir-se num "risco ascendente considerável para as perspetivas de crescimento".

Já o "pressuposto relaxamento das restrições até ao verão de 2021 deverá beneficiar particularmente os gastos dos consumidores", acrescenta a Comissão Europeia.

No que toca à inflação, a estimativa é que se fixe em 0,8% este ano, devendo subir ligeiramente para 0,9% em 2022.

Isto porque, em 2021, "os efeitos de base positivos relacionados com o aumento projetado dos preços da energia são parcialmente compensados pela folga existente na economia, o que limita as possibilidades de crescimento dos salários", justifica ainda a instituição.

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