Eva Kaili. Vice-presidente do Parlamento Europeu em prisão preventiva

por Andrea Neves, correspondente da Antena 1 em Bruxelas

EPA

Eva Kaili, vice-presidente do Parlamento Europeu, ficou em prisão preventiva acusada de corrupção. O companheiro, assessor de outro eurodeputado, também recebeu ordem de prisão, bem como outro ex-parlamentar do grupo dos socialistas e democratas. O chefe da Confederação Internacional de Sindicatos sai em liberdade, mas com fortes medidas de coação.

Eva Kaili é suspeita de estar envolvida num vasto esquema de corrupção relacionado com o Catar, na qual alegadamente participaram atuais e antigos deputados, assistentes e outras figuras públicas do meio europeu em Bruxelas.

Kaili, de nacionalidade grega e entre os 14 vice-presidentes do Parlamento Europeu, está agora formalmente acusada de corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, de acordo com o jornal belga Le Soir.

Recorde-se que a eurodeputada não pode beneficiar da imunidade parlamentar porque foi detida em “em flagrante delito” e a lei belga não permite que, nestes casos, a imunidade seja acionada.A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, já decidido destituiu kaili de todas as tarefas delegadas pela presidente do hemiciclo europeu, incluindo a de representá-la na região do Médio Oriente.

O pai da vice-presidente, que foi detido com uma mala cheia de dinheiro vivo, ao tentar sair de um hotel em Bruxelas, vai para já permanecer em liberdade. Ao todo, foram apreendidos 600 mil euros em dinheiro.

No centro da investigação estão eventuais relações com o Catar, país suspeito de influenciar decisões económicas e políticas do Parlamento Europeu, através do pagamento de substanciais somas de dinheiro ou pela oferta de presentes significativos, de acordo com o Ministério Público Federal da Bélgica.

O gabinete belga não refere expressamente o Catar, mas várias fontes ligadas ao processo referem que esta distribuição de dinheiro faz parte de uma política global do estado do Catar com o objetivo de influenciar pessoas em posições estratégicas para que valorizem o país em público. Neste caso, “suspeita-se do pagamento de avultadas quantias em dinheiro ou da oferta de presentes significativos para, no seio do Parlamento Europeu, influenciar as decisões” desta instituição, sublinha o Gabinete Federal da Bélgica.
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