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"Fake news". Bruxelas aperta cerco a Facebook, Twitter e Google
A poucos meses das eleições para o Parlamento Europeu, o Executivo comunitário insta os gigantes da Internet a redobrarem esforços para contrariar os movimentos de desinformação. Bruxelas planeia mesmo pôr em marcha um exercício alargado de combate à disseminação de notícias falsas.
Sobe o tom do discurso da Comissão Europeia para com colossos do universo digital como a Google e as redes sociais Facebook e Twitter. É preciso, nas palavras do comissário europeu Julian King, “acelerar o ritmo” de implementação das medidas que estas empresas projetaram para contrariar o fenómeno das fake news - notícias falsas –, quando faltam quatro meses para as eleições europeias.A Comissão Europeia lamenta que o código de conduta não tenho sido assinado por qualquer grande grupo do universo publicitário.
“Acabou o tempo das palavras bonitas”, clamava na semana passada a comissária europeia para a Economia e Sociedade Digital, a búlgara Mariya Gabriel. Uma mensagem reforçada pelo britânico Julian King, comissário com o portefólio da União da Segurança.
Coube a estes dois membros da Comissão Juncker apresentar um primeiro balanço do código de conduta - sem força vinculativa – assinado no outono do ano passado por Google, Facebook, Twitter e Mozilla, responsável pelo browser Firefox. Ao abrigo deste instrumento, as empresas assumiram o compromisso de destrinçar conteúdos publicitários ou propagandísticos e informação, encerrando de forma célere contas tidas como falsas.
“Houve alguns progressos, nomeadamente no que diz respeito à supressão de contas falsas e à limitação da visibilidade de sites que promovam a desinformação”, admite a Comissão Europeia, para logo contrapor que se impõem “medidas suplementares” para “garantir a transparência de propagandas políticas até ao início da campanha para as eleições europeias em todos os Estados-membros da UE”.
Outra exigência de Bruxelas passa pelo “acesso apropriado” aos dados dos diferentes operadores da Internet, desde logo do Facebook.
A Comissão pretende agora publicar mensalmente relatórios sobre o cumprimento do código de conduta. No final do ano deverá haver lugar à publicação de resultados de “uma avaliação completa”. E “se os resultados se revelarem insatisfatórios, a Comissão poderá propor outras ações, incluindo de natureza regulatória”.
O que se espera do Facebook
A rede social de Mark Zuckerberg anunciou recentemente que se prepara para implementar “novas ferramentas”, tendo em vista, precisamente, contrariar “interferências” nas eleições para o Parlamento Europeu, assim como “tornar a publicidade política mais transparente”.
É sobre o Facebook que incide, neste capítulo, a maior porção dos holofotes de Bruxelas. A rede social tem sido amplamente responsabilizada por ter permitido campanhas de desinformação e mesmo manipulação do eleitorado dos Estados Unidos, alegadamente desencadeadas a partir da Rússia, na eleição presidencial de 2016, que deu a Casa Branca a Donald Trump. Assim como na campanha para o referendo sobre o Brexit.
Para a Comissão, falta que o Facebook “clarifique a forma como vai aplicar as ferramentas” e reforce, em simultâneo, “a cooperação com os fact checkers e a comunidade de investigadores no conjunto da UE”.
Relativamente à Google, Bruxelas reprova que as respetivas ferramentas de transparência “só estejam disponíveis num pequeno número de Estados-membros”. E quanto ao Twitter apela a que este faculte “mais informações” sobre o que pretende fazer para travar os “produtores de desinformação”.
Exercício europeu
Face às brechas reveladas na esteira das eleições norte-americanas e no referendo sobre a saída do Reino Unido da União, a Comissão Juncker prepara-se para levar a cabo um exercício alargado de simulação de combate às fake news. O que deverá acontecer a dois meses das europeias, um “alvo potencial”.
“Não temos serviços secretos na Comissão Europeia, mas trabalhamos com serviços secretos dos Estados-membros e, neste preciso momento em que falo, não há qualquer indício que sugira que alguém em particular está a visar as eleições europeias. Mas basta olhar para o histórico de recentes eleições em diferentes partes do mundo e para a natureza das eleições europeias, que decorrem ao longo de vários dias em pelo menos 27 Estados-membros, para perceber que são um alvo potencial”, fez notar esta terça-feira o comissário Julian King, durante um debate sobre o tema promovido em Bruxelas pelo European Policy Centre – um centro de reflexão.
Na sua intervenção, citada pela agência Lusa, King assinalou que esta vertente das eleições é “motivo de grande preocupação”, pelo que “há que estar preparado”.
“Planeamos realizar um exercício em finais de março, início de abril, nos diferentes Estados-membros, para treinar uma resposta a uma campanha de desinformação coordenada”, adiantou o comissário para a União da Segurança.
“Essa rede de alerta rápido está a ser constituída e queremos tê-la operacional a tempo de fazer alguns exercícios antes das eleições para o Parlamento Europeu, para testar de que forma lidamos e reagimos com a propagação de campanhas coordenadas”, reforçou.
“Um Ministério da Verdade”
Por outro lado, Julian King advertiu para a necessidade de prevenir que a Comissão Europeia seja vista “como um Ministério da Verdade”.
“Precisamos de ser muito cautelosos para não seguir uma via que pode ser interpretada como censura. Se o fizermos, podemos ser acusados de ingerência na vida política interna dos Estados-membros, o que seria contraproducente”, vincou.
Lançado há dois meses, o plano de ação da Comissão Europeia assenta em quatro capítulos descritos como “essenciais para reforçar eficazmente as capacidades da UE e a cooperação entre esta e os Estados-membros”: “assegurar uma deteção mais eficaz” de notícias falsas; “formular uma resposta coordenada”; atuar em “plataformas e serviços em linha”; “sensibilizar e capacitar os cidadãos”.
c/ agências
“Acabou o tempo das palavras bonitas”, clamava na semana passada a comissária europeia para a Economia e Sociedade Digital, a búlgara Mariya Gabriel. Uma mensagem reforçada pelo britânico Julian King, comissário com o portefólio da União da Segurança.
Coube a estes dois membros da Comissão Juncker apresentar um primeiro balanço do código de conduta - sem força vinculativa – assinado no outono do ano passado por Google, Facebook, Twitter e Mozilla, responsável pelo browser Firefox. Ao abrigo deste instrumento, as empresas assumiram o compromisso de destrinçar conteúdos publicitários ou propagandísticos e informação, encerrando de forma célere contas tidas como falsas.
“Houve alguns progressos, nomeadamente no que diz respeito à supressão de contas falsas e à limitação da visibilidade de sites que promovam a desinformação”, admite a Comissão Europeia, para logo contrapor que se impõem “medidas suplementares” para “garantir a transparência de propagandas políticas até ao início da campanha para as eleições europeias em todos os Estados-membros da UE”.
The platforms have to go further and faster in taking action against #disinformation - my remarks from the press conference on Tuesday: https://t.co/5ADd9zJIjb
— Julian King (@JKingEU) 1 de fevereiro de 2019
Outra exigência de Bruxelas passa pelo “acesso apropriado” aos dados dos diferentes operadores da Internet, desde logo do Facebook.
A Comissão pretende agora publicar mensalmente relatórios sobre o cumprimento do código de conduta. No final do ano deverá haver lugar à publicação de resultados de “uma avaliação completa”. E “se os resultados se revelarem insatisfatórios, a Comissão poderá propor outras ações, incluindo de natureza regulatória”.
O que se espera do Facebook
A rede social de Mark Zuckerberg anunciou recentemente que se prepara para implementar “novas ferramentas”, tendo em vista, precisamente, contrariar “interferências” nas eleições para o Parlamento Europeu, assim como “tornar a publicidade política mais transparente”.
É sobre o Facebook que incide, neste capítulo, a maior porção dos holofotes de Bruxelas. A rede social tem sido amplamente responsabilizada por ter permitido campanhas de desinformação e mesmo manipulação do eleitorado dos Estados Unidos, alegadamente desencadeadas a partir da Rússia, na eleição presidencial de 2016, que deu a Casa Branca a Donald Trump. Assim como na campanha para o referendo sobre o Brexit.
Para a Comissão, falta que o Facebook “clarifique a forma como vai aplicar as ferramentas” e reforce, em simultâneo, “a cooperação com os fact checkers e a comunidade de investigadores no conjunto da UE”.
Relativamente à Google, Bruxelas reprova que as respetivas ferramentas de transparência “só estejam disponíveis num pequeno número de Estados-membros”. E quanto ao Twitter apela a que este faculte “mais informações” sobre o que pretende fazer para travar os “produtores de desinformação”.
Exercício europeu
Face às brechas reveladas na esteira das eleições norte-americanas e no referendo sobre a saída do Reino Unido da União, a Comissão Juncker prepara-se para levar a cabo um exercício alargado de simulação de combate às fake news. O que deverá acontecer a dois meses das europeias, um “alvo potencial”.
“Não temos serviços secretos na Comissão Europeia, mas trabalhamos com serviços secretos dos Estados-membros e, neste preciso momento em que falo, não há qualquer indício que sugira que alguém em particular está a visar as eleições europeias. Mas basta olhar para o histórico de recentes eleições em diferentes partes do mundo e para a natureza das eleições europeias, que decorrem ao longo de vários dias em pelo menos 27 Estados-membros, para perceber que são um alvo potencial”, fez notar esta terça-feira o comissário Julian King, durante um debate sobre o tema promovido em Bruxelas pelo European Policy Centre – um centro de reflexão.
Na sua intervenção, citada pela agência Lusa, King assinalou que esta vertente das eleições é “motivo de grande preocupação”, pelo que “há que estar preparado”.
“Planeamos realizar um exercício em finais de março, início de abril, nos diferentes Estados-membros, para treinar uma resposta a uma campanha de desinformação coordenada”, adiantou o comissário para a União da Segurança.
“Essa rede de alerta rápido está a ser constituída e queremos tê-la operacional a tempo de fazer alguns exercícios antes das eleições para o Parlamento Europeu, para testar de que forma lidamos e reagimos com a propagação de campanhas coordenadas”, reforçou.
“Um Ministério da Verdade”
Por outro lado, Julian King advertiu para a necessidade de prevenir que a Comissão Europeia seja vista “como um Ministério da Verdade”.
“Precisamos de ser muito cautelosos para não seguir uma via que pode ser interpretada como censura. Se o fizermos, podemos ser acusados de ingerência na vida política interna dos Estados-membros, o que seria contraproducente”, vincou.
Lançado há dois meses, o plano de ação da Comissão Europeia assenta em quatro capítulos descritos como “essenciais para reforçar eficazmente as capacidades da UE e a cooperação entre esta e os Estados-membros”: “assegurar uma deteção mais eficaz” de notícias falsas; “formular uma resposta coordenada”; atuar em “plataformas e serviços em linha”; “sensibilizar e capacitar os cidadãos”.
c/ agências