União Europeia
Portugueses olham para a União Europeia como um lugar de estabilidade
Já são conhecidos os dados do último Eurobarómetro do Parlamento Europeu. Nove em cada dez cidadãos nacionais dizem que a UE é um porto seguro num mundo conturbado.
Com entrevistas presenciais em todos os Estados-membros, foi possível concluir que os portugueses são dos que mais confiança têm na União Europeia e querem mesmo um papel mais interventivo do hemiciclo europeu.
Confiança num mundo conturbado
O Eurobarómetro da Primavera do Parlamento Europeu reforça a posição de Portugal como um dos países que mais confia na União Europeia.
São 94 por cento os cidadãos nacionais que dizem que a União é um lugar de estabilidade num Mundo conturbado (apenas 5 por cento discordam).
É um número muito acima da média europeia onde 75 por cento olham para a Europa como sinónimo de segurança no atual contexto geopolítico. Estabilidade nos valores, nas prioridades e das Instituições sobretudo no que se refere ao Parlamento Europeu.
Alfredo Sousa de Jesus, Chefe do Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal refere que “o primeiro dado a destacar é a estabilidade no Mundo. 9 em cada dez portugueses olham para a União Europeia como um espaço de estabilidade. E quando o mundo se depara com conflitos armados e guerras económicas e comerciais, a União Europeia aparece para 90 por cento dos portugueses com um baluarte de estabilidade. Um número muito acima da média europeia que se fica pelos 75 por cento”.
É de facto um dado importante (9 em cada dez portugueses olham para a EU como um lugar de estabilidade) quando se percebe, também por este inquérito, que os cidadãos nacionais vivem sobretudo num sentimento de incerteza. Foram 49 por cento os que referiram esta sensação quando questionados sobre qual o sentimento que melhor define o seu estado emocional atual. São 44 por cento os que assim se sentem quando analisamos a média europeia.
Mas para os portugueses a incerteza vive lado a lado com a esperança referida por 48 por cento (acima da média europeia de 43) e com a confiança (43 por cento PT; 33% por cento UE).
Os inquiridos podiam escolher até 4 respostas e estas foram as mais referidas pelos cidadãos nacionais que depois se manifestaram também ansiosos (33 por cento, acima da média europeia de 21 por cento).
Só 7 por cento referem uma sensação de desamparo, 13 por cento de frustração e 5 por cento de raiva.
Pelas respostas alcançadas percebe-se que 19 por cento dos portugueses têm sentimentos de felicidade (na média dos 27 é um sentimento referido por 22 por cento) mas 25 por cento referem a determinação como forte sentimento (4 pontos percentuais acima da média).
Apesar da incerteza, a confiança na estabilidade da União Europeia determina que 65 por cento dos inquiridos em território nacional admitam que estão otimistas quando ao futuro da União Europeia. Um valor que subiu um ponto em relação ao último Eurobarómetro. Nos 27, em média, são 59 os otimistas (quando aos pessimistas sobre o futuro da Europa são 32 por cento em Portugal e 37 por cento na média europeia).
Menor é a confiança quanto ao futuro do Mundo. Só 38 por cento estão otimistas na Europa e 41 por cento em Portugal (um valor que desceu 5 pontos em relação ao último inquérito do Parlamento Europeu).
Há divergências quando a pergunta se refere ao futuro do país e ao futuro de cada um e das famílias. O otimismo dos portugueses sobre o futuro de Portugal é de 60 por cento (em linha com o que responderam os nacionais de outros países) mas é maior no que se referem a si mesmos: Portugal regista 70 por cento de otimismo (um valor que desceu em dois pontos e está 6 abaixo da perspetiva média dos cidadãos de outros países).
97 por cento dos portugueses considera que os Estados-membros da UE devem reforçar a sua união para enfrentar desafios globais atuais e 92 por cento que são precisos mais recursos para que a União possa enfrentar esses desafios (muito acima da média dos 27 que se situa nos 73 por cento).
Benefícios de fazer parte da União Europeia90 por cento dos inquiridos em Portugal admitem que o país beneficiou por fazer parte da União Europeia. De novo um número acima da média europeia (74 por cento). Apenas 7 dizem que não houve nenhuma benefício para o país por ser Estado-membro da União Europeia.
No que se refere a que benefícios há diferenças entre o que sentem os portugueses e a média dos nacionais dos outros 26 países.
Enquanto a maioria, na média dos 27, refere que a UE contribui para manter a paz e reforçar a segurança, este é um benefício só referido em 5º lugar pelos portugueses (40 por cento UE; 24 por cento PT).
Os portugueses preferiram destacar (43 por cento) o facto de a União Europeia dar a Portugal uma voz mais forte no Mundo. Em segundo lugar referem que a EU contribui para o desenvolvimento económico do país (40 por cento), em terceiro salientam o facto de trazer novas oportunidades de trabalho (31 por cento) e em quarto o facto de melhorar o nível de vida dos europeus (26 por cento).
Só 15 por cento admitem que a União Europeia ajuda a manter a democracia no país e poucos dizem que ajuda a enfrentar as alterações climáticas (7 por cento) ou a combater o terrorismo (8 por cento).
Nota ainda para um sentimento partilhado entre os nacionais de todos os Estados-membros: em Portugal só 11 por cento referem que o país tem uma influência significativa nas decisões tomadas ao nível da União Europeia, quando a média dos outros países é de 12 por cento.
Em declarações à RTP Antena 1, Alfredo Sousa de Jesus, Chefe do Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal refere que “no ano em que comemoramos quatro décadas desde a adesão de Portugal ao projeto europeu, os portugueses estão cada vez mais europeístas. 90% dos portugueses consideram que a adesão à Europa foi positiva. Apenas 7% consideram, ao contrário, que a adesão foi algo negativo. Só a Dinamarca e Malta conseguem ser mais europeístas que Portugal”.
“Da mesma forma, 67% dos portugueses têm uma imagem positiva da União Europeia, também aqui muito superior à média europeia de 50%. O mesmo se verifica em relação a níveis de confiança dos portugueses em relação ao Parlamento Europeu como instituição europeia que é”.
A importância da qualidade de vida
As respostas mostram que 83 por cento dos inquiridos em todos os 27 Estados-membros estão satisfeitos com a qualidade de vida. Em Portugal o número é inferior: são 74 por cento.
Na média são mais os homens (84 por cento dos inquiridos) a estar satisfeitos com a qualidade de vida, o que se reflete também nas respostas nacionais (74 por cento), enquanto que as mulheres estão mais insatisfeitas (75 por cento nas respostas femininas) e 26 por cento nas respostas masculinas).
São os jovens portugueses até aos 24 anos os mais satisfeitos e as pessoas entre os 40 e os 54 anos as mais insatisfeitas.
Em Portugal (85 por cento) são as pessoas com um nível de escolaridade mais alto as mais satisfeitas com a qualidade de vida enquanto as que têm menor nível de formação estão mais insatisfeitas (67 por cento).
O Parlamento Europeu quis ainda saber em que áreas os inquiridos defendem que poderia haver melhorias na qualidade de vida.
Os portugueses, referem sobretudo a situação financeira e a capacidade de fazer face às despesas do dia a dia. Numa pergunta em que podiam escolher até 5 áreas, 53 por cento dos portugueses referiram esta como sendo aquela em que desejavam ver melhores perspetivas (um número acima da média europeia de 42 por cento).
A segunda área mais referida pelos cidadãos nacionais é a da acessibilidade e qualidade dos cuidados de saúde (51 por cento PT; 37 por cento UE). Curiosamente é esta a componente mais destacada pelos portugueses no que se refere aos aspetos mais importantes para uma boa qualidade de vida mas não é aquele que referem como a primeira em que desejam melhorias.
Os portugueses escolhem depois a segurança no emprego e condições de trabalho (38 por cento PT; 27 por cento UE), a saúde física e mental (25 por cento EU; 37 por cento PT), e o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional (21 por cento PT; 35 por cento UE).
Apenas 24 por cento dos portugueses (e 26 por cento dos europeus em geral) referem a qualidade e acessibilidade da habitação.
Em último lugar aparece o acesso à cultura.
De notar ainda que 30 por cento dos portugueses referem a eficiência dos serviços públicos como a área em que gostariam de ver melhorias (são 18 por cento os que referem esta área na média europeia).
Há ainda outro dado a realçar: à pergunta “quando pensa na forma como o seu nível de vida irá evoluir ao longo dos próximos cinco anos, qual das seguintes afirmações melhor descreve as suas expetativas?” apenas 14 por cento dos inquiridos em Portugal consideram que vai aumentar (18 por cento na média europeia). São 39 por cento os que consideram que nada vai mudar e o mesmo número de respostas apontam para a expetativa de um nível de vida que vai diminuir nos próximos 5 anos (neste sentido a média europeia é de 29 por cento) o que mostra que Portugal está mais pessimista que a média dos países europeus em relação ao nível de vida futuro.
Há ainda a reter uma comparação com os Estados Unidos e com a China: quando questionados sobre se a qualidade de vida na UE é atualmente melhor ou pior do que em cada um destes países as respostas mostram que 19 por cento dos portugueses consideram que a qualidade de vida na União Europeia é muito melhor que nos Estados Unidos, 33 um pouco melhor, 24 por cento um pouco pior e 10 por cento muito pior.
Já em relação à China 32 por cento consideram que é muito melhor a qualidade de vida na UE e 40 por cento que é um pouco melhor. 2 por cento consideram que o nível de vida na União é muito pior que na China e 11 por cento um pouco pior.
As respostas obtidas em Portugal seguem a tendência das recebidas nos outros países da União Europeia.
Portugueses querem custo de vida e a saúde pública como prioridades
Mais de metade (ao todo 58 por cento) dos portugueses inquiridos mostraram ter uma imagem bastante positiva ou positiva do Parlamento Europeu. 20 pontos acima da média europeia. 32 por cento têm uma imagem neutra e 8 por cento uma imagem negativa.
Em Portugal, os homens inquiridos (60 por cento) têm uma imagem mais positiva que as mulheres que responderam a este inquérito (56 por cento) enquanto é nas pessoas com os níveis de escolaridade mais elevados (66 por cento) e nas idades entre os 25 e os 54 anos que se encontram os que mais confiança têm nesta Instituição Europeia.
Há 69 por cento de inquiridos portugueses que admitem que gostariam de ver o Parlamento Europeu a ter um papel mais importante e neste caso são as mulheres, mais do que os homens, os maiores de 55 anos e quem tem níveis de escolaridade mais baixos a defender uma instituição com mais intervenção e um papel mais importante.
Mas em que áreas?
O Chefe do Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal destaca que “em relação às prioridades para as políticas públicas, nota-se alguma diferença entre Portugal e a média europeia”.
Alfredo Sousa de Jesus salienta que “para Portugal, por exemplo, as três maiores prioridades são por ordem o custo de vida, saúde e emprego e luta contra a pobreza. Já a nível europeu, a média aponta como prioridades com maior destaque para a defesa e segurança, assim como para a independência energética”.
De facto, os números mostram que para os portugueses (65 por cento) a prioridade deve ser a dada a questões relacionadas com o custo de vida, inflação e aumento dos preços e depois à saúde pública (62 por cento).
Numa questão em que podiam referir pelo menos 4 prioridades, os cidadãos nacionais escolheram ainda dar destaque à economia e criação de emprego (47 por centos dos inquiridos) e à pobreza e exclusão social (prioridade referida por 46 por cento dos inquiridos). A autonomia da UE também é referida por vários cidadãos nacionais, mas só 21 por cento assinalam a defesa e a segurança como prioridade (a média dos países é de 34 por cento) o que também mostra a maior distância para os conflitos no centro da Europa e para, acima de tudo, as fronteiras com a Ucrânia.
Os portugueses entendem que a última prioridade deve ser a defesa dos direitos dos consumidores (apenas 6 por cento a referem) e num mundo que lida cada vez mais com as questões da inteligência artificial esta surge como uma das últimas prioridades em todos os países (apenas 7 por cento a referem como prioridade em Portugal).
Também 90 por cento dos portugueses admitem que o papel da EU na proteção dos cidadãos europeus contra crises globais e riscos de segurança poderá vir a ser mais importante no futuro (a média dos 27 é de 68 por cento). 4 por cento dos inquiridos em Portugal dizem que deve ficar igual e 3 por cento salientam que deve ser menos importante.
Valores da UE que o Parlamento deve ter como prioridade: a paz
Os portugueses coincidem com o principal valor: a paz. É o que dizem 58 por cento dos portugueses e 51 por cento dos europeus em média ponderada.
Coincidem também na necessidade de defender a democracia (32 por sendo UE; 32 por cento PT).
A liberdade de expressão e pensamento são os valores que se seguem e que devem ser defendidos, tal como o Estado de direito e a solidariedade entre os Estados-membros e as suas regiões.
Em ultimo lugar surge o direito de procurar asilo de perseguição (só 3 por cento dos portugueses o referem nesta questão em que podiam escolher até 3 respostas, e só 5 por cento o destacam na média dos europeus).