Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste ainda autorizam terapia desaconselhada pela OMS
Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste estão entre os 25 países que ainda autorizam uma terapia para a malária desaconselhada pela Organização Mundial de Saúde por contribuir para a resistência do parasita aos medicamentos.
O Relatório Mundial da Malária 2011, hoje divulgado pela Organização Mundial de Saúde, coloca a resistência do parasita da malária à medicação entre as maiores preocupações na luta contra a doença.
A resistência do parasita responsável pela forma mais grave da doença, Plasmodium falciparum, à artemisinina foi confirmada em 2009 na fronteira entre o Cambodja e a Tailândia e há hoje casos suspeitos em zonas da Birmânia e do Vietname.
Já desde 2007 que a OMS recomenda a retirada do mercado das monoterapias baseadas em artemisinina e a sua substituição por terapias combinadas baseadas em artemisinina. Segundo a organização, a monoterapia é um dos principais fatores a promover o aparecimento de resistências no parasita Plasmodium falciparum.
No entanto, e apesar de o apelo da OMS estar inscrito numa resolução da Assembleia Mundial de Saúde, em novembro deste ano 28 farmacêuticas ainda comercializavam estes medicamentos, a maioria na Índia, e 25 países ainda autorizavam a sua utilização, a maioria na África subsaariana.
Entre os 25 países, 13 já anunciaram a intenção de proibir a utilização das monoterapias baseadas em artemisinina, entre os quais Angola, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe; e 12 ainda não se mostraram disponíveis para inverter a situação, nomeadamente Timor-Leste.
A Guiné-Bissau e Moçambique estão entre os 35 países cujas autoridades do medicamento já tomaram medidas para retirar a autorização das monoterapias baseadas em artemisinina, enquanto o Brasil nunca autorizou estes medicamentos.
A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, sublinha, na sua introdução ao relatório hoje divulgado, uma outra preocupação: a resistência aos inseticidas dos insetos que transmitem a malária.
"Atualmente estamos muito dependentes de piretróides, que são os únicos inseticidas usados nas redes mosquiteiras impregnadas. A resistência aos piretróides foi identificada numa grande variedade de locais, muitos dos quais nos países de África onde a malária é mais endémica", escreve a responsável.
Segundo o relatório, 45 países em todo o mundo identificaram resistência a pelo menos um dos quatro tipos de inseticidas usados para combater o mosquito que transmite a malária e a resistência aos piretróides foi identificada em 27 países da África subsaariana, nomeadamente em Moçambique e na Guiné-Bissau.
A OMS está atualmente a desenvolver um Plano Global para a Gestão da Resistência aos Inseticidas, que deverá ser lançado no início de 2012.