Associação de Médicos Fisiatras denuncia falta de fisioterapia em Ourém
Ourém, 30 mai (Lusa) - O presidente da Associação Portuguesa de Médicos Fisiatras, Henrique Souto, lamentou hoje que os doentes de Ourém que necessitam de fisioterapia estejam impedidos de realizar tratamentos no seu concelho.
Após ter sido informado sobre a situação, Henrique Souto disse à agência Lusa que reuniu na quarta-feira com o secretário de Estado da Saúde, a quem entregou um dossiê com a exposição do problema.
Henrique Souto explicou que os doentes do concelho de Ourém que necessitam de fisioterapia estão a ser obrigadas a deslocarem-se aos hospitais de Torres Novas ou Tomar.
Em causa está uma circular assinada pela diretora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Médio Tejo, que refere que a fisioterapia convencionada só deve ser autorizada quando for "comprovada a falta de capacidade de resposta nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde, com os quais a Unidade de Cuidados de Saúde Primários se articula".
"Trata-se de um abuso brutal. Não só não autorizam os tratamentos, como não estão a cumprir os Tempos Médios de Espera", realçou.
O especialista revelou ainda que a Entidade Reguladora da Saúde já está informada, mas "as averiguações são muito lentas" e os doentes "não podem esperar".
Apesar da existência de clínicas convencionadas, o ACES não está a autorizar as credenciais passadas pelos médicos. "Exige que os doentes sejam vistos por um especialista no hospital para confirmar que necessitam mesmo dos tratamentos. Mesmo quando esta necessidade é comprovada, a convenção não é autorizada", critica Henrique Souto.
Os doentes são, por isso, "obrigados a deslocar-se mais de 20 quilómetros diariamente" para os hospitais do distrito, que "nem sempre dão resposta atempadamente".
"Se o doente não fizer reabilitação em tempo útil há situações crónicas que podem passar a agudas. Refiro o exemplo de uma prótese de joelho, que custa cinco ou seis mil euros. Se o doente estiver um mês à espera de reabilitação, poderemos estar a falar de uma prótese para deitar fora", exemplificou o fisiatra, que também é presidente à Federação Nacional dos Prestadores de Cuidados de Saúde.
Segundo disse ainda, em fisioterapia, se a intervenção não for precoce, "a despesa até será mais elevada". Além do doente "demorar mais tempo a recuperar e com maior sofrimento", no futuro "terá custos superiores se a pessoa ficar incapacitada para trabalhar".
O Município de Ourém também aprovou, por unanimidade, uma declaração apresentada pelo seu presidente, na qual são denunciadas as novas condições de acesso a tratamentos de fisioterapia, que obrigam os munícipes a deslocar-se para os hospitais de Tomar ou de Torres Novas.
Em resposta à agência Lusa, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) garante que o ACES Médio Tejo está cumprir a legislação referente a procedimentos de autorização de prescrição de práticas de fisiatria para além dos 120 dias.
Fonte da ARSLVT explicou que "um utente só pode ser enviado para consulta de medicina física e reabilitação em entidade convencionada depois de o médico verificar o tempo de espera para a respetiva consulta no Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT)" e "confirmar que esse tempo ultrapassa aquele que o utente pode esperar, devido à gravidade da sua doença".
Através da "Lista de Inscritos e Tempos de Espera - Ponto de situação em dezembro de 2012", "apenas 1,5% dos pedidos de consulta de Medicina Física e Reabilitação efetuados ao CHMT obtiveram resposta para além do tempo", o que demonstra que "existe capacidade de resposta".